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Quando o pior inimigo de uma mulher é... outra mulher

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Sofía Gonzalo - publicado em 11/11/18

A crítica entre as mulheres pode ser mais prejudicial do que você pensa

“Eu sei que as irmãs do meu marido me criticam. Posso ver o desprezo no rosto delas. Quando temos encontros familiares, elas evitam falar comigo. Eu me sinto um fracasso quando estão por perto”.

Que mulher não se sentiu objeto de crítica por outras mulheres em algum momento da vida? E quem não teve uma conversa onde outra mulher é sujeita a rumores e fofocas, ou se divertiu com o cabelo, a forma do corpo ou as escolhas de roupas? O abuso psicológico das mulheres, como conceito, tem sido estudado há 20 anos.

Se existe algo que caracterize o sexo feminino, é a intuição, e não é muito provável que falhe quando uma mulher sente que é vítima de um tratamento humilhante por uma ou mais mulheres. E essa agressão, independentemente do nível de intensidade, tem um efeito negativo sobre a pessoa que a recebe – e também sobre o acusador.

Além disso, há uma idade em que essa forma de abuso é frequentemente devastadora para as mulheres: a adolescência e o início da idade adulta. De acordo com os estudos realizados por Tracy Vaillancourt na Universidade de Ottowa, no Canadá, os adolescentes – que estão rodeados pela competitividade e críticas típicas daquela idade – podem ser expostos ao assédio e ao abuso psicológico que podem ter um efeito negativo permanente sobre sua autoestima.

Para compreendermos melhor temos aqui algumas perguntas e respostas do psicólogo Pedro Martínez, Diretor de Terapia do Neurosalus, que é um centro que ajuda as pessoas com problemas psicológicos.

Como podemos evitar arrastar o desprezo a outra mulher se nos encontrarmos nesse tipo de conversa?

Defendendo-a e fazendo ouvir nossas próprias opiniões e valores. Podemos criticar o comportamento, mas não as pessoas, e muito menos de forma insultante. Se nos encontramos em uma situação em que outra pessoa está sendo ofendida, temos que estabelecer limites, sendo claros sobre onde estamos ultrapassando os limites em relação a opiniões e julgamentos.

Vivemos em uma sociedade na qual todos podemos contribuir para prejudicar a reputação de outras pessoas, muitas vezes sem sequer perceber que estamos invadindo suas vidas com surpreendente impunidade e cumplicidade. A difamação e a crítica são mais facilmente aceitas do que a defesa de seus direitos. Não é aceitável para nós nos desculparmos dizendo: “É assim que a nossa sociedade é, e cada um tem que cuidar de si mesmo”. Se não percebemos que nosso bem-estar individual depende do bem comum, mais cedo ou mais tarde seremos nós os que sofrerão. Temos que ser corajosos, denunciando – não permitindo – esse assédio e abuso psicológico.

O que podemos fazer se sofremos desse tipo de assédio?

Acima de tudo, e o mais rápido possível, peça ajuda. Uma mulher por conta própria não pode enfrentar nem resolver uma situação que exige o apoio e a cooperação de todos.

Meu conselho é que, se estamos nos estágios iniciais de ser intimidados, não devemos hesitar em mobilizar aqueles que nos rodeiam imediatamente. Nossa primeira reação ao bullying é, muitas vezes, a autopunição: a vítima tende a justificar os comentários do valentão, a se reprovar e a se esconder dos outros. Se, nesta fase inicial, a mulher que está sendo atacada não reagir falando com amigos e familiares, ela se isolará, possivelmente englobando sentimentos de insegurança e indefesa, que se tornam mais difíceis de lidar com o passar do tempo.

Se uma mulher tem sido assediada por um tempo, eu recomendo coragem e determinação: coragem, para que outras pessoas saibam sobre seu nível de mal-estar psicológico; e determinação, para lutar contra esse tipo de situação, mostrando a sua “torturadora” que não tem medo dela e afirmando – tanto para si mesma como para a valentona – seu próprio valor e dignidade. Não nos esqueçamos de que os valentões se alimentam da insegurança e falta de confiança de suas vítimas.

Quais são os efeitos nas mulheres que experimentam isso?

Segue o padrão de abuso psicológico e assédio. Portanto, podemos esperar que as mulheres que sofrem desse assédio desenvolvam todos os sintomas típicos deste tipo de situação: desequilíbrio emocional, baixa autoestima; má autoimagem; e sentimentos de insegurança, indefesa, medo, rejeição, solidão e de ser incompreendida…

Essa experiência, se prolongada, causa um estado permanente de alerta característico de episódios de estresse pós-traumático e aumenta o risco de criar fobias específicas, ansiedade generalizada e até mesmo transtornos alimentares e de personalidade.

Que efeitos pode ter sobre as mulheres que criticam ou intimidam as outras?

Do outro lado da equação, as valentonas usam sua conduta para se proteger do mesmo dano que causam: crítica, rejeição… Isso geralmente cria comportamentos obsessivos voltados para o controle de detalhes de suas vidas que consideram indispensáveis ​​para manter seu status dominante e que tendem a subjugar suas críticas: cuidar de sua imagem, um interesse desproporcional em ser atraente tanto para homens como para outras mulheres, ou uma obsessão por ser a melhor mãe e esposa ou a melhor profissional…

A exposição constante a esses tipos de demandas pode levar a condições psicopatológicas que têm como denominador comum o estresse, a ansiedade e uma obsessão com certos aspectos de sua imagem pessoal e competência social.

Como a oração pode nos ajudar se nós somos vítimas, ou se nós estamos participando de um assédio a outra mulher?

Os psicólogos sabem que para as pessoas de fé, a oração pode funcionar como uma espécie de “exercício de fortalecimento mental” e pode contribuir positivamente para controlar ansiedade e depressão, desenvolver empatia e melhorar o funcionamento cognitivo e intelectual. Além disso, a oração pode ajudar a diminuir os efeitos do estresse.

Para as pessoas nos tipos de situações de bullying que estamos discutindo, além da comunicação e pedido de ajuda, tanto do seu círculo próximo de amigos como da família e de profissionais especializados, pode ser muito útil buscar na oração um momento de paz psicológica interna, o que é muito importante para construir a confiança e a força necessárias para enfrentar esses episódios.

O psicólogo Pedro Martínez é o Diretor de Terapia do Neurosalus.

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