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China quer aliança com Espanha e Portugal em uma UE desconfiada

EUROPEAN UNION; FALG

By Savvapanf Photo | Shutterstock

Agências de Notícias - publicado em 29/11/18

Países como Grécia e Polônia se juntaram ao projeto, mas Bruxelas lançou um programa paralelo

Em plena guerra comercial com os Estados Unidos, a China tenta fortalecer seus vínculos com a Espanha e com Portugal, dois sócios compreensivos em contraste com outros países europeus que tentam limitar os investimentos chineses em seu território.

O presidente chinês, Xi Jinping, iniciou na terça-feira uma visita oficial em Madri, onde nesta quarta (28) se reuniu com o chefe de governo Pedro Sánchez, antes de viajar a Portugal nos dias 4 e 5 de dezembro.

“Há uma manobra geopolítica de tentar manter relações em um momento complicado para a China”, explicou à AFP Ángel Saz Carranza, diretor do centro de geopolítica e empresas ESADEGeo.

Os Estados Unidos ameaçam agora impor algumas tarifas punitivas que afetariam as importações de bens chineses pelo valor de 267 bilhões de dólares.

O aumento se somaria ao que Washington aplica desde julho, e que afeta bens chineses de um valor de 250 bilhões de dólares.

A situação pode ficar tensa também na Europa, cujos Estados-membros se pronunciarão em dezembro sobre o controle dos investimentos estrangeiros, incluindo os chineses, a fim de proteger setores-chave como a energia.

Foi nesse contexto que Xi prometeu nesta quarta-feira no Senado espanhol “agilizar o acesso ao mercado chinês” e “aumentar a proteção à propriedade intelectual”.

Para Pequim é “o momento de (fazer) declarações públicas para tentar abrandar a opinião europeia”, acrescentou Saz Carranza.

– Acessos fáceis –

Em sua viagem ibérica, Pequim tenta “encontrar caminhos fáceis de acesso para os investimentos chineses na Europa, e consolidar o que foi conseguido” nesses países apesar das reticências de outros governos europeus, explicou à AFP Jean-François Di Meglio, presidente do think tank Asia Centre, com sede em Paris.

França, Alemanha e Itália pedem há anos uma legislação europeia que permita filtrar certos investimentos.

Esses países se preocupam que grupos estrangeiros, em particular chineses, assumam o controle de tecnologias-chave, comprando empresas europeias de uma maneira consideram desleal. Madri e Lisboa são mais receptivos.

“Em números absolutos, os investimentos chineses são mais significativos no Reino Unido e na Alemanha, mas em porcentagem em relação ao PIB são maiores na Espanha e em Portugal”, apontou Di Meglio.

Desde 2016, Pequim atravessa “uma fase de grandes dúvidas” em relação à UE, que se uniu aos Estados Unidos para lhe negar o status da economia de mercado, explicou.

A decisão britânica de abandonar a união agravou os temores da China, que prefere privilegiar as relações bilaterais, acrescentou.

Na Espanha, reforçou sua presença nos portos e terminais ferroviários comprando em 2017 o grupo que administra o terminal de contêineres dos portos de Valencia e Bilbao através da empresa COSCO Shipping.

Portugal abriu as portas aos investimentos chineses quando a crise iniciada em 2008 obrigou Lisboa a privatizar ativos para reduzir a dívida.

Entre 2010 e 2016, representaram 3,6% do PIB português, o segundo percentual mais alto na UE depois da Finlândia, segundo os últimos números da ESADE.

O Estado chinês possui atualmente 28% da maior empresa do país, Energias de Portugal.

Segundo a IHS Markit, as exportações da Espanha para a China aumentaram 28% em 2017, elevando para 5,74 bilhões de euros.

– Não às “Rotas da Seda” –

Madri quer aproveitar a chegada do presidente Xi para favorecer a exportação de uva e de embutidos, como o presunto ibérico, informou um alto funcionário do governo espanhol.

Este mesmo funcionário garantiu, contudo, que durante a visita de Jinping a Espanha não irá aderir ao ambicioso programa das “Rotas da Seda”, lançado por Pequim em 2013 para construir portos, estradas e conexões ferroviárias entre a Ásia e a Europa mediante empréstimos milionários.

Países como Grécia e Polônia se juntaram ao projeto, mas Bruxelas lançou um programa paralelo e o governo espanhol quer ser um sócio comunitário exemplar.

Além da economia, a China espera consolidar também sua influência no cenário internacional “reforçando o diálogo com a Espanha nas cúpulas internacionais da ONU, da OMC e do G20”, declarou Xi Jinping.

(AFP)

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