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Especialistas respondem: quantos presentes uma criança deveria ganhar no Natal?

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Sempre Família - publicado em 22/12/18

O que acontece em dezembro pode influenciar o comportamento da criança o ano todo

Quando presenteamos as crianças no Natal, queremos que elas se sintam queridas e felizes – mas não mimadas. Qual é o número ideal para atingir esse objetivo? Há quem estipule um limite de três – afinal, foi o que o Menino Jesus ganhou – ou outro número. O fato é que o que acontece em dezembro pode influenciar o comportamento da criança o ano todo.

“Sabemos que uma das formas pelas quais as crianças geralmente assimilam valores materialistas é através da influência dos familiares”, diz o psicólogo Tim Kasser. “É bem provável que o Natal com seus presentes seja um dos momentos em que essa influência se dá de forma mais saliente.”

Kasser, que é professor no Knox College, em Illinois, é coautor de um estudo realizado no final da década de 1990 junto com o pesquisador Kennon Sheldon, que analisou como as diversas atividades ligadas ao Natal se relacionam com a felicidade.

No artigo O que faz um feliz Natal?, publicado no periódico Journal of Happiness Studies, ele concluiu que as pessoas ficam mais felizes quando as festas de fim de ano têm mais a ver com família e religião do que com gastar dinheiro e ganhar presentes.

“Quanto mais excessivamente uma criança – especialmente se for bem nova – é presenteada, mais propensa é a assimilar a mensagem de que as posses e o ganhar coisas é o que realmente importa”, explica Kasser. Segundo o psicólogo, os pais deveriam se preocupar com isso, pois há pesquisas que mostram que pessoas materialistas são menos propensas a ser felizes e tendem a desenvolver depressão e ansiedade.

O pediatra Mark Bertin lembra ainda que há pesquisas que mostram que dar presentes contribui mais para a felicidade a longo prazo do que recebê-los. “O que é importante é a perspectiva que damos às crianças nas festas de fim de ano”, diz ele. “Queremos que elas se divirtam e que aproveitem as coisas, sem as abarrotar de presentes e sem as ensinar a se sentirem autorizadas a tudo.”

E não adianta se sair com a desculpa de que é assim que todo mundo faz. “Pensamos no Natal como algo tradicional, que foi sempre assim. Mas é uma celebração mais moderna do que pensamos”, diz o antropólogo William B. Waits, autor de The Modern Christmas in America: A Cultural History of Gift Giving (“O Natal moderno nos Estados Unidos: uma história cultural da troca de presentes”, em tradução livre). “O Natal mudou anteriormente, e pode mudar de novo.”

Segundo Waits, é uma mera ilusão achar que antigamente a celebração do Natal era mais espiritual e menos comercial. Antes da independência dos Estados Unidos, as festas de fim de ano mal lembravam as comemorações de hoje, caracterizando-se pelas bebedeiras e desordens. Isso mudou no início do século XIX, quando alguns grupos começaram a postular uma celebração mais familiar e escritores ajudaram a redefinir o Natal através da literatura.

(via Sempre Família)

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