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Como usar o seu poder com respeito infinito?

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Carlos Padilla Esteban - publicado em 06/03/19

A confiança recebida nos dá imenso poder, mas usá-lo abusivamente é doentio

Ter ou não ter poder não é algo indiferente para mim. Eu sou atraído pelo poder. Eu gosto de poder fazer coisas. Gosto de ter conhecimento. De ter a capacidade de conquistar meus sonhos. O poder abre as portas para mim. Não ser capaz de fazer o que eu quero me incapacita, limita-me.

Todos na vida têm poder. A questão é como usá-lo. Eu posso usá-lo para fazer o bem. Eu posso abusar do poder que me foi confiado. O poder que tenho é sempre um dom. Alguém me deu esse poder.

Jesus disse a Pilatos: “Pilatos então lhe disse: Não falas comigo? Você não sabe que tenho autoridade para libertá-lo e tenho autoridade para crucificá-lo? Jesus respondeu: Você não teria autoridade sobre mim se não tivesse sido concedida a você de cima; por isso aquele que me entregou a ti tem maior pecado”. Jo 19, 10-11.

Alguém me deu o poder que eu tenho. A autoridade vem de Deus. Há outros que me dão poder sobre suas vidas. O poder vem de cima. Eu posso usá-lo de forma certa ou errada. Eu sou responsável pelo poder que recebo.

Quando eu amo uma pessoa, eu lhe dou poder sobre a minha vida. E dou a ela a possibilidade de me amar de forma correspondente:

“Amar alguém é dar-lhe a possibilidade de corresponder a esse amor. O maior presente que pode ser dado a alguém é a possibilidade de poder se doar, entregando-se por amor. Maior felicidade está em dar do que em receber” [1].

Eu posso dar para outra pessoa poder sobre mim, através do meu amor. Como eu uso o poder que recebo? É gratuito. Não é um direito. Eu posso usá-lo com dignidade. Eu posso exaltar quem eu amo. Ou eu posso tratá-lo sem respeito.

O poder usado abusivamente é algo doentio. Ter poder sobre alguém é uma imensa responsabilidade. Eu posso usar o poder com amor. Eu posso ferir aqueles que me foram confiados.

A confiança recebida me dá imenso poder. Alguém se abre para mim e acredita em mim. E eu tenho que ser para essa pessoa um reflexo fiel do amor de Deus.

Muitas vezes, eu gostaria de não ter poder. Não ser tentado. Para não acreditar em mim mais do que eu sou. A impotência sentida na pele me torna mais humano. Isso me confronta com meus limites.

Eu sinto o desejo de ser onipotente. Saber tudo. Ter tudo. Controlar tudo. Esse poder de Deus que me atrai e me seduz tanto. Acabo querendo ser como Deus.

O poder que recebo me deixa orgulhoso. Eu acho que posso fazer tudo. Que sou capaz de tudo. Eu saberia o que precisa ser feito. Eu saberia o que é bom.

E eu posso abusar da minha auto-suficiência pensando que ninguém tem tanto poder. Acabo buscando a mim mesmo. Quero ser servido. Porque me sinto poderoso. Como se tudo estivesse na minha mão.

É bom para mim tocar a impotência das minhas fraquezas. Quero expressar a Deus que não posso fazer nada sem Ele.

O Padre Jose Kentenich diz: “Deus Pai tem uma ‘fraqueza’ característica; Ele não pode resistir ao desamparo de seu filho, já que o conhece e o reconhece. Filiação significa ‘impotência’ do Deus excelso e, ao mesmo tempo, ‘onipotência’ do homem insignificante” [2].

Deus é impotente diante da minha impotência. É um paradoxo. Quanto mais orgulhoso e seguro de mim mesmo eu apareço diante de seus olhos, mais fraco Ele se sente para ser capaz de me atrair com laços de amor.

Somente quando deixo meu orgulho e minha vaidade posso dobrar meus joelhos diante de Deus, diante de Maria. Então eu caio, eu sucumbo. Eu sinto o pecado em minha carne.

Sinto que, se eu não deixar Deus me governar, serei um déspota, abusarei do poder que me confiam, deixarei que me sirvam sem me colocar para servir aos mais fracos.

Eu passaria por cima da fragilidade dos homens. Eu seria como um juiz condenando qualquer infração. Inflexível com a fraqueza dos homens.

É bom para mim experimentar a queda. Sentir a dor da traição. Experimentar a mancha na minha pele pela crítica e condenação dos homens.

Vou aprender a construir na areia dos meus fracassos e verei comovido o Deus impotente diante da minha incapacidade.

Eu não quero me tornar um abusador dos fracos e inocentes. Eu conheço o poder da minha palavra. E a força dos meus gestos.

Eu sei que posso ignorar aquele que busca amor e compreensão. Eu posso ofender quase sem perceber.

Posso pedir aos outros o que eu mesmo não estou disposto a fazer. Eu posso parar de carregar cargas pesadas. E permitir que outros caiam sob o peso de minhas demandas.

Eu não quero. Eu então fujo daquele poder que Deus me dá para usar com infinito respeito. Então eu me aproximo de joelhos daqueles a quem Deus coloca ao alcance do meu amor. Para que não façam apenas aquilo que eu desejo. De modo que apenas me convidem a seguir o caminho do Jesus misericordioso.

Que minhas palavras sejam firmes e cheias de misericórdia. Que minhas exigências sejam expressas em minha própria vida, não em minhas palavras. Que eu não peça nada que eu não faça.

Que eu não busque que ninguém perca sua liberdade por colocá-la em minhas mãos. Ao contrário. Eu renuncio a todo poder, dando a Deus e a Maria o poder sobre a minha vida. Eles são os que têm poder.

Eu sou impotente. Não posso com minha carga. Não posso amar como Deus ama. Não julgo. Não condeno. Entrego minha vida quebrada nas mãos de Deus. Entrego a Deus o poder sobre minha vida.

[1] Jacques Philippe, Si conocieras el don de Dios

[2]Kentenich Reader Tomo 3: Seguir al profeta, Peter Locher, Jonathan Niehaus

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