Maria Rita foi entrevistada pelo jornal vaticano L'Osservatore Romano:
Maria Rita foi entrevistada pelo jornal vaticano L’Osservatore Romano: O jornal vaticano L’Osservatore Romano trouxe na sua edição italiana deste 18 de julho uma entrevista com Maria Rita Pontes, sobrinha da futura primeira santa nascida em solo brasileiro, a Irmã Dulce.
As duas têm o mesmo nome, já que a Irmã Dulce foi batizada como Maria Rita Lopes Pontes e depois adotou o nome religioso com que hoje é amplamente conhecida. A sobrinha Maria Rita supervisiona hoje as Obras Sociais Irmã Dulce.
A entrevista
O jornalista Francesco M. Valiante perguntou a Maria Rita como ela se sente sendo sobrinha de uma santa. Sua resposta:
“Embora eu esteja esperando por este evento desde o início do processo, iniciado dezenove anos atrás, a sensação é única. De grande alegria, de emoção, e também de responsabilidade. Acho que daí virão muitos benefícios para atender sempre mais e melhor as pessoas que batem à porta das Obras Sociais Irmã Dulce”.
Relacionamento pessoal
“Eu sou filha da sua irmã Dulcinha, um ano mais nova que a irmã Dulce. Elas eram muito próximas. A tia dizia: ‘Somos dois corpos numa só alma’. O meu nome é uma homenagem a ela, pois o seu nome de batismo era Maria Rita. O nosso relacionamento era muito estreito, de mãe para filha, de filha para mãe. Hoje sou o que sou graças ao seu exemplo”.
Episódios de santidade
“Há muitos episódios que testemunham a sua santidade já em vida. Ele nunca recusou um paciente à porta do hospital. Dizia: ‘Esta é a última porta. Portanto, não posso fechá-la’. Ajudava a todos sempre com grande amor. Era paciente e ouvia com a atenção todos os que se dirigiam a ela: funcionários, médicos, pacientes, pessoas necessitadas. Nos momentos mais difíceis, ela nunca perdeu a fé e a esperança na Providência divina”.
Inspiração para a total dedicação aos pobres
“Respondo a esta pergunta com uma frase que ela repetia sempre: Se Deus viesse à nossa porta, como seria recebido? Quem bate à nossa porta, buscando conforto para a sua dor, para o seu sofrimento, é outro Cristo que nos procura”.
A continuidade da obra
“Foi uma missão que a irmã Dulce me repassou. Antes de morrer, ela escreveu uma carta-testamento. Ela mantinha-me sempre a par dos muitos detalhes da Obra; às vezes eu não entendia por que é que ela se preocupava em me explicar como resolver certas questões operacionais da vida cotidiana da instituição. Eu morava no Rio de Janeiro, graduei-me em jornalismo e procurava divulgar as suas obras. Escrevi a sua primeira biografia em 1983. Em 1989, entrei no conselho de administração das Obras e comecei a tomar parte nas decisões estratégicas da instituição. Hoje penso que talvez, instintivamente, ela me estivesse preparando, sem que eu percebesse, para a missão que herdaria com muito orgulho e responsabilidade. Como dizia a irmã Dulce: ‘Esta obra não é minha. É de Deus.E o que é de Deus permanece para sempre'”.
A grandeza da obra hoje
![]()
“As Obras Sociais Irmã Dulce são um ponto de referência na assistência aos mais necessitados, atuando no campo da saúde, da assistência social, da educação, do ensino e da pesquisa. Estão equipadas com 954 leitos, à disposição do Sistema Único de Saúde. Dão assistência a crianças, idosos, deficientes físicos, alcoólatras, moradores de rua e pacientes com câncer: em suma, prestam serviços em praticamente todos os setores m que a população é mais necessitada. Se pensarmos que todo o seu trabalho nasceu onde antes havia um galinheiro e hoje existe um ‘império do Amor’, percebemos que a Irmã Dulce ainda está presente entre nós e faz um milagre todos os dias. É a lição do testemunho da fé na Providência divina. Respondo também a esta pergunta com uma frase dela: Se fosse necessário, eu começaria tudo de novo, da mesma forma, seguindo o mesmo caminho de dificuldades, porque a fé, que nunca me abandona, me daria forças para seguir sempre em frente”.
As periferias do mundo
“Na sua homilia, durante a missa para os migrantes celebrada no dia 8 de julho, relembrando a sua visita a Lampedusa em 2013, o Papa disse: ‘Infelizmente, as periferias existenciais das nossas cidades são densamente povoadas por pessoas descartadas, marginalizadas, oprimidas, discriminadas, abusadas, exploradas, abandonadas, pobres e sofredoras’. A irmã Dulce e o papa Bergoglio trabalham intensamente para ajudar estas pessoas”.
Na íntegra
A entrevista na íntegra, em italiano, está disponível em L’Osservatore Romano, 18/07/2019, página 7












