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Padre Pio tinha os estigmas, mas uma ferida secreta era mais dolorosa que as outras

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Padre Pio em uma Missa de Natal.
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O santo revelou isso apenas para uma pessoa: Karol Wojtyla, o futuro Papa João Paulo II

O Padre Pio é um dos poucos santos que sofreu os estigmas (feridas) da paixão de Cristo em seu corpo. Além das feridas dos espinhos e da lança, São Pio também recebeu a laceração que Nosso Senhor suportou em seu ombro, um ferimento causado por carregar a cruz, do qual sabemos porque Jesus revelou a São Bernardo.

Essa outra ferida que Padre Pio teve foi descoberta por um de seus amigos e filhos espirituais, o Irmão Modestino de Pietralcina.

Esse frade era da terra natal de Pio e o ajudava nos serviços domésticos. O futuro santo disse-lhe um dia que trocar de camisa era uma das coisas mais dolorosas que ele tinha Se suportar.

O Irmão Modestino não entendeu imediatamente o porquê. Ele percebeu a verdade apenas após a morte do Padre Pio, quando preparava as vestes de seu pai espiritual.

Modestino recebeu a tarefa de coletar todos os pertences do Padre Pio e guardá-los. Na camisa do padre, ele encontrou uma grande mancha no ombro direito, perto da omoplata. A mancha tinha cerca de dez centímetros de diâmetro (um pouco semelhante à mancha no Santo Sudário). Ele percebeu que, toda vez que o Padre Pio tirar a camisa, desgrudar o pano dessa ferida aberta teria causado uma dor enorme.

“Informei imediatamente o meu superior sobre que encontrei”, recordou o Irmão Modestino, e o superior pediu que ele fizesse um breve relato. Ele acrescentou: “O padre Pellegrino Funicelli, que também havia ajudado o Padre Pio por muitos anos, disse-me que, muitas vezes, ao ajudar o padre a trocar a camiseta de lã que ele usava por baixo, ele sempre notava – às vezes no ombro direito, às vezes no esquerdo, um hematoma circular”.

Wojtyla, seu confidente

O Padre Pio não falou sobre essa ferida com ninguém, exceto com o futuro João Paulo II. Se o santo irmão revelou apenas a ele, deve ter havido uma razão.

O historiador Francesco Castello escreve sobre um encontro em San Giovanni Rotondo, em abril de 1948, entre o padre Wojtyla e o padre Pio. Foi então que Pio contou ao futuro papa sobre sua “ferida mais dolorosa”.

O irmão Modestino relatou mais tarde que o padre Pio, após sua morte, deu-lhe um entendimento especial dessa ferida.

“Uma noite, antes de dormir, fiz uma petição a ele em oração. “Querido padre, se você realmente teve essa ferida, me dê um sinal.” E então eu fui dormir. Mas à 1h05 da manhã, uma dor aguda e repentina no meu ombro me despertou de um sono tranquilo. Era como se alguém tivesse pegado uma faca e arrancado a carne do meu ombro. Se a dor tivesse continuado mais alguns minutos, acho que teria morrido. No meio disso, ouvi uma voz que dizia: ‘Foi assim que sofri’. Um perfume intenso me cercou e encheu meu dormitório. Senti meu coração transbordar de amor a Deus. Eu senti uma sensação estranha: ter essa dor insuportável tirada de mim parecia ainda mais difícil do que a suportar. O corpo queria rejeitá-la, mas a alma, inexplicavelmente, desejava-a. Foi algo extremamente doloroso e doce ao mesmo tempo. Finalmente eu entendi!”

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