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Sobre o Sínodo para a Amazônia

SYNOD2018
Antoine Mekary | ALETEIA | I.MEDIA
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Como explicar tanta polêmica sobre o Sínodo para a Amazônia?

No dia 20 de setembro foi publicada a lista dos participantes da assembleia especial do Sínodo dos Bispos para a Amazônia. Além de todos os bispos diocesanos e auxiliares da área pan-amazônica, que envolve nove países, também outros bispos da América e de outras partes do mundo foram incluídos, além de peritos e “convidados fraternos” de outras Igrejas cristãs não católicas, que atuam na Amazônia. Ao todo, serão mais de 180 os membros dessa assembleia sinodal, que será aberta pelo Papa Francisco no próximo dia 6 de outubro, no Vaticano, e se estenderá até o dia 27 de outubro.

Trata-se de uma assembleia “especial” do Sínodo dos Bispos, e isso significa que seu tema diz respeito a uma questão local ou a um ambiente geográfico e eclesial restrito, não universal, da atuação da Igreja. No caso, trata-se da Amazônia. Não é a primeira assembleia especial do Sínodo dos Bispos. Na preparação do grande Jubileu do início do terceiro milênio cristão, foram feitas diversas assembleias continentais, que também foram especiais. Para o Oriente Médio, foram realizadas até duas assembleias especiais.

Não deveria causar estranheza, portanto, que o Papa Francisco tenha convocado uma assembleia especial do Sínodo dos Bispos para tratar da vida e da missão da Igreja na grande Amazônia. Como, pois, explicar tanta polêmica sobre o Sínodo para a Amazônia? Várias explicações são possíveis. O primeiro motivo refere-se à natureza dessa assembleia eclesial. Alguns entendem que se trata de uma reunião com objetivos políticos ou geopolíticos, talvez até para desestabilizar a soberania dos países da área amazônica sobre seus respectivos territórios. Isso, no entanto, é uma grande fantasia e inverdade. Se alguém tiver esse tipo de projeto, não é certamente o Papa Francisco, nem a Igreja Católica. Fiquemos bem tranquilos a esse respeito.

Outros talvez pensam que a assembleia do Sínodo seja uma espécie de reunião decisória sobre uma série de questões religiosas e não religiosas. Aqui é preciso esclarecer logo que não se trata disso. As assembleias do Sínodo dos Bispos são sempre consultivas e não têm poder de tomar decisões. O Papa convoca uma assembleia do Sínodo para ouvir e consultar sobre um determinado assunto ligado à vida e à missão da Igreja. No final do processo de consulta e reflexão, a assembleia entrega ao Papa o fruto dessa reflexão na forma de “propostas”. O Papa, depois, diz a sua palavra de autoridade sobre o tema por intermédio de um documento conhecido como Exortação Apostólica pós-sinodal, ou por meio de outro tipo de documento.

Ainda outros estão espalhando, até no seio da comunidade católica, suspeitas e falsidades sobre esse Sínodo. É uma pena que isso aconteça e seria bom informar-se bem, antes de emitir julgamentos descabidos. Há mesmo quem diga que Sínodo vai abolir o celibato sacerdotal, autorizar a ordenação de mulheres para o ministério sacerdotal ou transformar a terra, a natureza e a floresta em uma espécie de “divindade”, desviando a reta fé católica e apostólica. Também há quem já grita pelas mídias de que se trata de um “sínodo herético” ou “maldito”! Ora essa! Vamos com muita calma e não demos logo ouvidos a esses profetas apocalípticos, espalhadores de teorias da conspiração e promotores de pânico no seio da Igreja! Afinal, com qual autoridade e responsabilidade estão a falar isso? A quem queremos dar crédito na Igreja? Não nos deixemos atrair logo por sibilas de língua afiada e por pregações de “cavaleiros solitários”, sem comunhão com a Igreja, que se propõem como salvadores da Igreja! Fiquemos com os bispos que, em comunhão com o Papa Francisco, têm o dever de zelar pela vida e a missão da Igreja.

Convido a rezar pelo bom êxito do Sínodo para a grande Amazônia e a acompanhar as reflexões eclesiais que serão feitas, em vista de um discernimento sereno sobre a vida e a missão da Igreja naquela grande e importante Região da América do Sul. A reflexão diz respeito: a) à presença e ao desempenho ainda insuficiente da própria Igreja na Amazônia; b) ao homem amazônico, indígena, mestiço, ribeirinho e urbano e sua situação naquela Região; c) ao ambiente (“casa comum”) da Amazônia, ameaçado por diversos fatores e agentes, e em relação ao qual a Igreja também tem a missão de anunciar a Boa Nova da salvação.

(Publicado em O SÃO PAULO, na edição de 25/09/2019)

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