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Histórias Inspiradoras

Dois anos depois: os 10 anjos, as 3 heroínas e Nossa Senhora Aparecida – em pé!

Professora Heley de Abreu Silva Batista

Heley de Abreu Silva Batista - Facebook

Aleteia Brasil - Francisco Vêneto - publicado em 07/10/19

A mulher cuja vida era ensinar e cuja morte foi uma lição sublime: que este Dia da Padroeira traga bálsamo às famílias ainda machucadas

Completaram-se já 2 anos. Os primeiros dias foram de escuridão, vazio, desespero imponderável. Mas uma luz suave, mesmo desde aqueles dias, insistia em brilhar com sutileza nas dezenas de fotos e vídeos breves que as redes sociais espalhavam desde aquele 5 de outubro – o dia do abominável, do absurdo.

Eram imagens de sorrisos, de bracinhos abraçando, de mãozinhas irrequietas, intrometidas, carinhosas; de olhinhos ingênuos e marotos que não se aguentavam de curiosidade. Fotos de crianças bagunceiras, inocentes, vigorosamente frágeis no auge da força da vida que foi arrancada de repente e com estupidez boçal, com selvageria demente, e cuja lembrança tanto arrancava quanto devolvia os pedaços de quem tinha ficado.

Havia fotos também da Heley. A professora. A heroína. A mulher valente que tinha sacrificado a vida para salvar o máximo que pudesse de crianças da covardia e da insanidade assassina. A mulher cuja vida era ensinar e cuja morte foi uma lição sublime.

O massacre de Janaúba aconteceu no dia 5 de outubro de 2017, na creche municipal Gente Inocente, no município de Janaúba, estado brasileiro de Minas Gerais. O vigilante noturno da creche, que havia chegado na manhã para supostamente entregar um atestado médico, invadiu uma sala de aula com dezenas de crianças entre 3 e 7 anos, trancou a porta, lançou combustível sobre elas, sobre funcionários e sobre si mesmo e em seguida ateou fogo. Dezenas de crianças ficaram feridas. Quatro delas morreram ainda no local. Outras seis morreram depois de terem sido socorridas e hospitalizadas. Morreram ainda a auxiliar Geni Oliveira e as professoras Jéssica Morgana e Heley de Abreu. O agressor também morreu. O quadro de uma parte dos feridos se agravou por causa da inalação de fumaça. Algumas vítimas foram transferidas para a Santa Casa de Montes Claros, a 130 km de Janaúba. As vítimas com queimaduras mais graves foram levadas em aeronaves para a capital do estado, Belo Horizonte, a 550 km.

Enquanto dez anjos foram arrancados de seus pais, um anjo foi arrancado de seus filhos: Heley deixou um bebê de 1 ano e dois adolescentes. Ao filho mais velho, porém, ela foi se reunir: àquele que, ainda pequeno, tinha morrido afogado na piscina de um clube. Sim, o coração de Heley já conhecia a dor dilacerante de um filho arrancado por uma tragédia, e, ainda assim, ela arrancou forças de onde não tinha para seguir em frente – porque ainda havia história para protagonizar; ainda havia lição de casa para aprender e para explicar aos outros aprendizes, àqueles tantos e tantos de nós que anseiam por mestres não apenas contadores de histórias, mas fazedores da história. A história dela, do meio da escuridão, refulge como um roteiro para os que hesitam em seguir em frente; como um convite para aqueles que não têm de onde arrancar mais forças: “Arranquem forças de onde não têm. Há vida que nos espera, e, pela vida, encaremos, se necessário, a própria morte“.

Entre tantos absurdos, o maior de todos, afinal, é inexplicavelmente pródigo em sentido: a vida do próximo pode ser a força de que precisamos para arrancar vida da nossa própria morte.

Heley, que tinha dois primos sacerdotes e um filho coroinha, dava catequese: preparava casais para o sacramento do Matrimônio, numa igreja de Nossa Senhora Aparecida. A mesma Nossa Senhora Aparecida cuja festa, no dia 12 de outubro, por essas coisas de Deus, coincidiu com o sétimo dia de uma tragédia de morte em que a vida insistiu em ainda brilhar. A mesma Nossa Senhora que ficou de pé ao pé da Cruz em que o Seu Filho dava a vida pela vida do próximo. A mesma Nossa Senhora que ficou de pé porque sabia que a história do Filho não acabava naquela colina do Calvário, nem naquela tarde escura de sexta-feira.

Nossa Senhora Aparecida, rogai por nós, para ficarmos de pé!

Rogai por nós, Nossa Senhora, para nos lembrarmos de que a morte não é o final da história.




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