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Como explicar às crianças “de onde vêm os bebês”

PREGNANCY
Di Maria Evseyeva-Shutterstock
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Uma professora e mãe dá orientações valiosas

Não é fácil encontrar as palavras certas para conversar com seu filho sobre as grandes questões da vida e do amor. Você deveria dar uma explicação fantasiosa? Ou usar uma linguagem clara e realista?

A francesa Inès Pélissié du Rausas – esposa, mãe de cinco filhos e doutora em filosofia – estuda educação emocional há vários anos e fornece respostas concretas a essa pergunta em seu último livro, Conversando com crianças sobre o amor (Parlons d’amour à nos enfants em francês).

Para ela, responder à pergunta “Como fabricamos os bebês?” significa revelar “um segredo muito bonito – o da vida e a origem de uma criança”. Significa “apresentar aos filhos pouco a pouco um mistério que os intriga”. Isso requer que os pais pensem cuidadosamente na escolha de palavras e em como abordam o assunto.

Uma nova necessidade

O primeiro passo é ser honesto e direto. Devido à disponibilidade de pornografia e ao fato trágico de que as crianças podem ser expostas a ela mais cedo ou mais tarde, a autora recomenda sempre o uso de nomes científicos adequados para os órgãos genitais. As crianças devem entender que seus corpos são uma coisa boa e foram criados por Deus. O objetivo é mostrar que nosso corpo não pertence ao vocabulário pornográfico que os degrada.

Os pais podem proteger ainda mais seus filhos da exposição a tópicos inapropriados tomando a iniciativa de discutir sexualidade, em vez de esperar que a criança pergunte. “A iniciativa ajuda as crianças a evitar a timidez e o constrangimento que as deixam desconfortáveis ​​ou suspeitam que o assunto seja delicado ou até tabu”, diz Inès Pélissié du Rausas.

Baseie sua explicação na experiência de seu filho

Tomar a iniciativa parece bom, mas o que podemos dizer? A autora propõe o uso de analogias, o que possibilita explicar às crianças uma realidade ainda desconhecida ou confusa para elas. Falar sobre esperma e óvulos é abstrato demais para crianças pequenas – e muito distante de sua realidade. Mas com base em sua experiência, como observar as sementes que crescem na natureza, elas sabem que uma semente pode germinar e produzir uma flor, um feijão ou um caule de trigo. “Elas serão capazes de entender a analogia entre as sementes em geral e as ‘sementes da vida’ do pai e da mãe, que, depois de se unirem, se tornarão um bebê pequeno, capaz de se desenvolver no ambiente ideal do útero da mãe”, explica.

O que evitar

Inès Pélissié du Rausas sugere que os pais evitem a expressão “fazer bebês”, porque ela é “desprovida de transcendência e poesia”. Isso leva a uma ideia mecanicista de sexualidade, desprovida de significado, de amor e de consciência de que a vida é um presente. “As crianças são pessoas humanas e não são fabricadas”, diz ela.

Acima de tudo, a autora incentiva os pais a dizer a verdade. Em um esforço para preservar a inocência de seus filhos, alguns pais podem contar histórias fantásticas sobre cegonhas ou pedaços de repolho. “O problema é que esse tipo de história é uma mentira”, diz ela. “Quando as crianças ficarem cara a cara com conversas obscenas e conteúdo explícito, elas não estarão preparadas para resistir ou rejeitar esse conteúdo. Sem contar que elas não conseguirão mais confiar em seus pais.”

Embora a comparação com a natureza e os animais seja boa e fácil, ela tem seus limites. Isso deve ser explicado em união com o amor humano. “Temos que transmitir aos nossos filhos o mistério do amor entre as pessoas, a história da sexualidade humana. A reprodução animal não nos ajuda a chegar perto dessa discussão.”

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