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A América Latina está preparada para o pior da pandemia?

GUAYAQUIL

Cynthia Viteri

Agências de Notícias - publicado em 01/05/20

O especialista da OPAS argumentou que aumentar os testes para isolar portadores assintomáticos é essencial para corrigir a subnotificação de casos e achatar a curva

A América Latina começa a suavizar as medidas diante do novo coronavírus em busca de uma “nova normalidade”, mas a ameaça de que o pior está por chegar se aproxima e os especialistas alertam que baixar a guarda pode ser desastroso.

Dois meses depois de São Paulo registrar o primeiro caso, o balanço para os países da região já ultrapassa os 10.000 mortos e os 200.000 infectados, que no total têm mais de um bilhão de habitantes, embora ainda tenha números distantes dos registrados nos EUA, Itália e Espanha.

O Brasil lidera a lista de mortos, com 5.017 mortos, seguido do México (1.569), Peru (943), Equador (883), República Dominicana (293) e Colômbia (278), segundo números analisados pela AFP na última quarta-feira, às 21H30 GMT, a partir de fontes oficiais.

A resposta rápida dos governos, com fechamentos de fronteiras, quarentenas obrigatórias e até mesmo toques de recolher, permitiu que alguns desses países tivessem mais tempo para ampliar sua capacidade de atenção à saúde, ao transformar centros de convenção em ambientes hospitalares, comprando equipamentos e incluindo hospitais privados na campanha de combate à COVID-19.

Agora, entretanto, tentam encontrar um equilíbrio entre essas medidas de contenção da doença e a reativação econômica. E, após o susto inicial, começam a reagir.

O Uruguai reabriu suas escolas rurais e a Costa Rica seus cinemas e academias.

A Argentina, onde o confinamento foi rígido, anunciou o relaxamento das medidas em cidades com menos de 500.000 habitantes e permite saídas diárias de uma hora.

Até mesmo o Equador, cujas imagens de cadáveres nas ruas de Guayaquil chocaram o mundo, optou por reduzir o nível de alerta para o vírus. Esse país registra mais de 24.000 casos de coronavírus, incluindo 883 mortes, o que proporcionalmente o torna o país latino-americano mais atingido pela COVID-19.

A partir da próxima segunda-feira, passará da fase de “isolamento” para a fase de “distanciamento” por zonas e de acordo com o nível de risco.

No entanto, “medidas relaxantes agora podem ser desastrosas”, ressalta à AFP Marcos Espinal, diretor do departamento de doenças transmissíveis e análise da saúde da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

Os países “não devem baixar a guarda até vermos sinais de que o surto não apenas atingiu seu pico, mas que temos vários dias com um declínio constante de casos”, acrescentou.

A agência compara o cenário atual da região ao da Europa seis semanas atrás e espera que o número de casos aumente.

– O campo, mais vulnerável –

O México “está domando a pandemia”, anunciou o presidente Andrés Manuel López Obrador dias atrás, inicialmente relutante em tomar medidas básicas, como a suspensão de grandes eventos.

Segundo dados do Ministério da Saúde do México, a infraestrutura hospitalar para tratar infecções respiratórias graves ainda não atingiu 30% de ocupação.

O maior problema é a falta de pessoal médico, denunciou Alejandro Svarch, responsável pela coordenação médica nacional do Instituto de Saúde para o Bem-Estar.

“Deveríamos ter 3,4 médicos para cada mil habitantes e existem regiões do nosso país onde infelizmente temos 0,6 médicos”, afirmou.

Ocorre em lugares como Francisco de León, uma pequena comunidade de Ocosingo em Chiapas (sul). Lá, Samuel, um agricultor da etnia zoque, de 54 anos, se enforcou um dia depois de saber que estava infectado.

O resto da família também está infectada, disse o líder comunitário Joel Morales à AFP, que fala sobre a angústia que reina na cidade onde vivem 1.400 pessoas e há apenas um médico e duas enfermeiras.

Soma-se a isso à falta de máscaras, gel antibacteriano e luvas, disse ele.

As áreas rurais também são as mais vulneráveis no Brasil, onde a gestão da pandemia desencadeou um grave conflito entre o presidente Jair Bolsonaro, relutante em decretar medidas de isolamento, e os governadores.

Manaus, capital do estado da Amazônia que concentra a maior população indígena, está chegando ao colapso: mais de 95% de suas unidades de terapia intensiva (UTI) estão ocupadas e é a região com a maior taxa de mortalidade por COVID-19.

Segundo relatos da imprensa, as casas funerárias têm estoques de caixões somente por mais duas semanas.

Segundo dados oficiais, o Rio possui mais de 70% de suas UTIs ocupadas, e sua grande vulnerabilidade reside na dificuldade de seu sistema de saúde atender às favelas (com 1,5 milhão de habitantes), que por causa da densidade há uma dificuldade no distanciamento social.

O Peru, assim como a Bolívia e outros países, já sofre com a dengue, e alcançará o pico de infecções por coronavírus em uma semana, segundo o médico Elmer Huerta, especialista em saúde pública.

O país também poderá em breve perder sua capacidade de receber pacientes em terapia intensiva: 598 de seus 773 leitos de UTI já estão ocupados com pacientes que necessitam de ventilação mecânica, de acordo com o Ministério da Saúde. No início da crise da saúde havia apenas 100 leitos de UTI.

– Mais testes para a COVID-19 –

Uma pesquisa recente da empresa Fine Research feita com 2.253 médicos que estão na linha de frente do combate à COVID-19 na América Latina mostrou que 76% deles acreditam que seus países estão pouco ou não preparados para a pandemia.

Os médicos consultados disseram estar particularmente preocupados com a falta de testes de diagnóstico e equipamentos de proteção para o pessoal de saúde, assim como com a falta de leitos de terapia intensiva, respiradores e, eventualmente de profissionais, caso a pandemia continue no ritmo atual.

O especialista da OPAS argumentou que aumentar os testes para isolar portadores assintomáticos é essencial para corrigir a subnotificação de casos e achatar a curva.

“O Chile liderou o avanço para garantir que os testes estejam disponíveis para todos os seus cidadãos. E isso é muito importante porque nos permitirá ver os casos, procurar as conexões e para que a população tenha acesso e conhecimento”, explicou Espinal.

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