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Padre McGivney será beato: ele morreu de um coronavírus em 1890

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Papa aprova milagre atribuído à intercessão do fundador da Ordem dos Cavaleiros de Colombo, um padre que serviu seu povo durante a pandemia do século XIX

O Papa Francisco aprovou o reconhecimento do milagre atribuído ao fundador dos Cavaleiros de Colombo, o Venerável Servo de Deus Michael McGivney.

Michael McGivney, sacerdote diocesano, nasceu a 12 de agosto de 1852 em Waterbury (EUA) e morreu em Thomaston (EUA) em 14 de agosto de 1890.

Com este decreto, o padre McGivney poderá ser declarado beato. Um milagre adicional atribuído à sua intercessão será necessário para sua canonização como santo.

O padre McGivney passou todo o sacerdócio no ministério paroquiano e morreu de pneumonia em 14 de agosto de 1890 – dois dias após seu aniversário de 38 anos – depois de adoecer em meio a uma pandemia. Evidências científicas recentes indicam que essa pandemia – como a atual – pode ter sido causada por um coronavírus.

McGivney é mais conhecido por ter fundado os Cavaleiros de Colombo em 1882. Quase um século antes do Concílio Vaticano II, ele era um padre que preparava os leigos para servir à Igreja e ao próximo de maneira autêntica.

Hoje, os Cavaleiros de Colombo são uma das maiores organizações católicas do mundo, com 2 milhões de membros na América do Norte e Latina, Caribe, Ásia e Europa.

Milagre pró-vida

O milagre reconhecido pela intercessão do padre McGivney envolveu um bebê ainda não nascido nos Estados Unidos, que em 2015 foi curado no útero de uma condição com risco de morte.

No início deste ano, em um discurso ao Conselho dos Cavaleiros de Colombo, o Papa disse que a organização foi fiel “à visão de seu fundador, o Venerável Michael McGivney, que foi inspirado pelos princípios da caridade e fraternidade cristã para ajudar os mais necessitados”.

Nascido de pais imigrantes irlandeses em 1852 em Waterbury, Connecticut, o padre McGivney foi uma figura central no dramático crescimento da Igreja nos Estados Unidos no final do século XIX.

Ordenado em Baltimore em 1877, serviu uma comunidade de imigrantes e americanos de descendência irlandesa na então diocese de Hartford.

Em um momento de sentimento anticatólico, ele trabalhou incansavelmente para manter seus fiéis próximos da fé, em parte encontrando soluções práticas para seus muitos problemas, tanto espirituais quanto temporais.

Com um grupo dos principais homens católicos de New Haven, ele fundou os Cavaleiros de Colombo em 1882, na Igreja de Santa Maria, para fornecer apoio espiritual a homens católicos e recursos financeiros para famílias necessitadas.

O grupo logo se tornou uma força importante nas áreas de evangelização, caridade, integração racial e defesa da liberdade religiosa.

O padre McGivney morreu aos 38 anos de idade vítima de um vírus que contaminou sistematicamente a população.

Ele ficou conhecido por seus contemporâneos por sua devoção à fé e sua personificação das características do “Bom Samaritano”. Sua causa de santidade foi aberta na Arquidiocese de Hartford em 1997.

São João Paulo II – que era Papa na época – elogiou os princípios do padre McGivney, declarando em 2003: “Em fidelidade à visão do padre McGivney, continuem buscando novas maneiras de ser fermento do Evangelho no mundo e uma força espiritual para a renovação da Igreja em santidade, unidade e verdade.”

Em março de 2008, ele foi declarado Venerável Servo de Deus pelo Papa Bento XVI, que durante sua visita à Catedral de São Patrício citou a “conquista notável daquele exemplar sacerdote americano, o Venerável Michael McGivney, cuja visão e zelo levaram ao estabelecimento dos Cavaleiros de Colombo.”

Três novos santos e cinco abençoados

O Papa também autorizou a Congregação para as Causas dos Santos a promulgar os decretos relativos à causa de três novos santos e cinco beatos, entre os quais alguns mártires.

Os decretos são relativos:

  • ao milagre atribuído à intercessão do Beato Cesare de Bus, sacerdote, fundador da Congregação dos Padres da Doutrina Cristã (Doutrinários); nascido em 3 de fevereiro de 1544 em Cavaillon (França), faleceu em Avignon (França) em 15 de abril de 1607;
  • ao milagre atribuído à intercessão do Beato Charles de Foucauld; sacerdote diocesano, nascido em Estrasburgo (França) em 15 de setembro de 1858 e falecido em Tamanrasset (Argélia) em 1º de dezembro de 1916;
  • ao milagre atribuído à intercessão da Beata Maria Domenica Mantovani, co-fundadora e primeira Superiora Geral do Instituto das Pequenas Irmãs da Sagrada Família; nascida em 12 de novembro de 1862 em Castelletto di Brenzone (Itália), faleceu em 2 de fevereiro de 1934;
  • ao milagre atribuído à intercessão da Venerável Serva de Deus Pauline Maria Jaricot, fundadora das Obras do “Conselho de Propagação da Fé” e do “Rosário Vivo”; nasceu em 22 de julho de 1799 em Lyon (França) e morreu em 9 de janeiro de 1862;
  • ao martírio dos Servos de Deus Simeone Cardon e 5 Companheiros, professos religiosos da Congregação Cisterciense de Casamari; mortos em Casamari, por ódio à fé, entre 13 e 16 de maio de 1799;
  • ao martírio do Servo de Deus Cosme Spessotto (também conhecido como: Sante), professo sacerdote da Ordem dos Frades Menores; nascido em Mansué (Itália) e morto em San Juan Nonualco (El Salvador), por ódio à fé, em 14 de junho de 1980;
  • às virtudes heroicas do Servo de Deus Melchiorre Maria de Marion Brésillac, bispo titular de Prusa, ex-vigário apostólico de Coimbaore, fundador da Sociedade de Missões Africanas; nasceu em 2 de dezembro de 1813 em Castelnaudary (França) e morreu em Freetown (Serra Leoa) em 25 de junho de 1859.
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