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Existe uma esperança nas periferias existenciais?

Meeting Rimini 2014 – pt

© lyonora

Corrado Paolucci - publicado em 13/01/21

Testemunhos de fé e histórias de vida: as palavras do presidente do Meeting de Rimini

Síria, Ucrânia, Nigéria, Palestina e o elenco poderia continuar. Esses lugares remetem a imagens de guerras, perseguições, dramas da humanidade. Percebe-se o ódio e a morte. Nada de positivo, nenhuma esperança, ao menos à primeira vista. Mesmo assim, tem alguém que testemunha um modo verdadeiro de viver, mesmo nestas condições aparentemente invisíveis. Pessoas que trazem nos olhos e no coração uma certeza que não se desfaz. Serão estes rostos os protagonistas da próxima edição do Meeting de Rimini: Um Encontro entre pessoas de fé e culturas diferentes promovido todos os anos desde 1980. Quem conta os detalhes é o diretor da Fundação Meeting para a amizade entre os povos.

O “Meeting” está pronto para a XXXV edição. Como em cada encontro, no centro se encontrarão pessoas, às vezes pouco conhecidas, e grandes histórias de vida. Quais são as mais importante deste ano?

O Meeting 2014 foi repleto destas histórias. Não queremos falar das periferias, mas deixar falar quem vive nestas periferias com uma esperança. Quem encontrou uma intensidade humana também em situações complexas e contraditórias.

A respeito deste tema existirão dois grandes momentos: o primeiro com o Padre Pierbattista Pizzaballa, um encontro que nasce do fascínio de ter visto como a amizade entre os homens, o espaço para o diálogo e uma experiência de abertura são capazes de gerar e de construir algo de bom para o homem. O que vimos durante a viagem do Papa à Terra Santa e aquilo que vimos acontecer no momento da oração nos jardins vaticanos nos fez entender que esta realidade era verdadeiramente um sinal a se observar.

Fechamos com o tema dos cristãos perseguidos com Dom Ignatius Kaigama, arcebispo de Jos e presidente da Conferência Episcopal da Nigéria; Paul Bahtti e alguns testemunhos da Síria. Aquilo que queremos encontrar no último dia do Meeting não é somente a tragédia das perseguições que existem, mas queremos escutar o testemunho de quem está dentro destas violências e é capaz de dizer: “é possível viver também aqui”. Porque o que nos toca nesses meses, cada vez que contatamos estas pessoas, é o que dizem: “claro que tem a violência, mas tem também esperança aqui”. São as vítimas destas tragédias que nos levam a uma abertura diferente à realidade.

O Meeting será repleto de testemunhos que se documentarão com linguagens diversas: quem contará a própria história do renascimento humano no Equador; quem, através da mostra “Gerar Beleza”, contará como nasceu no Quênia uma experiência de escola e de verdadeira educação à humanidade.

Dê-nos um exemplo de periferias “não geográficas”?

A prisão, o drama da doença e de quem trabalha para a cura do doente, a emergência na educação e outras situações dramáticas em que as pessoas se encontram. Periferia é também o lugar onde algo de novo está nascendo: penso na história de amizade entre alguns jovens egípcios muçulmanos e cristãos, e também os ucranianos. O Meeting, não por acaso, será apresentado pelo Prof. Filonenko, que é ucraniano. Todas estas situações são os pequenos sinais de diversidade que gostaríamos que fossem documentadas.

Como foi escolhido o título-citação do Papa Francisco?

A origem é o fascínio que o tema das periferias, deixado pelo Papa Francisco, gerou em nós. Bergoglio está nos convidando a ir com uma consciência renovada, onde talvez nem mesmo nós fomos, mas ir em direção às periferias do mundo e da existência. Portanto, como podemos ser surdos diante deste chamado, nós que nascemos nas periferias, que nas periferias fizemos o início da nossa história?

O Meeting testemunha muitas amizades “impossíveis”, como aquela que nasceu entre o muçulmano Wael Farouq e o judeu Josep Weiler. Qual a origem desta relação?

Aquilo que vemos acontecer são amizades que falam de uma unidade entre pessoas muito distantes entre suas culturas. O nosso amigo judeu prof. Weiler disse que um dos maiores presentes que o Meeting lhe deu foi a amizade com o muçulmano Farouq. É uma coisa absolutamente incrível, imprevista e imprevisível. Nós não a construímos, mas eles se encontraram porque Deus quis que se encontrassem. O que os uniu? A atenção à própria verdade humana, um sentido profundo desta necessidade de significado sobre a qual se reconheceram.

Em outubro acontecerá o Sínodo extraordinário das famílias, o Meeting é frequentado por muitas famílias, o que dirá sobre este tema?

O Papa Francisco sempre repete que o problema da vida é o testemunho e a evangelização que acontece sobretudo pelo testemunho. A exortação apostólica do Papa (Evangelii Gaudium), de fato, parte destas palavras: a alegria do Evangelho, a beleza de poder viver o Evangelho. A força e a alegria que se experimentam na experiência cristã permitem também enfrentar todas as problemáticas ligadas à família.

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