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Arquidiocese e OAB reagem a caso de manifestante nua diante de igreja

Igreja de São Benedito em Teresina, PI

Moacir Ximenes, CC BY-SA 4.0 | Wikimedia Commons

Igreja de São Benedito em Teresina, PI

Francisco Vêneto - publicado em 02/06/21

Aglomerações em oposição às aglomerações envolveram ato que "não configura manifestação democrática", afirmam entidades

A Arquidiocese de Teresina e a Ordem dos Advogados do Brasil no Piauí (OAB-PI) reagiram ao deplorável episódio da manifestante nua diante de uma igreja na capital piauiense durante as aglomerações convocadas por partidos e movimentos de oposição no último sábado, 29 de maio, contra o atual presidente brasileiro, Jair Bolsonaro.

A manifestante nua ficou deitada sobre uma mesa, amarrada, com uma fruta colocada em sua boca e ao lado de um cartaz que dizia: “Estamos no cardápio do governo, mas não seremos engolidos facilmente”.

O assim descrito “protesto” foi encenado em frente à escadaria da igreja de São Benedito, na capital do estado, onde se deu o encerramento das autoexplicativas aglomerações em oposição às aglomerações, no contexto da pandemia de covid-19.

Manifestante nua diante de igreja

Mediante nota, a Arquidiocese de Teresina declarou repudiar “veementemente” o que descreveu como um “ato de desrespeito” que “não configura manifestação democrática” legítima:

“Uma mulher despida, com os pés e mãos amarrados, foi colocada em uma mesa em frente ao Templo Sagrado. Esse ato ocorreu durante uma manifestação, que faz parte do exercício da democracia, mas o desrespeito aos templos religiosos não configura uma manifestação democrática. A Igreja apoia e defende a liberdade de expressão, mas o direito de se expressar não significa dizer que não haja a imposição de limites éticos, morais e legais. A comunidade católica sente-se ofendida e triste com este ato de desrespeito”.

A Comissão de Liberdade Religiosa da Ordem dos Advogados do Brasil no Piauí (OAB-PI) também emitiu nota de repúdio em que resume como “inaceitável” o teor desse tipo de manifestação:

“A exibição de uma mulher nua no adro da Igreja não pode ser vista como normal ou apenas como o exercício de liberdade de expressão, pois o direito de se expressar não indica que não haja imposição de limites éticos, morais e legais, bem como não deve significar a liberdade absoluta para se fazer o que se quiser e afrontar a liberdade de credo e crença, sejam elas de qual natureza for”.

A OAB-PI se declara solidária à Igreja Católica e às mulheres do Piauí, acrescentando:

“[A OAB-PI] sempre será contrária às práticas abomináveis de ódio religioso e de menoscabo ao sexo feminino, enfileirando-se em defesa dos direitos constitucionalmente resguardados”.

O portal local de notícias OitoMeia informou que os organizadores das aglomerações negaram que a “iniciativa” de expor a manifestante nua em frente à igreja tenha partido de algum de seus grupos, que incluíram diversos movimentos sindicais e estudantis de esquerda.

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