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O milagre para a canonização de Charles de Foucauld

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Vanderlei de Lima - publicado em 27/06/21

Só resta marcar a data para a sua inscrição no cânon ou catálogo dos santos

Para que um beato seja canonizado faz-se necessária a ocorrência de um milagre de Deus a autenticar a santidade do candidato aos altares. Ora, o milagre para a canonização de Charles de Foucauld, além de estupendo em si, confirma o seu carisma, conforme veremos neste e no próximo artigo.

Tudo se deu com Charle, um jovem carpinteiro de 21 anos que se intitula um “sem fé”, quando ele trabalhava na restauração dos patrimônios e monumentos históricos da capela do colégio São Luís, em Saumur. No dia 30 de novembro de 2016, véspera do centenário da morte de Charles de Foucauld, encontrava-se, como de costume, em um andaime na abóbada do templo, e, de repente, por volta das 16h30, se desequilibrou e caiu de uma altura de 16 metros. Chocou-se, então, contra um banco de madeira da igreja. O golpe foi tão forte que um enorme pedaço de madeira desse banco atravessou-lhe, completamente, o corpo logo abaixo do coração.

De acordo com o site Religion en Libertad, de 1º/06/2021, que estamos seguindo, “todos os especialistas concordaram que a queda daquela altura contra um banco que o traspassou deveria ter sido, por certo, fatal devido a uma falência dos órgãos internos. No entanto, a cena deixou uma imagem mais impactante ainda, pois Charle se levantou com o enorme pedaço de madeira atravessando completamente o seu corpo. Além disso, caminhou 50 metros até poder encontrar os funcionários da Escola Secundária e lhes pedir ajuda. As testemunhas não podiam acreditar na cena que viam e, chocadas, chamaram a Emergência. Um helicóptero médico chegou à escola, mas foi impossível transportá-lo devido ao enorme pedaço de madeira que traspassava o jovem”. Tiveram de aguardar uma ambulância apropriada para conduzi-lo, numa viagem de 45 minutos, ao hospital. Já era noite, ninguém tinha notícias do rapaz gravemente acidentado. Só restava, então, rezar.

François Asselin, proprietário da empresa de restauração que Charle trabalha, pediu a intercessão do Beato Charles de Foucauld para que – apesar da extrema gravidade do caso – a vida do seu trabalhador fosse poupada sem sequelas. François convidou também para rezar a Fraternidade de Maria Imaculada Rainha e a paróquia da qual participa, em Saumur, que leva o nome do Beato. Todos rezaram com fervor. Eis que, no dia seguinte ao acidente, Festa de Charles de Foucauld, a mãe do jovem acidentado informa a Asselin que “seu filho estava vivo e, de maneira surpreendente, até mesmo para os médicos, a cirurgia para retirar o enorme pedaço de madeira fora um sucesso. Nenhum órgão foi afetado nem pela grande queda nem pelo pedaço de madeira”. Totalmente recuperado de modo milagroso, “dois meses depois, esse jovem se encontrava, de novo em cima do andaime, trabalhando. Nem mesmo seus colegas acreditavam no que viam. Não lhe ficou nenhuma sequela”.

Faltava, no entanto, a palavra da Igreja, que é muito rigorosa (e tem de ser) nestes casos tidos por milagrosos. Os trâmites envolvendo médicos e autoridades eclesiásticas é meticuloso e, por isso, lento. Entretanto, “com a permissão de Charle, o procedimento foi iniciado. O bispo de Tamanrasset, onde Charles de Foucauld morreu, foi contatado. Transmitiu-se a informação ao postulador da causa. O bispo de Angers, monsenhor Delmas, deu início a uma investigação diocesana antes que o processo fosse enviado a Roma em 2019. E, no dia 26 de maio de 2021, o Papa Francisco reconheceu como milagre esse fato extraordinário atribuído à intercessão do Beato Charles de Foucauld. Só resta marcar a data para a sua inscrição no cânon ou catálogo dos santos.

Religion en Libertad assegura ainda que o Pe. Vincent Artarit, pároco de Saumur, além do milagre, nota, de forma clara, também mais um sinal especial: “Quando se conhece a vida de Charles de Foucauld, é surpreendente ver que o milagre a ele atribuído diz respeito a alguém cuja fé não é cristã. Isso faz eco ao seu desejo missionário de ir e evangelizar aqueles que não eram cristãos”. Disso trataremos no próximo capítulo.

Louvemos e agradeçamos a Deus por nos confirmar, de uma só vez e de modo magistral, a santidade de Charles de Foucauld e a importância do seu carisma no mundo de hoje.

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