Aleteia logoAleteia logo
Aleteia
Sexta-feira 17 Setembro |
São Roberto Belarmino
home iconAtualidade
line break icon

Tentam violar a consciência do Policial Militar

POLICIA MILITAR; POLICE; BRASIL

Christyam de Lima / Shutterstock.com

Vanderlei de Lima - publicado em 31/08/21 - atualizado em 31/08/21

Almejar conter o avanço do “bolsonarismo” (ou de qualquer outra corrente) entre os PMs por meio de punições é dar um tiro no próprio pé

Algumas notícias afirmam que os policiais militares de folga não poderão participar do ato público pelo Brasil no próximo dia 7 de setembro.

Esse ato, na data da Independência do país, visa: manifestar apoio à democracia; expressar, dentro da lei e da ordem, o descontentamento de grande parte dos brasileiros para com as intromissões indevidas do STF nos atos do Executivo e do Legislativo e, por oportuno, pedir o fim da omissão de parte dos congressistas ante essas ações invasivas do STF nas funções do Parlamento. Pautas totalmente legítimas, portanto.

Contudo, por que tanta celeuma? – Porque, no mundo alheio à realidade que alguns parecem viver, arquitetou-se um suposto perigo: o ato desses milhões de brasileiros seria “antidemocrático”. Qual o remédio, então, oferecido? – Uma medida totalmente antidemocrática: proibir os policiais de folga de irem ao ato. Daí a questão: não lhe soa contraditório o conceito de democracia que essa gente tem? 

Seguindo, porém, esta modesta reflexão, desejo notar que tal medida autoritária traz consigo a desesperada falta de lógica. Com efeito, almejar conter o avanço do “bolsonarismo” (ou de qualquer outra corrente) entre os PMs por meio de punições é dar um tiro no próprio pé. Via de regra, o brasileiro – por sua natureza cordata – não gosta de normas com viés ditatorial e, por isso mesmo, pega birra de quem as institui. 

Qual será, então, o resultado certo dessa medida autoritária proibitiva? – Ela, longe de desestimular os policiais militares ao “bolsonarismo”, os levará a serem mais “bolsonaristas” ainda. Sim, imaginemos – a título de argumentação apenas – que um político decidisse proibir o “bolsonarismo” entre os PMs do seu Estado e, de fato, conseguisse a façanha. Os ex “bolsonaristas” não necessariamente seriam, por certo, do seu partido ou o apoiariam. De modo mais simples: quem fosse, por alguma razão, proibido de usar a cor verde, não usaria, por conseguinte, a vermelha, mas poderia escolher a branca, a preta, a amarela etc. Mais: quem cerceasse o policial militar, em sua opção política, cometeria uma invasão à consciência inviolável desse PM. PM que o próprio Deus criou, enquanto ser humano, totalmente livre (cf. Eclo 15,14). 

Daí já se vê que Deus nunca obriga; sempre convida. Para ser d’Ele é preciso aceitá-Lo na liberdade: “Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei em sua casa e cearemos, eu com ele e ele comigo” (Ap 3,20). Note a condição para a ceia: abrir livremente a porta. Sem isso, nem Deus entra onde alguns agentes de um Estado autoritário querem, a todo custo – cometendo pecado grave e ato de profunda desumanidade –, penetrar à força. Afinal, o Catecismo da Igreja Católica, ensina que “a consciência é o núcleo secretíssimo e o sacrário do homem, onde ele está sozinho com Deus e onde ressoa sua voz” (n. 1776).

Para concluir, faz-se oportuno lembrar que não é possível atrair ninguém à força. Esta pode até desestimular o ameaçado, mas não arranca da sua consciência as profundas convicções que tem. O líder sábio que deseja atrair seguidores ou mesmo afastar discípulos de outro líder, deve agir como o bom professor. Isso é o que instrui, no campo da Psicologia, o Frei Dr. Albino Aresi, OFMCap., ao escrever: “O educando só aparentemente é dirigível por fora. Pode ser coagido por castigos ou ameaças, pode ser insinuado por prêmios ou promessas, mas ninguém pode penetrar no seu eu soberano, sem que ele queira. A influência direcional só será possível com a apresentação de valores que o estimulam. Se o material apresentado pelo educador for resposta aos desejos conscientes ou inconscientes do educando, o educador terá ganho a partida” (Pode-se educar sem Deus? São Paulo: Everest, 1984, p. 98). Troque-se o termo professor por líder e aluno por policial militar e o resultado será igual. Do contrário, longe de atrair, o autoritário poderá criar divisões e levar ao afastamento até dos que lhe parecem fiéis.

Ainda há tempo de reverter esse quadro sombrio. A consciência é campo do magistério autêntico da Igreja (cf. Gaudium et Spes, 16; Lumen Gentium, 25) e devemos defender, ainda que com sacrifícios, a sua liberdade. “De Deus não se zomba” (Gl 6,7)!

Tags:
PolíticaSociedade

Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • Aleteia é publicada diariamente em sete idiomas: inglês, francês,  italiano, espanhol, português, polonês e esloveno
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

Oração do dia
Festividade do dia





Top 10
1
Pe. Zezinho
Reportagem local
Pe. Zezinho faz alerta sobre orações de cura e libertação
2
Irmã Lúcia, de Fátima, e o Papa São João Paulo II
Francisco Vêneto
O terço “funciona”, garante a Irmã Lúcia, de Fátima: e ela explic...
3
Orfa Astorga
Os erros mais comuns das sogras
4
Papa Francisco pede homilias mais curtas
Francisco Vêneto
Papa Francisco pede aos padres: façam homilias mais curtas
5
porta
Reportagem local
Capelão de hospital: ação dos anjos é fundamental na hora da mort...
6
Ricardo Sanches
Menino de 4 anos brinca de missa, conhece vários santos e surpree...
7
ROSARY
Philip Kosloski
É verdade que meu Anjo da Guarda termina de rezar o Rosário se eu...
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia