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Será que vivemos a verdadeira caridade? Vejamos o que São Bernardo nos ensina

main de dieu cathédrale orléans

© Fred de Noyelle / Godong

La main de Dieu a été peinte sur la clé de voûte située au dessus du choeur dans la cathédrale d'Orléans.

Vitor Roberto Pugliesi Marques - publicado em 06/09/21

Viemos a esse mundo simplesmente para a superficialidade do corpo ou viemos para nos santificar e nos configurarmos a Deus?

Quando se fala em santidade, fala-se do estado de alma de pessoas que exerceram neste mundo as virtudes da fé, esperança e caridade, não de modo parco e insosso, mas sim de modo heroico e admirável. 

Para isso, é necessário um esforço continuado, esforço este que vai nos transformando, nos configurando a Cristo, de modo a terminarmos dizendo as mesmas palavras de São Paulo: “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vice em mim” (Gl 2,20). Nesse texto, gostaria de refletir um pouco sobre como São Bernardo, ilustre monge cisterciense, escrevendo aos religiosos Cartuxos de seu tempo, expressa o modo como os santos exercem a caridade. 

Primeiramente, São Bernardo nos explica que se não estamos diante de uma pessoa santa não veremos a verdadeira caridade. A caridade verdadeira e sincera provém daqueles que têm um “coração puro, uma consciência boa e uma fé sincera” (São Bernardo de Claraval. Tratado sobre o Amor de Deus. São Paulo: Paulus, 2015, p. 79). Vejamos que é um tripé mutuamente dependente. Aqueles que não possuem um dos elementos não consegue expressar a verdadeira caridade. E vemos isso expresso cotidianamente em nosso meio. Quantos não são aqueles que vemos exercer uma filantropia com os pobres, mas, por não a fazerem na fé ao Cristo, não conseguem fazer brilhar uma luz maior em seu ato? Quantos ainda não são os que têm dentro de si a luz da fé, mas só conseguem expressá-la por meio de atos pueris por não terem uma boa consciência? 

Desse modo, o amor a Deus exercido por aqueles que não são santos assume modos nada meritórios. Vai nos dizer São Bernardo: “Há homens que glorificam o Senhor porque Ele é poderoso, há os que o glorificam porque é bom para eles; enfim, veem-se os que o louvam simplesmente porque é bom. Os primeiros são escravos que temem por si; os segundos, mercenários que buscam a própria vantagem; e os últimos são os filhos verdadeiros que não pensam senão em seu Pai” (idem, p. 80). Cabe-nos aqui refletir o modo como estamos exercendo a caridade, sendo que esta, em última análise, deve ser uma expressão de amor genuíno a Deus, pois “aquele que não ama senão o que lhe concerne, mostra bem que não tem um amor puro e que não ama o bem pelo bem, mas por si mesmo” (idem, p. 79). 

É certo que, como nos diz São Bernardo, “às vezes uma alma servil faz a obra de Deus, mas como não age espontaneamente, persevera em sua indiferença” (idem, p. 81). São aqueles casos em que vemos a “utilidade pública” da coisa. É o exemplo da cesta básica distribuída aos pobres nas campanhas políticas; tem serventia para aquele estado agudo de fome, mas sabemos que esse ato provavelmente não vai deixar raiz alguma, pois não foi feito em Cristo e por Cristo. Mas daí cabe a pergunta: viemos a esse mundo simplesmente para a superficialidade do corpo ou viemos para nos santificar e nos configurarmos a Deus? Sabemos pela fé que a segunda assertiva é a correta.  

Tenhamos, então, a disposição de exercer a verdadeira caridade. Esta consiste em equiparar a nossa vontade à vontade de Deus. Nisso não há trivialidades, não há superficialidade, não há interesses egoístas, mas sim uma plenitude sem mácula a nos elevar, de fato, a Deus. 

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