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Escritos espirituais de São Rafael Barón

RAFAEL ARNÁIZ BARÓN

Public Domain

Vanderlei de Lima - publicado em 27/02/22

Se Deus nos desse a faculdade de poder ver nos corações, então veríamos que da alma desse trapista de mísero aspecto exterior brota um glorioso canto de júbilo, cheio de amor e de alegria ao seu Criador

A Editora Professio Fidei, de Jundiaí (SP), depois de ter publicado, em 2020, Deus e minha alma: o último diário de São Rafael, presenteia, agora, o público de língua portuguesa com Escritos espirituais, uma obra reunindo cinco textos do mesmo santo, monge trapista espanhol do século XX.

Eis como José Eduardo Câmara, o tradutor, muito bem sintetiza o conteúdo do novo livro: “O primeiro texto é intitulado ‘Impressões da Trapa’, sendo datado de setembro de 1931, isto é, apenas um ano após sua primeira visita ao Mosteiro de San Isidro de Dueñas, em 23 de setembro de 1930. Nele podemos ver o despertar e o amadurecer de sua vocação monástica” (p. 11-12). Tendo ingressado na Trapa, em 16 de janeiro de 1934, dela teve de sair pela primeira vez, em maio do mesmo ano, devido a problemas de saúde. Desse tempo, são “‘Apologia de um Trapista’ como o ‘Anotações Literárias’. […] Nesses escritos vemos delineada uma das características mais marcantes de sua vida: seu desejo ardente de seguir sua vocação, custe o que custar. É uma ‘apologia’ da sua própria vocação, e, portanto, da vida contemplativa” (p. 12).

Em 11 de julho de 1936, nosso santo volta à Trapa na condição de oblato regular (leigo que não emite os votos monásticos e é dispensado de certas atividades da comunidade) e, então, escreve “Meditações de um trapista”. Nesse livro, “ele reflete e aprofunda sobre a vocação cisterciense-trapista. Aqui, transparece também sua alma de artista. Aqui, vemos o Rafael lírico, cômico, místico” (idem). Em 26 de setembro do mesmo ano, ele foi, no entanto, chamado ao front da Guerra Civil Espanhola (1936-1939), mas, já em 6 de dezembro, retornou à Trapa. Dois dias depois, solenidade da Imaculada Conceição de Maria, começou a redigir “Meu Caderno”. “Aqui, vemos claramente sua profunda vida mística, sua alma contemplativa e enamorada de Cristo. Suas palavras são vertiginosas; sua alma vive de Deus e da Cruz. Percebe-se nitidamente a presença de um de seus grandes mestres: São João da Cruz. São Rafael continuará escrevendo até 6 de fevereiro de 1937” (ibidem).

Nascido em Burgos, na Espanha, em 9 de abril de 1911, de família católica e aristocrática, Rafael ingressou na Trapa de San Isidro de Dueñas, em 15 de janeiro de 1934. Dela saiu e a ela voltou por três vezes. Como o seu estado de saúde não lhe permitia ser um monge propriamente dito, tornou-se oblato regular, mas com a permissão de vestir o hábito completo de trapista. Em 26 de abril de 1938, entregou sua santa alma a Deus. Foi canonizado pelo Papa Bento XVI, no dia 11 de outubro de 2009, em Roma.

À guisa de ilustração do conteúdo da obra, citemos duas passagens. A primeira diz respeito à alegria da vida monástica ante os que a acusam de ser triste e pesada: “Dizem as pessoas que o silêncio no Mosteiro é triste, e é difícil levar a Regra… Não há coisa mais equivocada que essa opinião… O silêncio na Trapa é a mais alegre algazarra que os homens possam suspeitar… Ai! Se Deus nos desse a faculdade de poder ver nos corações, então veríamos que da alma desse trapista de mísero aspecto exterior e que vive em silêncio, brota em abundância e constantemente, um glorioso canto de júbilo, cheio de amor e de alegria ao seu Criador, ao seu Deus, ao Pai amoroso que dele cuida e o consola… O silêncio do Mosteiro não é triste, ao contrário; se pode dizer que não há coisa mais alegre que o silêncio de um trapista” (p. 34).

A segunda lembra que a cela do monge é um céu na terra: “Fiz meu céu na terra, na cela. Eu não vivo sozinho. Minha cela está cheia de gente, há risos, há canto, há barulho de anjos que se enredam entre os papéis. Eu não vivo sozinho. Na minha cela de enfermo, vive Cristo, está Maria… Na minha cela, há de tudo; há silêncio, há paz, há alegria. Há um monge que sonha com o céu, com um céu sem tristezas nem prantos; com um céu, não como aquele que tem, que é céu da terra… céu entre paredes. Meu céu é minha cela; nela há silêncio, há paz e alegria. Vivo com os santos; Cristo me acompanha; sonho com Maria” (p. 196).

Só nos resta, pois, parabenizar a Editora Professio Fidei por esta oportuna obra com prefácio do conhecido Pe. Paulo Ricardo, da Arquidiocese de Cuiabá (MT).

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