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O aborto, os homens públicos e a Igreja

BAMBINO, UTERO, FETO

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Vanderlei de Lima - publicado em 10/04/22 - atualizado em 10/04/22

Os parlamentares, chefes de Estados ou candidatos a uma vaga no Legislativo ou Executivo, que se declaram católicos, devem, neste ponto inegociável, acatar a defesa incondicional da vida, nunca a da morte, pois esta é diabólica

O aborto é um assassinato cruel e covarde no ventre materno, pois o bebê não tem chance alguma de se defender dos instrumentos mortais do seu torturador e assassino. 

Por isso, é pecado grave a atentar contra o 5º mandamento da Lei de Deus a prescrever o “Não matarás” (Ex 20,13) e, dada a sua imensa maldade, clama aos céus por vingança (cf. Gn 4,10). Portanto, os parlamentares, chefes de Estados ou candidatos a uma vaga no Legislativo ou Executivo, que se declaram católicos, devem, neste ponto inegociável, acatar a defesa incondicional da vida, nunca a da morte, pois esta é diabólica (cf. Jo 10,10). Conscientes disso, vários homens públicos se mostram, graças a Deus – como veremos –, coerentes com a sua fé católica livre e convictamente professada.

Em 30 de março de 1990, o rei Balduíno, da Bélgica, alegou, com vigor, ante o Parlamento, objeção de consciência para não ser cúmplice da matança de inocentes no ventre de suas mamães. Para não assinar a lei do aborto, deixou o trono real por três dias, pois afirmava que, na condição de católico, preferia – com total razão e coerência – obedecer à lei divina, não a humana (cf. Pergunte e Responderemos n. 338, julho de 1990, p. 328-329. Sobre a objeção de consciência: Vanderlei de Lima. Obedecer antes a Deus que aos homens. Cultor de Livros, 2021).

No início de setembro de 2002, Abel Pacheco, médico e, à época, presidente da Costa Rica, foi instado pela secretária da Comissão de Direitos Humanos da ONU, a assinar uma lei permitindo o aborto em seu país. Pacheco se recusou a assinar tal lei e ainda declarou: “Eu disse que a Costa Rica, por sua própria Constituição, é um país católico. Sou católico e, como médico, jurei defender a vida acima de tudo” (Pergunte e Responderemos n. 486, dezembro de 2002, p. 491).

Dando um salto para os nossos dias, duas declarações vêm ao caso. A primeira é a de George Vella, médico e presidente de Malta, ao afirmar: “Jamais assinarei um projeto de lei que envolva a autorização de assassinato. Não posso impedir o executivo de decidir, pois isso depende do parlamento. Mas eu tenho a liberdade de renunciar caso não concorde com um projeto de lei, e não teria nenhum problema em fazer isso” (F. Vêneto. Presidente de Malta contra o aborto: “Jamais assinarei e prefiro renunciar”. Aleteia, 21/05/2021, online). A segunda fala é de Jair Bolsonaro, presidente do Brasil, ao comentar a aprovação do aborto na Colômbia: “Que Deus olhe pelas vidas inocentes das crianças colombianas, agora sujeitas a serem ceifadas com anuência do Estado no ventre de suas mães até o 6° mês de gestação, sem a menor chance de defesa”. E reiterou: “No que depender de mim, lutarei até o fim para proteger a vida de nossas crianças!” (Bolsonaro critica descriminalização do aborto na Colômbia, Poder 360, 22/02/2022, online).

Já o ex-presidente Lula preferiu a contramão desses líderes todos e, num malabarismo verbal incoerente, disse: “Eu, Lula, pai de cinco filhos, sou contra aborto e sempre fui. Agora, eu, chefe de Estado, preciso tratar o assunto como saúde pública. Pessoalmente é meu pensamento, mas como vou tratar isso como chefe de Estado? Muita gente é contra aborto, mas corre para outros países para fazer escondido. Enquanto isso, mulheres morrem na rua. Cabe ao Estado dar a essas pessoas capacidade de tratamento digno. Esse é o papel do Estado”. Para Lula, a objeção de consciência estaria descartada.

Em resposta, Dom Odilo Scherer, cardeal arcebispo de São Paulo, considerou o comentário de Lula uma “declaração infeliz” e recordou que o aborto, independentemente de quaisquer dogmas e com base apenas na ciência e na moral natural fundamental, é pura e simplesmente um assassinato que pode e deve ser evitado: “O aborto, praticado individualmente ou promovido pelo Estado, acaba sempre provocando a supressão de vidas humanas” (Arcebispo de São Paulo lamenta apoio de Lula ao aborto, Aleteia, 28/03/22, online).

Eis a grande batalha entre a cultura da vida e a da morte. Ao fiel católico cabe sempre, sem qualquer “mas”, “senão” etc., escolher a vida (cf. Dt 30,19; Jo 10,10).

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AbortoPecadoPolítica
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