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A virgem e mãe profetizada em Isaías 7,14

MARY

Pascal Deloche | Godong

Vanderlei de Lima - publicado em 05/06/22

Quem é a virgem mãe do Emanuel? – É a chamada, em hebraico, de almah

Para bem entender a profecia de Isaías sobre a mulher, que, permanecendo virgem, será mãe, como sinal divino ao rei Acaz e, por conseguinte, à toda humanidade, faz-se oportuno investigar o contexto no qual essa profecia se deu. Isso é o que faremos aqui.

Em 930 a.C., ocorreu a divisão de Israel. Dessa separação nasceram os reinos do Norte (Samaria) e do Sul (Judá). Este descendia de Davi e daria – como, de fato, deu – ao mundo o Messias esperado. Pois bem, por volta de 735 a.C., Acaz (736-716), filho de Joatão e descendente de Davi, era o rei de Judá; já na Samaria, reinava Faceia (737-732). Ora, este se aliou a Rasin, rei da Síria, para derrotar a poderosa Assíria. Faltava, porém, Judá entrar nessa aliança, mas Acaz, seu rei, recusou a proposta. Com isso, Faceia e Rasin tiveram-no por inimigo, declararam-lhe guerra a fim de vencê-lo e depô-lo do trono. Em seu lugar, colocariam um monarca que não era descendente de Davi e, assim, abririam caminho para uma aliança com o Egito, nação também contrária aos assírios e babilônios. 

O desfecho histórico de tudo isso foi a invasão de Judá pelo exército da Samaria e a fuga do abalado rei Acaz (cf. Is 7,2) para Jerusalém. Só lhe restava aliar-se a Teglat-Falasar III (745-727), rei da Assíria, que, por certo, o ajudaria a derrotar seus rivais, mas impunha-se aí uma questão inegociável de fé: a aliança com povos estrangeiros era proibida a Judá, o povo eleito, devido ao risco de contaminação da fé messiânica dos israelitas (cf. 2Rs 16,7-10; 2Cr 28,16-20). Eis que entra, então, em cena um enviado de Deus: o profeta Isaías. Ele vem para estimular o rei de Judá a confiar na Divina Providência; caso insistisse em desconfiar, seu reinado ruiria (cf. Is 7,4-9).

Como o assunto era muito sério, o profeta aconselhou Acaz a pedir a Deus um sinal (cf. Is 7,11). O monarca, que já havia caído, certa vez, na idolatria, saiu pela tangente com a desculpa esfarrapada de não querer tentar a Deus pedindo milagres (cf. Is 7,12). Isaías, então, em nome de Javé, propõe o sinal ao afirmar: “o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Emanuel” (Is 7,14). Isso posto, vem uma questão importante a ser respondida: quem é o Emanuel (Deus-conosco)?

Respondemos que ele não é o rei Ezequias, filho de Acaz, mas, sim – conforme o próprio Isaías (9,5-6) –, um Menino-Messias da descendência de Davi com qualidades divinas. Sim, “um menino nos nasceu, um filho nos foi dado; a soberania repousa sobre seus ombros, e ele se chama: ‘Conselheiro admirável, Deus forte, Pai eterno, Príncipe da paz’. Seu império será grande e a paz sem fim sobre o trono de Davi e em seu reino. Ele o firmará e o manterá pelo direito e pela justiça, desde agora e para sempre”. Aí, “o título Deus-Forte (El Gibbon) está reservado ao Senhor Javé em Is 20,21; Dt 10,17; Jr 32,18; Ne 9,32” (Dom Estêvão Bettencourt, OSB. Curso de Mariologia. Rio de Janeiro: Mater Ecclesiae, 1997, p. 6).

Afirmado isso, temos outra importante questão neste artigo: quem é a virgem mãe do Emanuel? – É a chamada, em hebraico, de almah. Ela não é a esposa de Acaz e mãe de Ezequias, dado que, conforme Dom Estêvão, “jamais na Bíblia a palavra almah designa uma mulher casada ou jovem que tenha perdido a virgindade” (Idem). Para confirmar sua afirmação, ele cita Gn 24,43-44; Ex 2,8; Sl 68,26; Ct 1,3; 6,8; Pr 30,18-19. 

Aqui, dois pontos importantes vêm ao caso: 1) o termo hebraico para designar virgem é betulah. O profeta, no entanto, escolheu almah (jovem) para deixar claro que a mãe do Messias não é uma virgem qualquer, mas, sim, uma virgem jovem. 2) os próprios judeus, nos séculos III e II a.C., ao traduzirem Isaías do hebraico para o grego, colocaram virgem (parthénos) no lugar de jovem (almah). Daí a passagem de Mateus 1,23. 

Eis porque a Tradição (cf. nota o de Isaías 7,14 na Tradução Ecumênica da Bíblia. 2ª ed. São Paulo: Loyola, 2015) e o Magistério da Igreja veem no sinal (ou milagre) da virgem que dá à luz e permanece virgem – do contrário não seria sinal algum – ninguém menos do que Maria Santíssima (cf. Lumen Gentium 55).

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