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Direto do Vaticano: Morte do Cardeal Cláudio Hummes, quem inspirou o nome do Papa Francisco

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kardynał Claudio Hummes

AGF s.r.l. / Rex Features/EAST NEWS

Dom Cláudio Hummes faleceu em 4 de julho de 2022 aos 87 anos

I.Media para Aleteia - publicado em 05/07/22

Boletim Direto do Vaticano, 5 de julho

  • Morte do Cardeal Cláudio Hummes, o homem que inspirou o nome do Papa Francisco
  • Francisco quer ir a Moscou e Kiev após o seu regresso do Canadá
  • Desastre de Marmolada: Papa apela a um maior respeito “pelas pessoas e pela natureza”

Morte do Cardeal Cláudio Hummes, o homem que inspirou o nome do Papa Francisco

Por Cyprien Viet – O Cardeal Cláudio Hummes, Arcebispo Emérito de São Paulo, morreu aos 87 anos de idade, disse o seu sucessor, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, numa declaração a 4 de Julho de 2022. Amigo do Papa Francisco, o cardeal brasileiro também tinha trabalhado com Bento XVI como prefeito da Congregação para o Clero de 2006 a 2010. Foi também o relator geral para o Sínodo sobre a Amazónia em 2019. Foi ele que disse ao Papa Francisco no dia da sua eleição: “Não se esqueça dos pobres”, um conselho que levou o pontífice argentino a escolher o nome do santo de Assis.

Nascido a 8 de Agosto de 1934 em Montenegro, na arquidiocese de Porto Alegre, de uma família de origem alemã, Cláudio Hummes juntou-se à congregação franciscana em 1952. Fez os seus votos em 1956 e foi ordenado sacerdote em 1958. Durante os seus anos de formação, passados em Roma no meio dos preparativos e do início do Concílio Vaticano II, escreveu uma tese de filosofia na Universidade Antonianum sobre o intelectual francês Maurice Blondel (1861-1949), um modernizador da filosofia cristã.

Bom conhecedor da língua e cultura francesa, Cláudio Hummes especializou-se alguns anos mais tarde em investigação ecuménica, estudando no Instituto Ecuménico da Bossey, perto de Genebra, Suíça.

Depois de ensinar filosofia em várias instituições, incluindo a Pontifícia Universidade Católica de Porto Alegre, tornou-se provincial dos Franciscanos do Rio Grande do Sul e presidente do Conselho Franciscano da América Latina aos 38 anos de idade, em 1972. Tinha apenas 40 anos quando Paulo VI o nomeou, em 1975, Bispo Coadjutor de Santo André, uma cidade industrial na periferia de São Paulo, onde as indústrias metalúrgica e automóvel, nomeadamente a Volkswagen, empregavam até 250.000 trabalhadores.

Firmeza face à ditadura brasileira

Depois de se tornar bispo pleno no final do ano, foi confrontado com numerosos conflitos sociais durante os seus 20 anos como bispo, abrindo as suas igrejas a grevistas a fim de dissuadir a repressão armada. Esta atitude valeu-lhe ameaças por parte das autoridades. “O Brasil, nessa altura, foi apanhado pelo estrangulamento da ditadura militar e qualquer indício de uma mobilização em defesa dos direitos dos trabalhadores era considerado subversivo e reprimido com violência”, explicou ele três décadas mais tarde numa entrevista à 30 Giorni.

Nessa altura, tornou-se amigo do líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva, que foi eleito presidente em 2002. “Conheci-o nesses anos e trabalhámos juntos porque a diocese de Santo André tomou imediatamente o partido deste novo sindicalismo não violento, cujas exigências nos pareceram corretas. Também me atiraram pedras”, disse o Cardeal Hummes.

Papabile em 2005, então colaborador de Bento XVI

Apreciado por João Paulo II pela sua preocupação com os pobres, mas também pela sua lealdade a Roma e pela sua distância dos excessos da teologia da libertação, D. Cláudio Hummes foi promovido Arcebispo de Fortaleza em 1996, depois de São Paulo em 1998. Tornou-se cardeal em 2001, durante o mesmo consistório do arcebispo Jorge Mario Bergoglio de Buenos Aires, o futuro Papa Francisco.

Em 2002, João Paulo II convidou o Cardeal Hummes a pregar o retiro quaresmal da Cúria, um importante sinal de confiança por parte do Papa polaco, que tinha notado notavelmente a eficiência e lealdade do arcebispo brasileiro durante o Encontro Mundial das Famílias organizado no Rio de Janeiro em 1997.

Ele iria tornar-se um “papabile” durante o conclave de 2005, que assistiu à eleição de Bento XVI para a Sé de Pedro. O Papa alemão chamou-o um ano mais tarde para chefiar a Congregação para o Clero, cargo que ocupou até 2010. Foi o organizador do Ano Sacerdotal em 2009-2010, que terminou com a proclamação do Cura d’Ars, São Jean-Marie Vianney, como o santo padroeiro de todos os padres do mundo.

Um companheiro de viagem do Papa Francisco

Em Março de 2013, participou no conclave que levou à eleição do seu amigo argentino, o Cardeal Jorge Mario Bergoglio. Embora não fizesse parte do protocolo, o papa pediu-lhe que fosse com ele ao balcão da Basílica de São Pedro para a sua primeira bênção à multidão. O Papa argentino confidenciou alguns dias mais tarde que o Cardeal Hummes o tinha inspirado a intitular-se Francisco, sussurrando-lhe na Capela Sistina: “Não se esqueça dos pobres”.

Embora estivesse nos seus oitenta anos, o Cardeal Hummes foi muito ativo na ligação do primeiro papa latino-americano da história com o seu continente natal. Delegado para a Amazónia na Conferência Episcopal Brasileira, seria encarregado, aos 85 anos de idade, do papel de relator geral para o Sínodo sobre a Amazónia organizado em Outubro de 2019 no Vaticano, e para o qual é considerado a inspiração.

Depois de ter sido presidente da Rede Eclesial Panamenha (Repam) de 2014 a 2020, foi de 2020 a 2022 presidente de um novo organismo, a Conferência Eclesial da Amazónia (CEAMA), que é fruto do Sínodo. Renunciou em Março passado por razões de saúde.

O Papa Francisco perde um valioso aliado, que o tinha ajudado a estruturar o seu pontificado e a sua reflexão sobre a sinodalidade. Numa entrevista de 2019 à La Civiltà Cattolica, o Cardeal Hummes elogiou os esforços do Papa Francisco, explicando que “desde o início do seu pontificado tem exortado e encorajado a Igreja a levantar-se e a não permanecer estática e demasiado confiante na sua teologia, na sua visão das coisas, numa atitude defensiva. O passado não está petrificado, deve fazer sempre parte da história, de uma tradição que vai para o futuro”, insistiu o Cardeal Hummes.

Após a sua morte, o Colégio dos Cardeais conta agora com 207 membros, incluindo 116 cardeais eleitores e 91 não eleitores. O Brasil está a perder um cardeal de grande estatura internacional, mas dois novos brasileiros entrarão no Colégio a 27 de Agosto, entre os 20 novos cardeais cuja lista marca uma clara mudança na composição do Colégio em direção ao hemisfério sul.


Francisco quer ir a Moscou e Kiev após o seu regresso do Canadá

Por Hugues Lefèvre – O Papa Francisco disse que iria a Moscou e Kiev após a sua viagem ao Canadá no final de Julho, num artigo publicado pela Reuters na segunda-feira, 4 de Julho. Enquanto as relações entre a Santa Sé e a Rússia parecem estar tensas, o Papa Francisco assegura que o diálogo permanece “muito aberto” e “muito cordial”.

O Papa não mudou de ideias e ainda quer visitar Moscou. Mais de quatro meses após a invasão da Ucrânia pelas tropas russas, voltou a expressar o seu desejo de ir à Rússia “para tentar ajudar em alguma coisa”, disse ao perito da agência noticiosa britânica Philip Pullella, no dia 2 de Julho. O jornalista, que entrevistou o pontífice durante quase 90 minutos na residência de St Martha, disse que a viagem poderia ter lugar em Setembro.

Os desejos do Papa

No início de Maio, Francisco explicou na imprensa italiana que tinha perguntado a Vladimir Putin se podia ir à Rússia, três semanas após o início da ofensiva. Na altura, disse que não tinha recebido resposta do presidente russo e tinha manifestado o seu receio de que “Putin não pode e não fará esta reunião neste momento”.

Nesta nova entrevista concedida à Reuters, o Papa esclareceu que desejava “ir primeiro a Moscou” antes de ir a Kiev. “Trocámos mensagens sobre isto, porque pensei que se o presidente da Rússia me desse uma pequena janela, eu iria lá para servir a causa da paz”, acrescenta o Papa, que já recebeu o presidente russo três vezes no Vaticano – a última foi em Julho de 2019.

“E agora é possível que quando regressar do Canadá, possa ir para a Ucrânia, é possível…”, insiste Francisco. Ele assinala novamente que “a primeira coisa é ir para a Rússia”. Ele disse que a primeira coisa que queria fazer era ir à Rússia. O Secretário de Estado da Santa Sé, Cardeal Pietro Parolin, tem estado em contato com o Ministro dos Negócios Estrangeiros russo Sergei Lavrov sobre tal visita, que seria uma estreia para um papa.

A porta está aberta

O chefe da Igreja Católica assegura que o diálogo com a Rússia permaneceu “muito aberto, muito cordial, muito diplomático e no sentido positivo do termo”. E para assegurar: “De momento, tudo está bem, a porta está aberta”. Estas palavras do chefe da Igreja Católica contrastam com uma certa dureza que apareceu ao longo das semanas na posição da Santa Sé em relação à Rússia. Nos primeiros dias do conflito, Roma tinha multiplicado os seus apelos à paz sem apontar o dedo da responsabilidade à Rússia. Mas vários gestos e declarações mudaram esta posição.

Na semana passada, por exemplo, o Cardeal Kurt Koch denunciou a “brutal guerra de agressão” de Putin e criticou fortemente a atitude do Patriarca Kiril desde 24 de Fevereiro. O chefe do Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos também considerou que um encontro entre o Patriarca de Moscou e o Papa Francisco permaneceria sujeito a “graves mal-entendidos” enquanto o conflito continuasse.

O Papa Francisco tinha criticado publicamente a atitude do chefe da Igreja russa no início de Maio, explicando que ele não podia tornar-se “o acólito de Putin”. Uma reunião entre os dois homens agendada para Junho em Jerusalém foi cancelada. Mas a possibilidade da sua reunião no Congresso de Líderes de Religiões Mundiais e Tradicionais no Cazaquistão a 14-15 de Setembro ainda está sobre a mesa.


Desastre de Marmolada: Papa apela a um maior respeito “pelas pessoas e pela natureza”

Por Camille Dalmas – Numa mensagem publicada no Twitter na segunda-feira 4 de Julho, o Papa Francisco reagiu ao colapso do maciço Marmolada, apelando à oração pelas vítimas e suas famílias. “As tragédias que estamos a viver com as alterações climáticas devem incitar-nos a procurar urgentemente novas formas que respeitem as pessoas e a natureza”, disse ele.

A breve mensagem do pontífice faz eco à carta de condolências enviada às famílias das vítimas pelos bispos de Trento e Belluno, Arcebispo Lauro Tisi e Monsenhor Renato Marangoni, que lamentam o fato de a geleira ter “despedaçado a vida de muita, muita gente”. A catástrofe ocorreu a 3 de Julho na Marmolada, um pico nos Dolomitas (Alpes italianos) na fronteira entre o Alto Adige e o Veneto, passando pelas dioceses dos dois prelados.

As temperaturas excessivamente elevadas registadas no topo do maciço (10°C a uma altura de 3.343 metros) terão sido a causa do desprendimento de várias toneladas de gelo e rochas que despencaram num vale onde passa uma popular trilha de caminhadas, matando pelo menos seis pessoas e ferindo oito. O acidente, que foi muito impressionante, foi filmado a partir de um refúgio em frente à Marmolada.

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