Aleteia logoAleteia logoAleteia
Segunda-feira 08 Agosto |
São Sisto II
Aleteia logo
Espiritualidade
separateurCreated with Sketch.

“Guardei a fé: um monge face à doença de Charcot”

Enfermeira com crucifixo

Florin Deperin | Shutterstock

Vanderlei de Lima - publicado em 24/07/22

A graça veio, no entanto, em vista de um grande bem espiritual: “Depois, dei-me conta que o milagre havia acontecido"

A obra de título acima, publicada pelas Edições Subiaco das monjas beneditinas de Juiz de Fora (MG), traz, em primeira pessoa, a vida de Dom Irineu Rezende Guimarães, OSB. Ele foi, em 2008, aos 51 anos, diagnosticado com ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica) ou Doença de Charcot, que é altamente degenerativa e incurável.

Bruna Witcoski, na Apresentação da obra, diz: “Este livro, que atesta a vivência da fé como Presença, nasceu de conversações e meditações partilhadas por dom Irineu e por Roch-Étienne, enfermeiro em um hospital parisiense, cuidador e amigo de dom Irineu. Tais conversações logo tomaram forma, e no papel se gravou o testemunho daquele que percorria o caminho da ‘fé viva’, daquele que voltava à morada interior, à casa do Pai em seu coração sofredor, daquele que vivia essa fé em todas as fibras de seu corpo e em todas as aspirações de sua alma” (p. 11).

Já Dom Joël Chauvelot, OSB, abade de Notre-Dame de Tournay, testemunha a serenidade do monge face à grave enfermidade: “Pela razão mesma de sua fé cristã e da dimensão apostólica de sua vida, procurou dar testemunho junto aos outros – o grupo de pessoas ao seu redor e seus amigos – da presença de Deus no coração mesmo da provação que ele vivia. Ao longo dos dez meses em que esteve hospitalizado, entre janeiro e outubro de 2015, todos os cuidadores que dele se aproximaram foram testemunhas da paz interior que demonstrou até o fim. Quantas pessoas ele continuou a acompanhar com seus conselhos, a encorajar com sua própria coragem, quando ele não podia nada mais fazer por si mesmo, senão rezar e viver um perfeito abandono!” (p. 15-16).

A aceitação da enfermidade não foi, todavia, tranquila. Afinal, um homem que, em pouco tempo, vai de importante escritor a tetraplégico, pede, a exemplo de Cristo (cf. Mt 26,39) e de Paulo (cf. 2Cor 12,7-10), que Deus lhe afaste a terrível provação. É ele mesmo quem confessa: “Por longos anos, pedi a Deus e a numerosos santos que me beneficiassem com um milagre. Eu desejava ardentemente ficar livre dessa doença que me torturava. Tantos sentimentos bem humanos – desencorajamento, negociação, inveja, recusa – matizaram meu caminho. Estando a alguns quilômetros de Lourdes, supliquei durante meses à Virgem Maria obter-me a cura completa de minha doença. Mas nada aconteceu. Minha saúde não cessou seu processo de degradação” (p. 113).

A graça veio, no entanto, em vista de um grande bem espiritual: “Depois, dei-me conta que o milagre havia acontecido. Deus tinha operado em mim uma conversão. Eu aderi pouco a pouco à sua vontade sobre mim. Era colérico, impaciente, profundamente insuportável para muita gente. Sem o querer verdadeiramente, fui me descobrindo menos exigente com os outros, mesmo que o seja ainda por momentos. Irritava-me menos quando as pessoas estavam atrasadas… Eu humanizava esta doença. Em lugar de me afastar de Deus e dos homens, ela me aproximava deles” (idem).

E chega ao auge da mística, ou seja, à íntima união com Deus: “Eu estou como que crucificado. Não posso mexer nem meus pés, nem minhas pernas, nem meus braços. Meu pescoço não carrega mais minha cabeça. Preciso de uma prótese para mantê-la reta. Apesar da máquina que supre os movimentos de meu diafragma enfraquecido, sinto incessantemente uma sensação de asfixia. Pertencer a Cristo é uma graça imensa. O Apóstolo Paulo encoraja-me: Agora eu me regozijo nos meus sofrimentos por vós, e completo na minha carne, o que falta das tribulações de Cristo pelo seu Corpo que é a Igreja” (p. 117; cf. Cl 1,24).

Dom Irineu se ofereceu como vítima expiatória pela paz no mundo: “É para paz no mundo que ofereço meu sofrimento dia após dia. É isto que me dá o desejo de continuar a viver quanto o Senhor quiser” (p. 141; cf. p. 16 e 149).

Possa a sua vida – aqui apresentada em brevíssimos pontos – servir de exemplo a cada um de nós. Afinal, os antigos gregos já diziam que o sofrimento é escola!

Mais informações em https://www.livrarialoyola.com.br/produto/guardei-a-fe-um-monge-face-a-doenca-de-charcot-652511

Tags:
DoençaEspiritualidadeSofrimento
Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • Aleteia é publicada diariamente em sete idiomas: inglês, francês,  italiano, espanhol, português, polonês e esloveno
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

PT300x250.gif
Oração do dia
Festividade do dia





Envie suas intenções de oração à nossa rede de mosteiros


Top 10
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia