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Espiritualidade
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Chamados pelo Senhor: uma maneira de viver

Jezus Chrystus przełamuje chleb

Fr. Lawrence OP | Flickr | CC BY-NC-ND 2.0

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Don Emanuele Bargellini - publicado em 21/05/23

Precisamos aprender novamente a pensar e a pensar criticamente sobre os acontecimentos e sobre as tantas opiniões divulgadas todos os dias no supermercado das propostas de vida

Hoje começo….” respondeu um antigo padre do deserto a quem lhe perguntava qual fosse seu empenho depois de quarenta anos de vida monástica na solidão. Diante da surpresa, lhe pergunta o seu interlocutor: Não se enjoa de repetir sempre essa frase? Se alcançou o objetivo da vida espiritual por que repeti-la? E se não o alcançou e seus esforços foram sem fruto por que continua repetindo-a?Hoje começo”, repetia ele com simplicidade…

Nós estamos vivendo um tempo de profundas transformações culturais, sociais, econômicas, políticas, religiosas. Uma sociedade “sem lugar” e “sem rumo”, que tem com orgulho como critério a cultura e a “identidade liquida”, fluida, leve (Zygmunt Bauman, Modernidade liquida). Muitas pessoas tem perdido o sentido do próprio caminho e a orientação da própria existência.

Precisamos aprender novamente a pensar e a pensar criticamente sobre os acontecimentos e sobre as tantas opiniões divulgadas todos os dias no supermercado das propostas de vida. Como o antigo monge do deserto precisamos re-ativar nossa atenção critica, nossas iniciativas para uma vida plena, a vontade de re-iniciar a construir a partir do nosso centro interior.      

Como?

O Concilio Vaticano II nos indicou e abriu um novo horizonte: redescobrir em Cristo, homem novo, a capacidade de ler e julgar a realidade com os olhos de Deus e de vivê-la com seu coração. A Conferência da Aparecida de 2007 indicou o mesmo caminho para o Brasil e a América Latina: tornar- se discípulos missionários em maneira nova. 

É a vocação e a missão do “profeta”, chamado e enviado por Deus para um olhar mais profundo, que vai além das superfícies, uma consciência crítica das situações, uma voz livre e que se incomoda com as convenções sociais e religiosas, inconformada e destinada a enfrentar oposições e riscos, uma voz capaz de indicar, voltando às raízes, novos rumos ao caminho. 

Ao delinear a identidade e a missão do povo de Deus e de cada um dos seus membros no projeto de Deus sobre a família humana, o Concilio afirma que este povo participa, por graça e vocação, das funções “sacerdotal, profética e real de Cristo”:

  • Participação ao sacerdócio de Cristo: O supremo e eterno sacerdote Jesus Cristo quer continuar seu testemunho e seu serviço também através dos leigos. Vivifica-os por isso com seu Espírito e incessantemente os impele para toda obra boa e perfeita (LG 34).
  • Participação à função profética de Cristo: Cristo, o grande profeta que proclamou o reino do Pai continua a exercer sua função profética até a plena manifestação da glória. Ele o faz não só através da hierarquia, que ensina em seu nome e com seu poder, mas também através dos leigos. Por esta razão constituiu-os testemunhas e cumulou-os com o senso da fé e a graça da palavra (cf At 2,17-18), para que brilhe a força do evangelho na vida cotidiana, familiar e social (LG 35).
  • Participação à função de reger e ordenar as coisas segundo o projeto de Deus: Cristo, feito obediente até a morte e por isso exaltado pelo Pai (cf Fil 2,8-9), entrou na gloria do seu reino A ele todas as coisas estão sujeitas, até que submeta todas as criaturas ao Pai, para que Deus seja tudo em todos (cf I Cor 15,27-28). Também através dos leigos o Senhor quer dilatar seu reino, ‘reino de verdade e de vida, reino de santidade e graça, reino de justiça, amor e paz’. Por isso os fieis devem reconhecer a natureza íntima de toda criatura, seu valor e sua ordenação ao louvor de Deus (LG 36).

A experiência emblemática de vocação e missão profética de Isaias 

Para entender a nossa missão e vocação como cristãos, é de grande ajuda a meditação da vocação e missão do profeta Isaias. Sua experiência pessoal é um exemplo típico de como o Senhor entra, por sua própria iniciativa, e de repente, na vida das pessoas que escolhe, as chama para si, e entrega a elas uma missão em seu nome, para atuar na situação do seu tempo e, como é típico de Deus, ter ressonância em todos os tempos. 

Antes, porém, é importante conhecer alguns elementos essenciais da estrutura do livro de Isaías, e do contexto histórico no qual se formaram suas partes, pois o Senhor se revela atuando na história concreta dos povos e das pessoas e sua revelação assume sempre a carne daquelas situações. É preciso tê-las presente para respeitar a ação de Deus e o caminho que nos entrega com a sua palavra.

O livro de Isaias, que passa sob o nome de um único autor, na realidade pertence a três autores diferentes – como nos ensinam os exegetas – que viveram e desenvolveram a própria missão no meio do povo de Israel entre os séculos VIII e V a.C. São autores distintos, mas profundamente em sintonia entre si em relação à mensagem e à espiritualidade. 

O primeiro Isaias é o profeta que dá o nome e a orientação espiritual a todo o livro. De suaautoria com certeza são os capítulos 1-39. Ele nasce por volta de 765 a.C., recebe o chamado aos 25 anos de idade por volta do ano 740 a.C. e atua por 40 anos até o ano 700 a.C. Uma tradição judaica afirma que ele teria sido martirizado. É um período no qual o reino de Judá (capital Jerusalém) está vivendo uma fase de bem estar econômico, mas com forte injustiça social, religiosidade superficial, e nas relações exteriores se sobressai a fraqueza política, devido à influencia contrastante dos potentes povos vizinhos: Assíria e Egito. O rei apoia-se ora em um, ora em outro, confiando mais na política e na astúcia militar do que em Deus, com risco de infiltrações idolátricas na vida do povo.

Isaias participa ativamente em todos os assuntos do seu país, muitas vezes em contraste com o poder político e religioso e com a opinião pública. Reivindica a exigência de confiar antes de tudo no Senhor e guardar sua aliança. O Senhor é fiel a seu compromisso com a casa de Davi. Isaias enfrenta esta situação social, política, religiosa, com voz lúcida, forte, critica e promissória. Ele se revela como pessoa de grande sensibilidade humana, poética e religiosa. Homem de Deus e homem do seu tempo! 

O segundo autor (capítulos 40-55) é chamado de Deutero/Segundo Isaias. Sua mensagem está marcada por circunstancias históricas dramáticas. Em 597-587 a.C., Nabucodonosor, rei da Babilônia que havia derrotado o reinado da Assíria, ocupa e destrói Jerusalém e deporta para Babilônia muitos do povo entre 597-538 a.C. O profeta anônimo, de quem não conhecemos as características biográficas, oferece ao povo escravizado esperança de recuperação e perspectivas messiânicas mais amplas. Os cap. 42, 49, 50, 52-53 contêm os famosos “Cânticos do Servo Sofredor”, que o Senhor escolhe para resgatar não só Israel, mas também os povos pagãos. 

O terceiro autor ou Trito Isaias (capítulos 56-66), destaca perspectivas de novo início, quase um novo êxodo e uma nova criação por parte de Deus, em favor do seu povo. Parece ter sido composto depois da volta para Jerusalém e o fim do exílio (em 538 a.C.), e destinado a dar novo alento à reconstrução material e espiritual do povo.

Por que ler e proclamar Isaias em nossas liturgias e em nossas meditações?

A relação de Deus com a humanidade é uma “história sempre viva”. Por isso a experiência do profeta, e os textos que a relatam, são experiência e textos “vivos”, que continuam ensinando a como viver a relação com Cristo, centro e cume desta história de salvação, para cada geração e cada um de nós.

A tradição cristã identifica o Servo Sofredor com Cristo: veja-se os relatos da Paixão nos sinóticos e a leitura do profeta na liturgia da igreja. Durante o tempo do Advento leem-se, sobretudo, os textos do primeiro e segundo Isaias, na Quaresma e Semana Santa retoma-se os Cânticos do Servo Sofredor, enquanto na vigília da Páscoa e no tempo pascal proclama-se os textos do terceiro Isaias. 

Este modo de meditar o texto bíblico, revela seus significados mais profundos escondidos no próprio texto, permitindo evolver o sentido existencial do texto à luz do evento de Cristo, do caminho espiritual da Igreja e de cada leitor. Santo Agostinho diz: Novum in vetere latet, Vetus in novo patet – O Novo Testamento está escondido no Antigo, e o Antigo Testamento se manifesta no Novo. São Gregório Magno afirma que: Scriptura cum legente crescit – A escritura cresce com aquele que a medita continuamente. Seja em relação ao AT como ao NT, vale o convite de São Gregório Magno: Cognesce cor Dei in verbis Dei – Conheça o coração de Deus nas palavras de Deus!

Lucas (4,16 -22) conta queJesus na sinagoga de Nazaré lê o texto de Isaias 61,1 -2 e declara que se está realizando na sua pessoa e na sua missão o que o profeta preanunciou: O Espírito do Senhor está sobre mim…enviou–me para proclamar a libertação aos presos... (…). Enrolou o livro, entregou-o ao servente e sentou-se. Todos na sinagoga olhavam-no atentos. Então começou a dizer~lhes: Hoje se cumpriu aos vossos ouvidos essa passagem da escritura (Lc 4,20).

A vocação de Isaías e de Jesus

Voltando à narração da vocação do profeta (Is 6,1-13), como ele mesmo a transmitiu, pode-se vislumbrar, não só os passos do seu caminho interior, quando toma consciência do chamado que Deus lhe faz, e das exigências da missão que está recebendo, mas também, os elementos essenciais da sua mensagem, assim como toda sua aventura humana e espiritual. Lucas, na sua narração do nascimento de Jesus, segue o mesmo método, reconstruindo o contexto histórico e espiritual do humílimo e grande evento de Belém. 

Destaquemos alguns dos elementos da vocação de Isaías, seguindo o método da lectio divina (leitura orante), que parte do sentido literal do texto e, progressivamente, vai descobrindo o seu sentido espiritual. Diz o texto de Isaías: No ano em que faleceu o rei Ozias, vi o Senhor sentado sobre um trono alto e elevado (Is 6,1-2). Deus toma iniciativa e se faz próximo, entra na história concreta de um povo e de Isaias, a quem ele escolhe e chama. Ele é desde sempre o Deus de Abraão, o Deus de Isaac, o Deus de Jacó, isto é, o Deus que vive comprometido na história do seu povo. Encontra o escolhido no contexto da sua vida cotidiana (o templo, onde atuava como sacerdote) e da vida do povo (a sociedade política e religiosa).

Da mesma forma Lucas, ao indicar a revelação de Deus no nascimento de Jesus, o Messias, diz: Naqueles dias apareceu um edito de César Augusto, ordenando o recenseamento de todo o mundo (…) Enquanto lá estavam, completaram-se os dias para o parto, e ela deu à luz seu filho primogênito (Lc 2,1,6).

As vindas e as passagens de Deus na vida de cada pessoa

Deus tem seus tempos e suas maneiras de passar, e não passa só uma vez, embora cada vez seja “o tempo decisivo” (kairós). Deste modo chamou seus profetas e discípulos. Veja-se, por exemplo, a vocação de Moisés (Ex 3,1-12), Amós (Am 1,1), Jeremias (Jr 1,1-111), dos primeiros discípulos (Mt 4,18-22) e de Saulo/Paulo (At 9,1-9). Do mesmo modo, após a surpresa, Ele passa através de acontecimentos felizes e tristes na vida de cada um, ou de uma simples intuição profunda…. 

Daqui nasce a exigência de sabê-lo reconhecer e deixar-se comprometer, para fazer da nossa história uma “nova história de amor e de salvação”, que exige vigilância, discernimento, prontidão. São atitudes que Jesus destaca fortemente em suas parábolas: a espera vigilante do senhor que volta das núpcias (Lc 12,35-46), do ladrão que surpreende o dono da casa, do patrão que pede contas ao administrador. A espera do Amado que vem visitar e oferecer um encontro de intimidade: “Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir minha voz e abrir, entrarei em sua casa e cearei com ele e ele comigo” (Ap 3,20-21).

Durante o Ano litúrgico, no qual se exprime a pedagogia da fé da igreja, o tempo de Advento é particularmente propício para viver a “espera” e a “esperança” da vinda de Deus na carne, através da memória sacramental do evento da encarnação, que o torna “vivo” e “atual” novamente. A liturgia do Advento nos leva a olhar para a nossa experiência, e para os acontecimentos do cotidiano (presente/hoje), enquanto nos abre para olhar para a vinda gloriosa do Senhor (futuro/promessa). Esse dinamismo nos permite descobrir com liberdade, a relatividade do presente e do parcial, e antecipar o desejo e a esperança da plenitude e do encontro definitivo com o Senhor. São Bernardo, em sua teologia do Natal, fala de uma “tríplice vinda” do Senhor. Diz que sua vinda acontece três vezes: na encarnação, em nosso interior, através do seu Espírito que visita a consciência de cada um, e no final dos tempos em sua vinda gloriosa.

Deus santo se manifesta como transcendência e proximidade

A relação com Deus, como podemos constatar a partir dos exemplos de vocação e missão dos seus escolhidos é, ao mesmo tempo, experiência de transcendência e de proximidade. Isaías relata ver a santidade de Deus na visão em que lhe é transmitida sua missão: Eles clamavam uns para os outros e diziam:santo, santo, santo…a sua gloria enchia toda a terra…o templo se enchia de fumaça (Is 6,3-4).

Para cada um de nós, o caminho é o mesmo. Depois do evento pascal, esta experiência se dá através da carne do Verbo, morto e ressuscitado, na efusão do Espírito mediante a fé e nos sacramentos da iniciação cristã: “santificados e chamados a tornar-se santos no Santo”. Um processo que faz da pessoa e da comunidade “o templo” e a “casa” do Senhor (cf Ef 2, 19 – 22; 1Cor 3, 6). O Verbo se fez carne e habitou entre nós… De sua plenitude todos nós recebemos graça por graça… Ninguém jamais viu a Deus: o filho unigênito que está no seio do Pai, este o deu a conhecer (Jo 1, 14;16;18). – Em verdade vos digo: todas as vezes que o fizestes a um desses meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes” (Mt 25,40).

Somos sempre indignos do chamado

Mas o chamado mostra também a nossa inadequação. Conforme descreve Isaías: Então eu digo: ‘Ai de mim, estou perdido! Com efeito sou homem de lábios impuros, e vivo no meio de um povo de lábios impuros, e meus olhos viram o Rei, Senhor dos exércitos (Is 6, 4-5). Encontrar-se com Deus, ser chamado por Ele, implica sempre a percepção da própria indignidade, ou melhor, da insuficiência frente a Deus, o inaccessível, o invisível, cuja visão pode matar! 

Esse sentimento é componente natural na experiência religiosa da criatura na relação com o criador. Está ao centro da religiosidade natural. O AT destaca bem esta dinâmica: o Deus de Israel é o Deus que “permanece escondido, ao mesmo tempo em que é o salvador do seu povo” (Is 45,15). Ele é quem atrai a si todo ser humano, mas também incute medo. É fascinante e tremendo! A resposta não é fugir, mas entregar-se à sua generosa e transformadora acolhida: Ai de mim, estou perdido! Com efeito sou homem de lábios impuros… (cf. Moisés, Gen. 3,1-12; Jeremias 1,4-10; 17 -19; Pedro depois da pesca inesperadaLc 5,8).  

Jesus, por sua vez, manifesta a proximidade do Pai e sua compaixão, é o rosto da sua misericórdia. Procura os marginalizados, os pecadores, os impuros, e elogia a fé do pagão e da mulher impura pelo sangramento ou pelo pecado. Indica o publicano, que se confessa pecador no limiar do templo, como a pessoa que vive a verdadeira relação com Deus, ao contrario do fariseu que presume “ser justo” (Lc 18, 9 -14).

A liturgia eucarística também cultiva este sentido de indignidade, não para afastar-se, mas para aproximar-se à misericórdia: do Ato Penitencial ao Gloria, do Santo ao Pai nosso, da Confissão antes da Comunhão com as palavras do centurião “Senhor, não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo”. A liturgia das Horas abre-se sempre com a invocação ao Senhor, afim de que seja ele a abrir nossos lábios (Abri meus lábios, ó Senhor…), ou vir ao nosso auxílio (Vinde, ó Deus em meu auxilio…)  

Segundo a Regra de São Bento, o monge perfeito é o que, percorrendo todos os graus da humildade, chega a assumir a postura do publicano no templo. É o caminho que conduz o monge à caridade perfeita, fonte de liberdade em relação à toda forma de medo, e que gera a alegria do serviço ao Senhor (RB 7, 62-68). 

Purificação e transformação 

Isaias descreve assim seu caminho de purificação: Nisto um dos serafins voou para junto de mim, trazendo na mão uma brasa que havia tirado do altar…tocou os lábios e disse: teu pecado está perdoado (Is, 6,7). Para fazer do jovem sacerdote a “boca de Deus”, pessoa apta a falar as palavras de Deus, o profeta é purificado por ação do próprio Deus, e não se auto-proclama tal. Essa é a distinção entre verdadeiros e falsos profetas. Entre “profetas da esperança”, suscitada pela ação de Deus, reconhecida e destacada pelos profetas de Deus, e os “profetas de desventuras,” como os chamava papa São João XXIII, que veem só o mal na história do nosso tempo, por falta de confiança no Senhor. 

Missão 

Em seguida ouvi a voz do Senhor que dizia:Quem hei de enviar? Quem irá por nós?”…

Eu respondi: “Eis-me aqui, envia-me a mim” (Is 6,8).

A vocação e missão é “resposta”, uma resposta pontual que acontece em um momento preciso, mas que significa uma modalidade de ser, de viver, de atuar. É o mesmo que acontece com o Verbo feito carne, e cada discípulo de Jesus Cristo: Tu não quiseste sacrifício e oferenda. Tu, porém, formaste-me um corpo…por isso eu digo: Eis-me aqui…eu vim, ó Deus, para fazer tua vontade…E graças a esta vontade é que somos santificados pela oferenda do corpo de Jesus Cristo, realizada uma vez por todas (Heb 10, 5-10)

Toda a vida de Jesus se desenrola como atuação desta dedicação “original” ao Pai e desta radical solidariedade aos homens, até a cruz. É a atitude que faz da existência de Jesus uma “existência sacerdotal”, e da sua morte o “sacrifício redentor e reconciliador”. O mesmo acontece com Maria mãe da igreja: Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo tua palavra! (Lc 1,38).

Missão entre um povo que não está disponível a escutar…

A “missão” entregue, quase sempre, parece muito difícil, e humanamente desproporcionada às capacidades pessoais do escolhido e incute, naturalmente, medo. Deus não recua, mas dá sua verdadeira garantia: a sua presença fiel a seu lado. Como um refrão, ressoa em todas as chamadas dos escolhidos, de Abraão ao ultimo dos apóstolos, passando pelos patriarcas e os profetas, a palavra divina: Não tenhas medo…. Eu estou contigo

Deus diz a Isaias que o povo não compreenderá nem se converterá: Com os ouvidos, ouvi, mas não compreendereis, com os olhos, olhai, mas não conhecereis.(Is 6, 9 -10). Isaias é chamando a denunciar a hipocrisia religiosa (cf Is. 1,10-20) e o abuso dos pobres (Is 5, 8-14). Jesus ao enviar os discípulos diz: Ide! Eis que vos envio como cordeiros entre lobos. Não leveis bolsa, nem alforje, nem sandálias. (Lc 10,3-4). Quando vos conduzirem às sinagogas, perante os magistrados e perante as autoridades, não vos preocupeis como ou com que vos defender, nem com o que dizer: pois o espírito Santo vos ensinará naquele momento o que deveis dizer” (Lc 12, 11 -12).

Isaias sofre pela incompreensão do povo e pergunta ao Senhor: Até quando? (Is 6,11).O bom profeta enfrentará graves provações, o povo recusará a se converter e por isso arriscará a ser completamente destruído. Mas, o Senhor lhe anuncia que do toco” do grande carvalho abatido, brotará uma nação santa (Is 6,13). É a esperança definitiva que o profeta ouve como consolação do Senhor, é um futuro novo que ele será chamado a testemunhar, e que fará de Isaias o profeta da consolação por excelência. A entrega confiante do profeta ao Senhor é sua verdadeira e única força, como o será para Maria e para os discípulos de todos os tempos! Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra (Lc 1, 38).

Discípulos de Jesus ao longo da história, escolhidos e chamados por graça, enviados na sua condição de fragilidade pessoal, mas fortes na potência de Deus!

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