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Como aprendi a rezar, mesmo com os sentimentos em baixa

mesa ao ar livre

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Rev. Alex Wyvill - publicado em 30/06/23

Uma mesa ao ar livre na casa da minha avó acabou sendo uma lição para a minha fé

Minha infância foi repleta de “festas de caranguejo”. Nenhum domingo era completo sem o ritual familiar pós-Missa de pegar caranguejos na casa da vovó. Bastavam quatro potes e alguns pescoços de galinha para garantirmos cerca de cinquenta belos crustáceos para toda a turma, e, sem exceção, os comíamos na velha e barulhenta mesa de piquenique da vovó.

Com o passar dos anos, a população de caranguejos diminuiu e as “festas de caranguejo” também. Começamos a almoçar dentro de casa e aquela velha mesa lá fora começou a apodrecer e empenar. Um dia, minha mãe me informou sobriamente que a mesa ia ser despedaçada e usada como lenha. Eu fiquei histérico. “Não! Não pode destruir a mesa!”. Quando vi o meu pai despedaçando a mesa, corri para lá, chorando e com raiva, peguei uma das tábuas e saí a toda com ela para o bosque. Se eu não podia salvar a mesa, salvaria pelo menos um pedaço.

Tempos depois, essa lembrança ainda se destaca nas minhas memórias. Eu achava que, se perdesse aquela mesa, perderia tudo o que a casa da vovó significava para mim: não só as “festas de caranguejo” em si, mas também aquele sentimento de amor e pertencimento que esses momentos em família despertavam em mim. Sem o nosso encontro semanal naquela mesa, eu não imaginava como é que iria viver aquela sensação de novo.

Só que, me agarrando à mesa de piquenique, eu não deixava que a mesa me apontasse algo maior do que ela própria: a realidade de que eu era amado e de que eu fazia parte.

Essa mesma dinâmica vale para o nosso relacionamento com Deus. Às vezes, Deus nos proporciona bálsamos espirituais que nos fazem sentir claramente o Seu amor, do jeito que eu sentia o amor da minha família naquelas “festas de caranguejo”. Mas quando essas experiências consoladoras passam, podemos nos agarrar às nossas “mesas de piquenique”, meros símbolos dessa experiência, em vez de deixar que a “mesa de piquenique” nos aponte uma fé que vá além dela.

Assim como a mesa de piquenique nunca foi uma finalidade em si mesma, as experiências consoladoras também não são a finalidade do cristianismo! Deus não nos dá esses bálsamos e graças para ficarmos apegados a eles; pelo contrário, Ele nos dá esses sinais como meios que apontam para além deles mesmos: apontam para uma fé mais profunda e para a constatação de que, em Cristo Jesus, somos amados e fazemos parte de modo pleno.

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