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Conheça a intrigante música recomendada pelo Papa na viagem à Mongólia

Mongólia

Dmitry Pichugin | Shutterstock

Mongólia

J-P Mauro - publicado em 06/09/23

"Nas Estepes da Ásia Central" é um poema sinfônico de Alexander Borodin, que procura ilustrar a paisagem mongol através da música instrumental

Durante o voo de Roma para Ulan Bator, na sua histórica visita apostólica à Mongólia, o Papa Francisco deu aos fiéis uma recomendação musical. Ele destacou as obras do compositor russo Alexander Borodin, do século XIX e de estilo romântico, em especial a peça “Nas Estepes da Ásia Central”, que ilustra a unidade entre culturas mongol e russa.

O papa afirmou que as expressivas obras de Borodin podem ajudar os visitantes a terem uma ideia da região. Referindo-se às vastas terras nômades e à cultura de quietude da Mongólia, Francisco disse:

“Acho que nos faria bem compreender este grande e profundo silêncio. Isso nos ajudará a compreender, mas não com o intelecto: com os sentidos. A Mongólia se compreende com os sentidos”.

Assim, recomendou ouvir “a música de Borodin, que foi capaz de expressar esta extensão e grandeza da Mongólia”.

Alexander Borodin

Borodin é um dos “Cinco”, um grupo de reconhecidos compositores russos do século XIX que promoveram o estilo russo de música clássica. Embora famoso pela música, Borodin era químico de profissão e fez várias contribuições também para a química orgânica da sua época. A música era o seu hobby, praticado nas horas vagas – ou quando estava doente.

Sua música é impregnada de um estilo romântico ilustrativo, que procura suscitar imagens na mente dos ouvintes. “Nas Estepes da Ásia Central” é um excelente exemplo deste efeito, já que traz à mente grandes paisagens que se expandem através do som, incluindo o galopar de cavalos selvagens, tudo destinado a dar vida às interações entre os russos e os demais povos daquelas vastas estepes.

A obra se enquadra na categoria de poema sinfônico, uma peça orquestral que procura contar uma história através da música. Utiliza duas melodias diferentes, que representam os povos russo e mongol. A melodia russa cria uma atmosfera pacífica à medida que começa a música, cedendo lentamente à melodia representativa da Mongólia. As duas se misturam e se fundem, até que a melodia russa é tudo o que resta ao mesmo tempo em que vai se desvanecendo, como se a fila de viajantes desaparecesse na distância.

O próprio Borodin descreve algumas das “ilustrações” que pretendia produzir com sua música, numa anotação que deixou registrada na partitura e que é mencionada pelo premiado blog de música Classicalexburns:

“No silêncio das monótonas estepes da Ásia Central, ouve-se o som misterioso de uma pacífica canção russa. Ao longe ouvimos a aproximação de cavalos e camelos e as notas exóticas e melancólicas de uma melodia oriental. Uma caravana se aproxima, escoltada por soldados russos, e segue em segurança o seu caminho pelo imenso deserto. Ela vai lentamente desaparecendo. As notas das melodias russas e asiáticas se unem numa harmonia comum, que se extingue conforme a caravana some da vista”.

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