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Os Gays e a Igreja

Papa Francisco

Antoine Mekary | ALETEIA

Igor Precinoti - publicado em 30/11/23

Será que o papa está contrariando as Escrituras ao acolher gays e transexuais na Igreja? 

Muito se tem comentado a respeito das ações do Papa Francisco em relação público gay. Suas falas e atos, na maioria das vezes mal interpretadas ou retiradas de contexto, são um prato cheio para críticos que se sentem “mais católicos que o Papa” e para sites (bem ou mal-intencionados) que, sem conhecer o posicionamento real da Igreja sobre estas questões, acabam gerando manchetes que desinformam mais do que orientam.

Infelizmente, a desinformação sobre o verdadeiro posicionamento da Igreja a respeito deste tema gera confusão até mesmo nos católicos menos críticos, principalmente quando o Papa envia mensagens de acolhida ou simplesmente se recusa a julgar negativamente a comunidade LGBT em si.

Um novo capítulo nesta novela se deu com a divulgação de uma carta resposta do Dicasterium Pro Doctrina Fidei para a alguns questionamentos enviados a Roma por um Bispo brasileiro, informando, em seu conteúdo, dentre outras questões, que era lícito o batismo de transexuais. Para os críticos de plantão, estes são os “sinais dos tempos”.  “Onde já se viu, transexuais sendo batizados e o papa acolhendo homossexuais? A Igreja não pode ser condizente com o pecado!”. 

Será que o papa está contrariando as Escrituras ao acolher gays e transexuais na Igreja? 

Para entender responder a esta questão, é necessário conhecer o que a Igreja reconhece como pecado. E para isso vamos recorrer ao Catecismo: O pecado é “uma palavra, um ato ou um desejo contrários à lei eterna”. É uma ofensa a Deus. Levanta-se contra Deus por uma desobediência contrária à obediência de Cristo (Parágrafo 1871). Ou seja, o pecado é “verbo”. É consequência de uma ação. Ninguém é pecador apenas por nascer com determinada condição ou característica. Um indivíduo que nasceu gay, quando atingir a adolescência não terá nenhuma atração por pessoas do sexo oposto e sentirá amor e/ou atração somente por pessoas do mesmo sexo. Esta é uma condição inata, nenhum “tratamento” ou “forma de educação” vai mudar este fato.

Desta forma pode ser afirmado, com tranquilidade, que ser gay não é pecado. Em outras palavras, em uma sociedade hipotética onde o ato de comer chocolate fosse considerado pecado, gostar do sabor do chocolate não seria considerado pecado. O pecado não está no ser, mas sim no fazer. 

Apesar de a Igreja não entender o gay como um pecador, ela entende o sexo fora do casamento e o ato sexual entre pessoas do mesmo sexo como pecado, por isso recomenda a todos, tanto gays como héteros, uma vida casta. 

A Igreja entende e reconhece o amor entre duas pessoas do mesmo sexo, mas orienta que este amor não seja Eros (amor romântico), e sim Philia (amor de amigos). Esta orientação ao amor Philia, inclusive, já foi celebrado na Igreja Ortodoxa até o século XIX através da cerimônia de Adelphopoiesis (https://orthodoxhistory.org/2012/11/07/two-greek-youths-come-to-america-in-1823/). Uma cerimônia que comemora o amor entre dois amigos, tornando-os irmãos espirituais (pneumatikous adelphous). É importante frisar que este não é um “casamento gay”, mas sim, uma cerimônia que celebra e santifica o amor de amigos tornando-os irmãos.

Outro ponto a ser considerado é que a partir da análise das escrituras não é difícil entender que Jesus e seus Apóstolos, acolhiam e recebiam a todos em seu grupo, sem julgamentos ou restrições. 

“Todos os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar.” (Lc 15,1)

“Paulo permaneceu por dois anos inteiros no aposento alugado, e recebia a todos os que vinham procurá-lo. (Atos 28,30) 

Não seria este o movimento que o Papa Francisco está fazendo? Recebendo e acolhendo todas as almas, evitando pecar contra a caridade e oferecendo orientação espiritual e consolo àqueles que, muitas vezes, não encontram acolhida nem na família nem na sociedade? 

Fica a reflexão.

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