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Padrinhos de casamento, uma missão para a vida toda!

WEDDING

Shutterstock-Halfpoint

Edifa - publicado em 29/01/20

Muito além do dia D, ser escolhido como padrinho de casamento é um privilégio que implica presença constante e oração contínua pelo casal

O direito canônico atribui ao padrinho de casamento uma função estritamente administrativa. O padrinho ou testemunha é aquele que atesta através de sua assinatura no registro da paróquia que os dois, marido e mulher, consentiram com a sua união. Muitos padrinhos se contentam com o percurso tradicional do casamento: preparação da despedida de solteiro, leitura de um texto ou da oração universal durante a cerimônia, discurso durante a festa. No entanto, o papel do padrinho pode ser muito mais precioso, para maior benefício do casal e dos próprios padrinhos.

A escolha dos padrinhos, uma questão de afeição

Normalmente escolhemos nossos irmãos para serem padrinhos do nosso casamento, pela proximidade que temos com eles. Em seguida vem os amigos, pois numa época onde nos casamos cada vez mais tarde, a nossa rede de amigos tem um de fato um lugar essencial durante a nossa juventude, se tornando até mesmo uma espécie de “família de transição”. Quando chega o momento do casamento, temos a oportunidade de selar a lealdade com os amigos através dessa marca de confiança. “É um compromisso recíproco de buscar crescer na amizade, mesmo que o modo seja diferente“, disse um jovem noivo. Questões afetivas às vezes tornam difícil a escolha, pois pensamos: como não ofender um ou outro que amamos? Por isso, algumas vezes, existe um certo exagero no número de padrinhos – não é mais uma coisa rara que sejam oito ou dez pessoas. Em todo caso, é importante que a seleção dos padrinhos seja uma escolha livre, pois ninguém tem a obrigação de escolher aquele que apresentou os noivos pela primeira vez ou ainda um outro que está muito ansioso depois que o noivado foi anunciado.

Um papel de suporte e de lembrança do compromisso

Na Igreja, o padrinho é objeto de grande atenção. Representante da assembleia, o padrinho é o símbolo de que o casamento tem uma dimensão eclesial, que esse “dom mútuo” é também um dom para a Igreja, pois não nos casamos para nós mesmos. O padrinho, sobretudo se ele é solteiro, é um beneficiário privilegiado da graça dessa união.

Além disso, no momento em que tantas famílias estão se separando, todos os meios são válidos para promover casamentos sólidos. Alguns padres reservam um tempo para encontrar os padrinhos durante um jantar, ou simplesmente na manhã do casamento. Outros tentam envolvê-los na preparação espiritual do casamento. Alguns até pedem aos padrinhos que escrevam uma carta explicando por que aceitaram o papel – em outras palavras, por que concordam com o casamento. Um testemunho pode ajudar o padre em sua preparação para a cerimônia, especialmente em casos difíceis pois o olhar de terceiros torna possível objetivar uma situação e, se necessário, conduzir à ruptura do noivado.

Os padrinhos têm um papel de apoio e lembrete do compromisso ao longo da vida do casal. Uma missão que exige saber como ser franco, desde o momento do noivado: “Um amigo me pediu para ser seu padrinho, diz Gil, mas senti que o seu relacionamento tinha grandes chances de não dar certo. Então eu decidi contar para ele o que pensava. Você não pode ser padrinho a qualquer custo: isso às vezes envolve correr riscos na amizade!” O padrinho pode ser confrontado com casos reais de consciência: “Eu fui padrinho de um casal que decidiu começar a viver juntos sete meses antes do casamento, diz Mateus. Desapontado, perguntei à noiva sobre os motivos dessa escolha. Nada mudou e eu ainda concordei em ser padrinho, mas eu disse o que pensava e por isso o nosso relacionamento se tornou mais profundo”.

Um companheiro do casal

Após o casamento, algumas pessoas não deixam de velar sobre a evolução do casal e do seu relacionamento. “O padrinho ou madrinha deve ter a liberdade de dar a sua opinião, porém sem interferir nas decisões do casal”, explica Guilherme, que foi padrinho de casamentos religiosos por seis vezes. “Os amigos casados tinham a tendência de se fechar sobre eles mesmos e eu falei com eles sobre isso. No momento, eles ficaram surpresos, mas um pouco mais tarde, eu sempre recebi ligações deles dizendo que isso os ajudava no relacionamento”. A coragem de dizer a verdade é símbolo de uma amizade autêntica.

Diante dos altos e baixos da vida conjugal, os padrinhos podem se sentir chamados a estar mais atentos, mais presentes, e sobretudo rezar pelos recém-casados. Amigos próximos, os padrinhos devem estar prontos a ajudar caso seja necessário, na medida em que a proximidade geográfica permitir, é claro. “Quando eu sinto que um dos casais que eu sou padrinho está um pouco mais fragilizado ou cansado, eu ofereço cuidar dos seus filhos por uma noite. Assim eles podem ficar um tempo sozinhos”, conta Helena.

Por fim, além de escutar e aconselhar, padrinhos e noivos experimentam uma relação de companheirismo a longo prazo, cada um segundo sua disponibilidade e sua criatividade. Os recém-casados podem convidar os padrinhos para um jantar, os padrinhos podem ligar para desejar um feliz aniversário de casamento, por exemplo. “Os padrinhos participam das alegrias e dos sofrimentos do casal – resume Guilherme – é uma espécie de irmandade espiritual.” Nada disso é uma obrigação, mas muito mais uma ocasião para aproveitar a vida!

Cyril Douillet

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