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Beato Domingos Collins

Relacionamento a dois – trabalho, filhos, saídas, Igreja... Você consegue organizar as suas prioridades?

Work, Family, Parents, Child, Outside

© bernd.neeser

Edifa - publicado em 28/02/20

Compromissos de trabalho, lazer, associativos ou paroquiais. Ótimas atividades que levam o casal a sair de casa. Se uma vida social pode ser como um elo para o casal, ela também pode levá-los a colocar de lado seus filhos e sua vida amorosa. Então, quais escolhas fazer?

Não faltam atividades que nos levam a estar fora de casa, e geralmente são coisas sãs e justas. Pierre e Caroline têm cinco filhos. Eles estão muito envolvidos na paróquia: “Recebemos muito e parece natural retribuir”, comenta Pierre. Esta frase de São Paulo incessantemente nos chama a sair de nós mesmos: “Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho!” (1 Cor 9, 16)”.

Helena, que tem três filhos adolescentes, é aquela que todos buscam quando precisam de ajuda em seu bairro. Uma pessoa doente? Ela corre para visitá-lo. Amigos viajando por um final de semana? Ela se oferece para cuidar dos filhos. “Nunca é possível dizer que já se ajudou demais“, diz ela.

Já Anne e Marcos, pais de três filhos entre 19 e 10 anos, são voluntários em um abrigo para moradores de rua. “Não podemos dormir em paz enquanto outros não têm nada e vivem na rua“, diz Anne.

Outra atividade demorada: passeios com amigos. Sophia trabalha em casa. Ela tem um marido que geralmente está ausente por razões profissionais. “Eu sou o pilar da família e preciso carregar muitas coisas. Se eu quiser manter meu equilíbrio, tenho que recarregar minhas baterias com meus amigos. Isso permite que você se doe com mais tranquilidade“. Embora uma vida social enriquecedora possa ser um verdadeiro elo para o casal, devemos, no entanto, ter cuidado ao analisar as razões que nos levam a estar fora todo o tempo.

Não buscar fugir das suas outras responsabilidades

Sophie Passot, conselheira de casamento e família, alerta para certas armadilhas que o tempo passado fora de casa pode ocultar: “Muitas vezes encontro casais cujo ativismo excessivo esconde um desejo de fuga“. Fugir de si mesmo para não ver seu vazio interior, fugir da intimidade conjugal porque ela já não é tão intensa ou gera medo, fugir da esfera familiar, menos recompensadora socialmente do que o trabalho. Uma pessoa dedicada à sua paróquia ou a uma associação pode às vezes camuflar um perfeito egoísta que se esquiva das “tarefas tediosas” da vida familiar e dos gritos das crianças. “Prefiro um leigo que seja totalmente comprometido com uma coisa só, do que um leigo investido em todos os lugares. É uma questão de equilíbrio. Muitas vezes, aconselho alguns a fazer menos e a cuidar mais de suas famílias“, disse um jovem padre de seus paroquianos.

Mas qual é o sinal de alerta? Eles são variados. Rafaela reduziu seriamente suas saídas quando seus filhos cresceram: “Quando eles eram pequenos, nós os colocávamos na cama às 20:30 e podíamos sair facilmente. Mas, depois, percebemos que precisávamos estar mais presentes pois no momento que íamos sair eles ficavam muito agitados. Um precisava recitar uma lição, o outro queria nos contar sobre um assunto muito importante. Por isso cancelamos quase todos os nossos compromissos”. De fato, devemos aproveitar as oportunidades de conversar com os nossos filhos adolescentes pois elas nem sempre surgem mais de uma vez. Ele busca respostas e é muito negativo se ele se sentir negligenciado.

Timóteo e Evelyne, que haviam se dedicado a acolher jovens em dificuldade em sua casa, precisaram atentar ao sofrimento de um de seus filhos. “Ele não suportava ter que compartilhar seus pais diariamente com estranhos. Sua depressão, aos 13 anos, foi o sinal vermelho, diz Evelyne. Sempre dissemos a nós mesmos que nossos filhos tinham prioridade e decidimos organizar nossa atividade social de maneira diferente, mesmo que nossos outros três filhos vivessem bem nessa situação”. O cansaço também pode significar que assumimos mais do que podíamos. Louis, um jovem pai de três filhos, investiu 300% em seu trabalho e em seus compromissos, e diz: “Comecei com atrasos, depois com negligências, erros e, finalmente, tive dois acidentes dentro de poucas semanas. Tantos sinais que já me mostravam que eu estava fazendo demais“.

Se questionar e gerir as prioridades

Se temos dificuldades ao executar nossos compromissos, não devemos pensar automaticamente que se trata das investidas do inimigo. Para discernir, podemos começar com um exame de consciência nos perguntando se temos certeza de estarmos no lugar certo. Participamos dos serviços de preparação para o batismo ou casamento, ajuda aos sem-teto, supervisão de grupos de escoteiros, mas será que estamos deixando um espaço para relaxar ou jantar com a(o) esposa(o) antes do próximo ano?! Será que estamos em boa forma, em paz, tranquilos? Ou, pelo contrário, somos um apóstolo agitado demais que já está no seu limite? Segunda pergunta a fazer: qual é a minha prioridade? Caroline e Pierre foram convidados para assumir o serviço de preparativos para casamentos na paróquia, além de outros compromissos. Eles recusaram: “Enquanto nossos filhos estiverem em casa, nossa prioridade é estar com eles“.

Quando confrontado com um compromisso, é bom rezar para saber se o chamado a realiza-lo vem realmente de Deus. Evelyne fala de sua experiência: “Estamos sempre em oração perguntando ao Espírito Santo se nossas escolhas devem ser reajustadas, se estamos fazendo a vontade do Pai. Nada é dado como certo. A resposta vem quando ouvimos um ao outro, quando ouvimos nossos filhos“. Com pouco tempo disponível, mais uma razão para escolher se concentrar no que alimenta o casal e a família. “Quando fizemos a seleção de nossas atividades, explica Rafaela, mantivemos apenas uma, a adoração, porque lá nosso relacionamento realmente recarrega suas baterias“.

Para Marion, cujo marido não é religioso, a fertilidade do casal se vive a dois. Até então, ela tinha muitos compromissos ditados por sua fé. Por fim, ela precisou deixar alguns desses compromissos para poder fazer outras atividades com o marido: “Este é o meu critério agora“.

A opinião das crianças também conta

Alguns, antes de se comprometer, pedem a opinião das crianças. “Não devemos impor coisas que gerem um grande impacto na vida familiar“, diz Vianney. Se o trabalho muitas vezes requer dedicação durante o fim de semana, Rafaela é muito clara: “As crianças sabem que, todos os anos, conversamos sobre isso juntos, e que vou parar se acharem que está muito pesado“. Outros procuram fazer atividades em família: caminhadas, esportes, dança, dentre outras.

Evelyne conclui: “Cuidado! não existem regras gerais para a organização da família, o tempo gasto em compromissos varia muito de uma família para outra. Cada uma delas é um universo, um mundo por si só. Devemos ter sobretudo no coração o desejo de tudo ajustar segundo a vontade de Deus“.

Florence Brière-Loth

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