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Redação da Aleteia

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Procurando atividades para fazer com os filhos? Deixe-os ficar um pouco entediados!

KIDS
Maria Symchych - Shutterstock
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Em pleno confinamento, muitos pais temem que seus filhos não saibam se ocupar por vários dias seguidos e fiquem estressados. E se o confinamento fosse uma oportunidade para ficar tranquilo e não fazer nada?

Várias semanas de confinamento com os pequenos, que felicidade! Enquanto os pais buscam atividades diárias para ocupar os filhos, Etty Buzyn, psicoterapeuta e psicanalista, defende o tédio.

Você está defendendo “o direito de não fazer nada”. Os pais, no entanto, temem essa realidade, temem que seus filhos não tenham nada pra fazer durante o confinamento.

O tédio é de fato uma experiência formativa necessária na vida de uma criança. A capacidade de suportar o tédio continua sendo um sinal inegável de boa saúde mental. O momento em que ele para de agir para enfrentar a solidão permite que ele não se esquive mais de suas emoções, mas seja capaz de, pelo contrário, deixá-las se desdobrar em seu espaço interior. Ele também pode gradualmente descobrir sua capacidade de extrair dele mesmo os recursos necessários para inventar histórias que o farão viajar na sua imaginação.

A inatividade pode ser construtiva?

Ela é a maneira da criança, assim como o adulto, se entregar à “contemplação” e a uma forma de calma difícil de encontrar em meio à rotina que estamos acostumados. É também na ociosidade que as coisas se acalmam, que a criança encontra a inventividade necessária para fazer outras coisas depois e, acima de tudo, seguir em direção ao que a inspira. Observe os cientistas, é frequentemente durante seu tempo ocioso que eles fazem suas maiores descobertas!

Então devemos aproveitar o confinamento para não fazer nada?

As crianças recebem atividades cada vez mais sofisticadas durante o ano, mas não sabem mais como observar o mundo. Elas não têm mais tempo para experimentar sensações sem a intermediação de uma tela. Pelo menos durante o período de confinamento, você pode oferecer a elas esse tempo, o tempo para sonhar, para sentir-se seguro em meio a tanta agitação.

Algumas pessoas pensam que uma criança que está entediada é uma criança cujos pais não cuidam bem ou não se importam.

Isto ocorre porque estamos em uma sociedade da tirania do “fazer” e da hiperatividade, que defende a eficiência e desempenho mesmo em momentos de lazer. E os pais realmente se sentem culpados quando não oferecem hobbies programados, atividades atraentes, sofisticadas ou proveitosas. Não tenha medo de viver contra a corrente! Não é tão complicado assim compartilhar momentos com seus filhos, mesmo que seja apenas uma conversa.

Não se trata de fazê-los girar em círculos durante todo o tempo que teremos que ficar em quarentena. É necessário oferecer a eles atividades selecionadas e proveitosas. Mas também não podemos esquecer os momentos essenciais para sua construção interior, onde fazemos coisas com eles. Dedicar seu tempo é dar amor, atenção e saber reconhecer os sentimentos da criança, dando a ela um lugar no seio da família. Quando uma criança diz: “Estou entediada“, ela provavelmente está querendo dizer: “Estou entediado com você”, “Eu preciso falar”, “Quero estar com você. Você pode deixar seu computador de lado?”. Fazer doces, costurar roupas ou fabricar pequenos objetos juntos são exemplos de oportunidades preciosas. Elas são a chance de estarmos mais próximos, estreitar os laços; é a hora que as lembranças de momentos simples e valiosos se enraízam.

Será que não precisamos mesmo nos sentir culpados por não responder imediatamente à queixa “Mamãe, estou entediado”?

Não. Não tenhamos medo de introduzir tempos de espera, de expectativa e de frustração. Satisfazer os desejos da criança muito rapidamente as impede de explorar e desenvolver suas faculdades. A falta é essencial para construir a si mesmo. Primeiramente porque é impossível sermos inteiramente preenchidos – por isso, é preciso suportar a falta e, às vezes, até mesmo criá-la. Não tenhamos medo da frustração! É natural que os pais frustrem seus filhos –em proporções razoáveis, claro – e que os filhos contestem essa frustração, ou seja, reajam.

De qualquer forma, não tenha medo de confrontar a criança. Não responder imediatamente às reclamações como “estou entediado” dá tempo e oportunidade à criança de encontrar uma ocupação para si mesma, e desenvolve seu poder de iniciativa e sua independência de pensamento.

Esses momentos em que não fazemos nada, esses momentos de vazio, são necessários para nos aventurarmos na imaginação, para pensar em ideias pessoais e originais, que podem não ser imediatamente alcançáveis, mas que permitem à criança ou ao adolescente planejar o futuro. Caso contrário, eles entram num automatismo repetitivo. No ócio, é possível imaginar outras coisas, outras soluções, outros projetos, outras realizações para si mesmo.

Entrevista por Agnès Flepp

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