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O que é preciso para encontrar um grande amor?

Samotnosc

Edifa - publicado em 26/06/20

Preste atenção nos muitos bloqueios que podem dificultar sua busca por uma alma gêmea. Aqui vão algumas boas dicas para superar esses obstáculos e conseguir construir um belo relacionamento a dois

Alguns solteiros sofrem por não serem capazes de se decidir pelo casamento. Em cena entram bloqueios, medos, uma história pessoal difícil, dentre outros fatores. Élisabeth Content, conselheira matrimonial, fornece algumas chaves para se libertar desses freios e conseguir avançar na vida amorosa.

Hoje em dia, entre os solteiros, muitos relacionamentos não levam a nenhum vínculo definitivo. Quais são as razões disso acontecer?

Descobri que as diversas hesitações dos solteiros não provinham tanto do egoísmo que os levaria a não se entregar, mas muitas vezes dos bloqueios que impossibilitavam qualquer ação. As causas são diversas e variam desde a história pessoal de cada um até razões mais gerais, devido à evolução da sociedade.

Como o passado pode impedir o comprometimento?

Em nossa história familiar, as imagens do homem e da mulher, do casamento, podem ter sido feridas em nós. É importante observar que tipo de homem e mulher eram nossos pais (se um dominava sobre o outro, se eram fiéis), para assim identificar nossas feridas.

Filhos de casais divorciados, por exemplo, têm medo de reproduzir a história de seus pais e acreditam que o amor é impossível. Felizmente, esses traços, mesmo que sejam dolorosos, não são permanentes.

Outros têm um padrão estereotipado em mente ou temem a reação dos pais à escolha do cônjuge. Quando a opinião da família tem demasiada importância para a pessoa, esse apego pode ser prejudicial.

Alguns homens podem também idealizar sua mãe e acreditar que nenhuma mulher vale a pena. Outros, ainda, podem ter sofrido um forte controle materno e por isso temem todos os relacionamentos femininos.

Outras pessoas ainda são muito ligadas aos pais, e estão na casa deles muito frequentemente, muitas vezes criando responsabilidades para eles mesmos, para que assim encontrem permaneçam presentes naquele lugar. De fato, mesmo na idade de 32 ou 33 anos, eles ainda não se tornaram adultos.

A sexualidade mal vivida pode se configurar também como uma deficiência. Todas as feridas ligadas à sexualidade, a experiências negativas do passado – pornografia, gestos e atitudes inapropriados – são um obstáculo a um relacionamento romântico e dificultam o exercício da sexualidade, que passa a se tornar degradante.

Um relacionamento romântico doloroso ou uma infância difícil são obstáculos para acreditar na felicidade e abrir-se aos outros. O amor do outro reflete o que é positivo e também o que é negativo em nossa personalidade. É difícil nos descobrir imperfeitos. O outro se torna perigoso porque nos obriga a observar nossa escuridão. O que fazer então com esse passado?

Como administrar isso?

É muito importante identificar suas feridas pessoais, aceitá-las e trabalhar para acalmá-las. Pensar que o amor pode consertar tudo é uma ilusão, mesmo que ele ajude bastante. Ele nos traz confiança, mas não pode fazer tudo.

Cada um é responsável pelas suas decisões e pela sua história. Caso contrário, corremos o risco de culpar o outro pelas dificuldades que o relacionamento traz à tona e que na verdade vêm do nosso passado.

Que outros bloqueios você costuma encontrar nos solteiros?

Muitas vezes há uma confusão sobre o propósito do amor. Muitos acreditam que amar significa fazer o outro feliz. Isso significa colocar um peso assustador sobre os próprios ombros.

A felicidade é fruto do amor. Temos o compromisso de amar a nós mesmos e o outro, de ser companheiros de viagem, e não de nos tornarmos felizes.

Além disso, há um erro bem comum quanto ao que é amar. Costumo ouvir: “Estou com alguém, mas não gosto dele(a)”. Na realidade, eles gostam, mas, diante da lacuna entre uma imagem ideal e a pessoa real, duvidam. Para eles, o amor é algo pré-definido que surge como uma evidência. Na verdade, é possível amar mesmo sem ter uma conexão avassaladora com o outro.

Às vezes, os solteiros acabam perdendo a confiança em si mesmos. Como ajudá-los a ter uma visão positiva sobre a sua própria situação?

Este é um trabalho difícil. Muitas vezes, quando eles iniciam um relacionamento romântico, conseguem recuperar a autoestima. Mas, às vezes, eles se consideram indignos desse amor e se tornam dependentes, entrando numa relação onde se perde um pouco a sua individualidade.

Portanto, trabalho com eles para ajudá-los a serem eles mesmos, ensinando-os a expressar seus desejos profundos, a não ter medo de conflitos. Mostro que eles podem dizer não, que podem existir sem que o outro deixe de amá-los.

O que, de fato, é o amor?

Mesmo entre o casal, o conceito de amor pode ser bem diferente, e aí reside a complexidade do relacionamento. O que é amar? Para uma jovem a quem consultei, amar significava admirar, e ela não via nada além disso. Para outros, amor significa paixão.

Então, se eu não admiro meu amigo, ou se não tenho um impulso apaixonado por ele, isso significa que não o amo?”.

A paixão é uma das formas de amar mais populares em nossa sociedade, mas não podemos deixar de lado o dom de si, o afeto, os presentes, o tempo gasto juntos. Podemos amar de mil maneiras.

Um dia recebi um casal, para o marido a presença da esposa era suficiente para a felicidade dele, enquanto ela aspirava momentos privilegiados a dois. De fato, amar é acima de tudo desejar o bem do outro, estar bem em sua companhia e ter o desejo de construir uma vida juntos.

Entrevista por Florence Brière-Loth

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