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Como fazer um novo amigo?

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12 chaves para ter amizades abençoadas por Deus

Estudando o tema de amizade, o cardeal John Henry Newman descobriu vários métodos para fazer e manter as amizades verdadeiras. Descubra-os sem esperar e aprenda a cultivar suas amizades!

Filósofo, teólogo, poeta: o inglês John Henry Newman (1801-1890) cultivou a amizade a vida toda. Newman, que foi canonizado pelo Papa Francisco em outubro do ano 2019, realmente tinha um talento verdadeiro para estabelecer relacionamentos profundos com as pessoas ao seu redor. Aqui estão 12 chaves que ele definiu para criar uma amizade forte e sincera.

1
A amizade é um reflexo da amizade divina

Após uma experiência espiritual que aconteceu em 1816, Newman conclui que existem apenas dois seres absolutamente reais em todo o universo: “Eu e meu Criador”. Essa convicção determinará seu relacionamento com as coisas e os seres.

É nesse relacionamento fundamental que ocorrem as meditações que são nossas amizades humanas; como vitrais, como ícones, um reflexo dessa amizade original e primeira. A dinâmica da amizade, de acordo com Newman, é o retorno ao Essencial.

O mundo aqui em baixo passa rápido, vamos permanecer enraizados ao longo de nossa vida em Jesus Cristo. Tornando-o mais tangível, mais visível do que este mundo tangível e fugaz, é o que Newman quer.

2
Existem predisposições para a amizade

Newman atraía a amizade da mesma maneira que um ímã atrai o metal. Ele era ao mesmo tempo muito desprendido e muito afetuoso: um verdadeiro homem inglês!

Dizem que só podemos ter um amigo de verdade na vida, mas ele os teve aos montes. Como cardeal, ele escolheu este lema: Cor ad cor loquitur, “o coração fala com o coração”, e ele demonstrou uma capacidade excepcional de acolhimento.

3
A fidelidade, a primeira condição da amizade

Eles escrevem para você? Escreve de volta. Eles falam com você? Escute. Eles te perguntam? Responda. Eles pedem conselhos? Ajude e antecipe a necessidade do outro.

Quando Newman foi convidado a fundar e administrar a Universidade Católica de Dublin, após sua conversão na década de 1850, ele insiste em assistir a todas as aulas e todas as lições. Não para criticar, mas para estar lá e mostrar aos alunos e aos professores a atenção que ele dá a eles e ao trabalho deles.

4
As amizades são preservadas graças à troca

Para Newman, a amizade é mantida através de visitas, mas também graças à troca de correspondências e mensagens. As suas cartas ultrapassaram 30.000! Ele escrevia de cinco a dez cartas por dia. Sua correspondência é um grande testemunho de amizade e dedicação aos amigos.

Newman leu a “Ética a Nicômaco”, de Aristóteles, várias vezes (século V A.C.). Este livro apresenta ao mesmo tempo a arte e a ciência do que é a amizade: seu propósito, o que precisa ser feito para preservá-la etc.

O objetivo, de acordo com o filósofo grego, não é fazer com que a outra pessoa se transforme no que somos, mas ajudá-la a ser melhor que nós. Amar na amizade é desejar o bem do outro.

5
A amizade não tem medo da diferença

Newman nunca teve medo da “diferença” social ou cultural. Ele sabia como estar próximo das pessoas humildes, daquela população da classe trabalhadora de Birmingham, que contrastava muito com o elitismo de Oxford.

À noite, ele sai para visitar os pobres e os ajudava com gestos concretos. Essas pessoas não são amigas no sentido estrito da palavra, mas são esse “próximo” a quem ele quer amar.

Após sua morte, mais de 20.000 pessoas de todas as classes sociais e todos os credos religiosos se reuniram para homenagear seus restos mortais. Eles foram cumprimentar o amigo que ele havia se tornado para todos eles!

6
A amizade obriga a manter distância

Preservar uma certa distância é, de acordo com Newman, uma condição fundamental para uma amizade duradoura. Não apenas para evitar uma fusão afetiva esterilizante, mas também para não perder de vista nunca esse olhar que dedicamos ao amigo e que não pode ser dado senão através dos olhos de Jesus Cristo. Sempre à luz desse olhar, a amizade é posta à prova, discernida e até purificada quando necessário.

7
Não há amizade sem verdade

Para querer o que a amizade quer, você precisa amar o outro “fora das sombras e das imagens, mas na verdade”.

No entanto, o único que nos permite amar verdadeiramente é Jesus Cristo, que conhece melhor do que nós aquele que ele nos dá como amigo.

A verdade do próximo passa por aquele que é a Verdade. É também a Misericórdia, e sua graça é indispensável para perdoar o amigo que trai, engana e mente.

“Existe apenas um Amante de almas, e Ele ama cada um de nós como se não houvesse outra pessoa para amar”, escreve Newman no seu livro “Callista”.

8
A amizade à custa da liberdade

Para se tornar católico, Newman teve que decidir entre afetividade – que a amizade sempre implica – e verdade. Ele fez essa escolha crucial aos 45 anos, quando já era uma das personalidades mais influentes da Inglaterra de seu tempo. Essa opção o exclui da sua comunidade.

Ele perdeu todos os seus amigos. Ele não os recuperaria em vinte anos. Ele permaneceria praticamente sozinho, cercado por alguns católicos recém-convertidos, mas mais jovens que ele, incluindo Ambrose Saint-John.

Nós não escolhemos a família, mas escolhemos os amigos. É uma escolha às vezes dolorosa, mas também uma graça para irmos juntos, dois ou mais, em direção a uma verdade maior sobre nós mesmos.

9
Aceitar a decepção

Há um amigo que nunca desaponta, o “Amigo dos homens”, como os ortodoxos chamam Jesus Cristo. Todas as criaturas decepcionam porque sempre esperamos demais delas. As imperfeições e as decepções só podem ser perdoadas através do Seu olhar.

A amizade quer algo diferente de uma afetividade total. Ela quer que o amigo se desenvolva e amadureça: “Que ele cresça e eu diminua”. Nesse sentido, a amizade “serve” a algo: crescer um ao outro.

10
A amizade consome e leva tempo

A amizade envolve uma certa distância física, mas também implica uma “distância” no tempo. O tempo permite a maturação dos sentimentos e o aprofundamento do relacionamento.

A amizade é como uma terra que é colorida de acordo com as estações do ano: pode ser “quente” e verão no começo, depois passar por um inverno e depois recuperar as cores.

Mas uma verdadeira amizade nunca acaba. A aceleração atual e o estreitamento do tempo dão a impressão de certa superficialidade nos relacionamentos. Não sejamos vítimas disso.

11
O amigo é um mistério

O outro, em sua verdade mais profunda, continua sendo um mistério que só será revelado no além. Só podemos circular ao seu redor: seu segredo sempre nos fugirá aqui em baixo.

Assim como nunca acessamos o centro de nosso ser, também não conheceremos verdadeiramente nossos amigos, nem mesmo no mais profundo.

O mistério do outro permanece inesgotável; também o nosso: giramos em torno de nossa semente mais íntima sem poder penetrá-la.

12
Nossos amigos nos revelam a nós mesmos

São Bernardo dizia: “Existe quem acreditamos que somos. Há aquele que os outros pensam que somos. E existe quem somos”. Essa pessoa é conhecida apenas por Cristo, que um dia nos dará uma pedra branca na qual nosso verdadeiro nome será gravado.

Há uma divisão entre quem pensamos que somos e quem somos. Nos nossos amigos, de certa forma, nos vemos como o reflexo do nosso profundo “eu”. Portanto, para nos aproximarmos do nosso eu, vejamos nossos amigos: diga-me quem você ama e eu direi quem você é. Mas um verdadeiro amigo é um presente estranho… você precisa pedi-lo a Deus.

Luc Adrian

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