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É possível comunicar-se com os mortos? (3 de 4)

© Ladida / ISTOCK
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Conheça mais sobre o que está por trás do espiritismo

O que a Igreja diz sobre a comunicação com os mortos?

Para conhecer o ensinamento da Igreja, vamos ao Catecismo da Igreja Católica, em seus números 2115-2117. O espiritismo atenta contra o primeiro mandamento da Lei de Deus: “Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, dessa casa da escravidão. Não terás outros deuses perante Mim. Não farás de ti nenhuma imagem esculpida, nem figura que existe lá no alto do céu ou cá em baixo, na terra, ou nas águas debaixo da terra. Não te prostrarás diante delas nem lhes prestarás culto” (Ex 20, 2-5).

Entre outras coisas, o Catecismo afirma que:

“Deus pode revelar o futuro aos seus profetas ou a outros santos. Mas a atitude certa do cristão consiste em pôr-se com confiança nas mãos da Providência, em tudo quanto se refere ao futuro, e em pôr de parte toda a curiosidade malsã a tal propósito” (CIC 2115).

“Todas as formas de adivinhação devem ser rejeitadas: recurso a Satanás ou aos demônios, evocação dos mortos ou outras práticas supostamente ‘reveladoras’ do futuro. A consulta dos horóscopos, a astrologia, a quiromancia, a interpretação de presságios e de sortes, os fenômenos de vidência, o recurso aos ‘médiuns’, tudo isso encerra uma vontade de dominar o tempo, a história e, finalmente, os homens, ao mesmo tempo que é um desejo de conluio com os poderes ocultos. Todas essas práticas estão em contradição com a honra e o respeito, penetrados de temor amoroso, que devemos a Deus e só a Ele” (CIC 2116).

“Todas as práticas de magia ou de feitiçaria, pelas quais se pretende domesticar os poderes ocultos para os pôr ao seu serviço e obter um poder sobrenatural sobre o próximo – ainda que seja para lhe obter a saúde – são gravemente contrárias à virtude de religião. Tais práticas são ainda mais condenáveis quando acompanhadas da intenção de fazer mal a outrem ou quando recorrem à intervenção dos demônios. O uso de amuletos também é repreensível. O espiritismo implica muitas vezes práticas divinatórias ou mágicas; por isso, a Igreja adverte os fiéis para que se acautelem dele” (CIC 2117).

Podemos completar o que o Catecismo diz consultando São Tomás de Aquino, na Suma Teológica, por ser ele o autor mais equilibrado e centrado ao falar de temas teológicos, especialmente nestas questões de magia e satanismo.

Nesta obra, São Tomás afirma que, por meio da virtude da religião, a criatura conhece sua relação e seu lugar frente ao seu Criador e assim o honra e reverencia (S. Th., II-II, q. 81). Dessa maneira, dentro dos vícios contra esta virtude, dentro da superstição – em concreto, dentro do culto às criaturas –, situa-se a adivinhação por meio dos espíritos dos mortos (S. Th., II-II, q. 95).

Se o ser humano precisasse conhecer o futuro, Deus usaria seu senhorio e lhe comunicaria, por revelação direta, por meio de Nossa Senhora, dos santos ou pelos meios que Ele quiser. Usurpar, ou melhor, pretender usurpar este direito é impossível para qualquer um que não seja Deus. E a tentativa já é um pecado.

É verdade que o homem pode usar seus meios e capacidades naturais para, estudando as causas naturais, conhecer o que pode acontecer, os efeitos, dentro da ordem da natureza e do seu próprio âmbito. E assim também podem fazer os anjos, seres mais perfeitos que o homem – daí que possam conhecer mais coisas que o próprio ser humano (S. Th., II-II, q. 172, a. 5).

No entanto, só Deus pode conhecer tudo e dispor do futuro completamente – do que ocorre no céu, no inferno e na criação natural, ou seja, no universo em que vivemos (S. Th., I, q. 14, a. 13; q. 57, a. 3; q. 86, a. 4). Isso é assim porque só Deus é Senhor e Criador, único, onipotente e onisciente. Além disso, Deus é a causa eficiente de tudo o que existe, e mantém tudo em sua existência continuamente. Só Deus é “Ipsum Esse Subsistens“, o ser-que-existe-e-é-por-si-mesmo (S. Th., I, q. 4, a. 2). É por isso que só Deus dispõe das coisas e pode revelar o futuro. Ninguém mais.

Além disso, Deus é providente, ou seja, ordena as coisas ao seu fim; e o fim último das coisas é o bem divino (S. Th., I, q. 22). Assim, devemos confiar nele e não tentar usar os espíritos dos mortos para conhecer o futuro.

Finalmente, São Tomás afirma que é possível pecar com o espiritismo especialmente de duas maneiras: pelo pecado de curiosidade, que é o mais amplo em seu sentido que o conceito que temos desta palavra – de fato, São Tomás a define como um desejo desordenado e desenfreado de conhecer novidades (S. Th., II-II, q. 167 a. 1), quanto à causa final; e pelo pecado de superstição, que consiste em crer mais do que se deve, quanto à causa material.

Leia mais (as 4 matérias completas):

É possível comunicar-se com os mortos? (1 de 4)

É possível comunicar-se com os mortos? (2 de 4)

É possível comunicar-se com os mortos? (3 de 4)

É possível comunicar-se com os mortos? (4 de 4)

Referências:
+ Catecismo da Igreja Católica, números 2115, 2116, 2117.
+ “A propósito de magia e demonologia”. Nota pastoral da Conferência Episcopal Toscana, 1994.

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