Aleteia
Terça-feira 20 Outubro |
São Cornélio
Atualidade

Queda do comunismo: João Paulo II fez a diferença

AP/Bob Daugherty

George Weigel - publicado em 02/02/14

O fato de que 1989 tenha terminado sem derramamento de sangue não pode ser explicado sem referência ao papa polonês

Há 25 anos, em 27 de janeiro de 1989, uma declaração conjunta do governo comunista da Polônia, do sindicado Solidariedade e da Igreja Católica anunciou uma “mesa redonda” nacional para discutir o futuro do país, incluindo os principais problemas estruturais da política e da reforma econômica.


A mesa redonda começou no mês seguinte e os acordos se deram em abril; em junho, houve eleições parcialmente livres; em setembro, o líder de Solidariedade, Tadeusz Mazowiecki, tornou-se o primeiro presidente não comunista da Polônia desde a 2ª Guerra Mundial.


A Polônia foi o primeiro país do Pacto de Varsóvia em cair. Sua transição acelerou a Revolução de 1989, que se completou no final de dezembro de 1989 com a posse de Vaclav Havel, que ainda era preso político no começo do ano, como presidente da Tchecoslováquia.


Durante o último quarto de século, vários teóricos tentaram explicar “1989”, em geral centrando-se nas incapacidades econômicas dos regimes comunistas na era pós-industrial, na personalidade do líder soviético Mikhail Gorbachov ou em alguma combinação destes dois fatores.


Sem dúvida, a incapacidade das economias planificadas, centradas no Estado, para competir em um mundo de alta tecnologia tem algo a ver com 1989, assim como o fato de que Gorbachov, que vinha de uma geração diferente de dirigentes soviéticos, não estivesse disposto a usar os tanques para manter o império exterior de Stalin. Mas limitar a análise à economia e a Gorbachov parece ignorar uma questão histórica maior: o que fez que 1989 não envolvesse derramamento de sangue e violência massiva – os dois métodos habituais do século XX para efetuar uma grande mudança social?


Permitam-me sugerir, mais uma vez, uma resposta.


A partir da publicação de A Revolução Final de 1992, argumentei que 1989 era, no fundo, uma revolução da consciência, uma revolução do espírito humano. O caráter essencial dessa revolução moral foi captado pelo dissidente polonês Adam Michnik, em uma sentença histórica que também foi o fundamento ético de um programa político: “A história nos ensina que quem começa assaltando a Bastilha acaba construindo suas próprias Bastilhas”.


Os líderes de 1989, em outras palavras, determinaram que 1989 não seria uma repetição de 1789. Queriam construir um futuro de liberdade sobre um fundamento mais nobre que a afirmação revolucionária francesa da voluntariedade radical pessoal – que, depois do assalto real da Bastilha, rapidamente se converteria em turbas enlouquecidas, sedentas de sangue.


Dito isso, de onde procede esta determinação de ser diferente? Ela vinha de muitas fontes. Vinha de anos de uma séria reflexão política dos dissidentes da classe operária e os intelectuais da Europa Central, grande parte dela levada a cabo nos centros penitenciários, e se expressa em clássicas obras “underground”, como “Cartas da prisão de Gdansk, 1985”, de Michnik, e o magnífico ensaio de Havel, “O poder dos sem poder”.


Vinha também da interação desses dissidentes, suas organizações e os diversos grupos de vigilância de Helsink que se estabeleceram no mundo ocidental para supervisionar o cumprimento dos regimes comunistas dos Acordos de Helsinki de 1976: um ato cínico de mentira diplomática mediante o qual a União Soviética e seus satélites se comprometeram a honrar os direitos humanos básicos, e uma loucura que depois lamentariam amargamente.


Vinha também de um presidente americano, Ronald Reagan, que estava disposto a chamar a maldade política e social pelo seu nome real, e não se importava com o que os partidários da diplomacia silenciosa pensavam.


E vinha do Papa João Paulo II, que será canonizado precisamente três meses depois do 25º aniversário da convocação da mesa redonda polonesa.


A revolução – uma revolução da consciência moral – havia começado a aparecer na Europa central e oriental desde 1968, quando a Primavera de Praga foi esmagada pelos tanquessoviéticos. Como arcebispo de Cracóvia, o homem que se tornaria João Paulo II incentivou aquela revolução, reunindo os dissidentes crentes e não crentes moralmente sérios.


Depois, como Papa, João Paulo II concentrou energia moral, que ainda era latente, em algo assim como um laser, em um forte e brilhante raio da consciência, durante sua peregrinação à sua Polônia natal em junho de 1979, ajudando as pessoas da Europa centro-oriental a redescobrir sua dignidade.


O comunismo teria caído com o tempo. Mas se caiu como e quando o fez, isso não pode ser explicado sem referência a João Paulo II e à revolução da consciência que ele chegou a encarnar.

Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • A Aleteia é publicada em 8 idiomas: Português, Francês, Inglês, Árabe, Italiano, Espanhol, Polonês e Esloveno.
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

Tags:
comunismoJoao Paulo IIViagem
Oração do dia
Festividade do dia





Top 10
Aleteia Brasil
Quer dormir tranquilo? Reze esta oração da no...
st charbel
Reportagem local
Por acaso não está acontecendo o que São Char...
Ellen Mady
Para Jesus não existe novena melhor do que es...
TRIGEMELAS
Esteban Pittaro
A imagem de Nossa Senhora que acompanhou uma ...
ícone São Lucas Nossa Senhora Jesus médico
Reportagem local
Oração a São Lucas, evangelista e médico, pel...
violência contra padres no Brasil
Francisco Vêneto
Outubro de cruz para padres no Brasil: um per...
No colo de Maria
Como rezar o terço? Um guia ilustrado
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia