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Religião

Cardinalato: um serviço à Igreja

GIANCARLO GIULIANI/CPP

Dom Orani João Tempesta - CNBB - publicado em 11/03/14

O Papa Francisco neste último consistório frisou muito bem a nós cardeais, nas suas duas homilias, o sentido dessa escolha e dessa missão

Foram muitas perguntas feitas sobre a nova missão que recebi do Papa Francisco. Muitas coisas já foram ditas, mas creio que seria importante frisar alguns textos que o Papa se refere a essa missão e o trabalho que compete aos Cardeais.

O Colégio Cardinalício tem sua origem nos Bispos das dioceses sufragâneas e nos presbíteros e diáconos – tanto regionais como palatinos – de Roma, que eram conselheiros do Papa. O título de Cardeal foi usado pela primeira vez por Silvestre I (314-335) para designar aqueles que exerciam o ofício na Diocese de Roma, à frente das diversas regiões, as 25 igrejas quase-paróquias e seus respectivos presbíteros titulares e os 7 bispos das dioceses suburbicárias ou próximas a Roma (Albano, Ostia, Palestina, Porto e Santa Rufina, Sabina e Poggio Miterto e Velletri). A partir do século XII começaram a incorporar-se ao Colégio Cardinalício membros residentes fora de Roma.

Foi Alexandre III (1115-1181), com a Constituição Apostólica “Licet de evitando” (19 de março de 1179), quem estabeleceu a exclusividade da eleição pontifícia e do governo quando a sede romana estivesse vacante. O Papa Sisto V (1585-1590), na Constituição Apostólica “Postquam verus ille” (3 de dezembro de 1586), determinou o número de 70 cardeais como número máximo para o grêmio eleitoral. Desde 1962, todos os Cardeais recebem a consagração episcopal (Cân 351,1). O Servo de Deus Paulo VI (1963-1978), com a Constituição Apostólica “Romano Pontifici elegendo” (01/10/1973), elevou o número de cardeais para 120, e os cardeais eleitores que tiverem no momento do conclave completado 80 anos não participam da mesma (“Ingravescem aetatem”- 20 de novembro de 1970). O beato João Paulo II (1978-2005), na Constituição Apostólica “Universi Domini Gregis” (22/2/1996), determinou que os eleitores do papa não devem ser mais de 120.

O cânon 230 do Código de 1917 descrevia os cardeais como Senado do Romano Pontífice e os seus principais colaboradores no regime da Igreja Universal. Já no Código atual, que é de 1983, desapareceu a qualificação de senado e é atribuída aos cardeais uma dupla função: eleger o Papa e assistir o Romano Pontífice na sua tarefa de Pastor universal, tanto colegialmente – quando são convocados, sobretudo nos consistórios – como individualmente, através dos distintos ofícios que podem desempenhar. São Cardeais os Prefeitos ou Presidentes dos organismos da Cúria Romana, e todos os Cardeais – também os que não residem em Roma –, são nomeados pelo Romano Pontífice membros de um ou vários Dicastérios da Cúria num período de cinco anos, que pode ser prorrogado devido à resolução de seus assuntos mais importantes.

O Papa Francisco neste último consistório frisou muito bem a nós cardeais, nas suas duas homilias (dia 22 e 23 de fevereiro), o sentido dessa escolha e dessa missão. Na homilia do dia 22, o Papa nos apresentou o cardinalato como um caminho. Para isso, tomou a passagem: “Jesus caminhava à frente deles” (Mc 10,32), e frisou que este caminhar é com Cristo e com a sua cruz. Mesmo que tenhamos medo ao longo do caminho devemos confiar em Jesus, pois Ele é a segurança das nossas vidas. “Deixemos que o Senhor Jesus nos chame para junto de Si! Deixemo-nos “con-vocar” por Ele. E ouçamo-Lo, com a alegria de acolhermos juntos a sua Palavra: de nos deixarmos instruir por ela e pelo Espírito Santo para, ao redor de Jesus, nos tornarmos cada vez mais um só coração e uma só alma (Homilia do Papa Francisco aos cardeais 22/02/2014).

No dia 23 de fevereiro, o Papa começa a sua homilia citando a oração da coleta: “a vossa ajuda, Pai misericordioso, sempre nos torne atentos à voz do Espírito”. “Esta oração, pronunciada no início da Missa, convida-nos a uma atitude fundamental: a escuta do Espírito Santo, que vivifica a Igreja e a anima. Com a sua força criativa e renovadora, o Espírito sustenta sempre a esperança do povo de Deus que caminha na história e sempre sustenta, como Paráclito, o testemunho dos cristãos. Neste momento, todos nós, juntamente com os novos Cardeais, queremos ouvir a voz do Espírito que nos fala através das Escrituras proclamadas” (Homilia do Papa Francisco aos cardeais no dia 23/02/2014).

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