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Comunhão católico-ortodoxa: o objetivo de Francisco e Bartolomeu

Orthodoxy State and Society Mr TinDC – pt

Mr TinDC

John Burger - Aleteia Vaticano - publicado em 30/05/14


Entre os exemplos do que une as duas Igrejas estão o credo, a tradição apostólica, o sacerdócio, o episcopado e os sete sacramentos.

O grande obstáculo é a questão do papel do papa de Roma e a sua função num corpo unido em que as Igrejas ortodoxas são chefiadas por bispos autocéfalos.

Mons. McPartlan considerara significativo que o papa Francisco tenha invocado uma proposta feita em uma encíclica de 1995, pelo seu antecessor João Paulo II, para repensar o papel do papado.

"Francisco renovou de forma muito explícita o apelo de São João Paulo II na Ut Unum Sint, o desejo de um diálogo que encontre uma forma de se exercer o ministério papal com fidelidade à sua verdadeira natureza, mas aberto a uma nova situação, podendo ser visto por todos como um ministério a serviço do amor e da comunhão", disse McPartlan, que é também professor de Teologia Sistemática e Ecumenismo na Universidade Católica da América, em Washington. "Achei muito significativo o papa Francisco repetir explicitamente as palavras de São João Paulo II, porque são palavras muito importantes, abertas e acolhedoras, que incentivam o diálogo sobre o primado universal. Porque, se como os católicos acreditam, nosso Senhor confiou esse ministério à sua Igreja e ele é um dos dons preciosíssimos que Ele nos deu, temos que procurar o modo certo de exercê-lo para que os cristãos apreciem de fato esse dom maravilhoso de Jesus".

O pe. Roberson, que também trabalha no diálogo com os ortodoxos e com outras igrejas, afirmou: "Acho que há uma percepção geral de que os cristãos não vão se reconciliar sem resolver este problema em particular, porque, seja qual for o tipo de reconciliação ou de acordo que possa ser conseguido, o papa vai ter que ter um papel. O ministério petrino tem que fazer parte".

"Para os ortodoxos, a menção de Francisco à Ut Unum Sint é uma espécie de afirmação do fato de que reconhecemos essa questão como crítica e de que ela precisa de resolução", acrescentou o padre Thomas FitzGerald, professor de História da Igreja e de Teologia Histórica na Escola Greco-Ortodoxa de Teologia da Santa Cruz, em Massachusetts. "Ambas as Igrejas têm de refletir mais profundamente sobre a inter-relação entre primado e conciliaridade. Para nós, esta é a questão-chave. Não podemos falar do primado sem a conciliaridade ou sinodalidade, nem da sinodalidade sem o primado".

Ele afirma que a recente discussão do papa Francisco sobre "a abordagem sinodal" ressoou nos ouvidos ortodoxos: "Onde está a inter-relação adequada entre primado e conciliaridade?".

Para explicar este conceito, o pe. FitzGerald apontou o nível mais básico de vida católica ou ortodoxa: a celebração semanal ou diária da Eucaristia.

"Eu acho que, ao longo da vida da Igreja, nós vemos este princípio em ação e ele começa justo no local da Eucaristia", disse ele. "O sacerdote preside a Eucaristia no meio da comunidade fiel. Não se pode fazer uma Eucaristia sem o povo; o povo não pode fazer a Eucaristia sem o sacerdote que preside. O sacerdote é que apresenta as ofertas em nome de toda a comunidade e é a comunidade que diz ‘amém’ ao que o padre diz, à oração da Igreja. No resto da estrutura da vida da Igreja isso funciona muito bem, às vezes melhor do que em outros momentos: a relação entre bispo e clero, a relação entre o arcebispo e o bispo e, finalmente, no nível dos patriarcas e papas. Os leigos podem ver que isso é o que fazemos na Eucaristia: temos aquele que preside no amor em meio à comunidade, que nos guia na oração, proclamando as escrituras, comentando as escrituras, apresentando as ofertas e oferecendo a grande oração de ação de graças".

Mas qualquer mudança de atitude em relação ao papel do papa terá que acontecer nos dois sentidos. George Demacopoulos, diretor do Centro de Estudos Cristãos Ortodoxos na Universidade de Fordham, em Nova Iorque, opina que, entre seus colegas ortodoxos, "tem que haver muito mais vontade de se ver a eficácia em algum papel do primado, porque a estrutura eclesiástica ortodoxa atual não tem uma figura central para essa união, o que não está nos levando a lugar nenhum também. Não é coincidência que não tenha havido nenhum encontro significativo de bispos ortodoxos desde o Império Bizantino. Não existe aquela estrutura centraliza que pode unir o mundo ortodoxo".

Com estas considerações, podem ser necessárias mais algumas peregrinações à Terra Santa antes que quaisquer novos passos sejam dados.

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Tags:
EcumenismoTerra Santa
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