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O enigma dos resultados positivos, segundo Felipão, Dilma, Aécio, Marina e companhia

Fábio Pozzebom/ABr
Bandeira do Brasil na Praça dos Três Poderes (Brasília)
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Uma receita de 2.500 anos para virar um jogo de 7×1 (5ª Parte)

Esta é a quinta parte da série “Uma receita de 2.500 anos para virar um jogo de 7×1”. Traçando um paralelo entre o nosso país e o fracasso da seleção brasileira na Copa de 2014, a série de artigos propõe 10 pontos a repensarmos como sociedade, em especial ao se aproximar a data em que convocaremos a seleção que nos representará durante os próximos quatro anos em Brasília e nas capitais estaduais.
 
6. MENSURAÇÃO DE RESULTADOS
 
Na semifinal da Copa do Mundo deste ano, a seleção brasileira manteve 53% de posse de bola. Isso poderia ter sido uma vantagem, caso o grupo tivesse sabido o que fazer com essa vantagem. Mas o Brasil deu 18 chutes a gol e marcou 1, enquanto a Alemanha deu 13 e converteu 7, sendo 4 deles em 6 minutos.
 
O então técnico do time brasileiro deu uma entrevista póstuma e declarou que os resultados da seleção na Copa, no geral e apesar do último placar, tinham sido "positivos".
 
Coube então perguntar: o que é que podemos entender, na prática, por "resultados positivos" no caso de um fracasso tão gritantemente injustificável?
 
A mesma pergunta continua cabendo hoje para a nossa "seleção" de candidatos a presidente, governadores, senadores e deputados, já que os marqueteiros que os treinam nas firulas e jogadas eleitoreiras insistem em destacar seus "resultados positivos" do passado, do presente e principalmente do mais cor-de-rosa dos futuros. Afinal, se Felipão teve o direito de achar positivo o mesmo resultado que o jornal espanhol Marca resumiu em letras garrafais como "eterna desonra", também os candidatos ao executivo e ao legislativo têm o direito de achar positivo o que bem entenderem.
 
É a nós, eleitores, que, independentemente das maravilhas que os candidatos propagandeiam, cabe a responsabilidade de avaliar esses resultados, alardeados de um passado de glória desvairada ou prometidos para um futuro de abstrata opulência, perguntando-nos exatamente quais são os números concretos que nos permitem mensurá-los e comprová-los. É assim que podemos concluir de maneira racional e razoável se esses resultados são mesmo "positivos" ou se, a exemplo do vexaminoso 7×1 em plena semifinal de Copa do Mundo em casa, estão mais para "eterna desonra".
 
Talvez nem todo tipo de progresso possa ser quantificado, mas não podemos deixar de olhar para os números mais elementares que indicam o avanço, a estagnação ou o retrocesso da nossa qualidade de vida no dia-a-dia: o que é que se entende por "resultado positivo" no tocante à inflação, por exemplo, se ela é de 6,5% diante de uma meta já questionavelmente alta de 4,5%? Ou quando a promessa de campanha era de um crescimento nacional anual médio de 5,9% e o resultado real deverá ficar em 1,6%? Ou quando a coleta de lixo nas cidades precisava crescer 11 pontos percentuais para se tornar universal, mas cresceu menos de 1 ponto percentual no acumulado dos últimos quatro anos? Ou quando a cobertura da rede de esgoto era de 52,6% em 2009 e só cresceu para 58,1% em 2013? Ou quando os governos garantem mundos e fundos para o transporte público, mas não informam quantos quilômetros exatamente serão construídos de corredores de ônibus, ciclovias e metrô nos próximos 6, 12 e 18 meses, nesta rua deste bairro desta cidade?
 
E a oposição, propõe que números? Ataca que números? Baseando-se em quê? Tirando-os de onde? Sim, porque nem os números se bastam sozinhos: eles precisam ser postos à prova, fundamentados, revisados e auditados. Com números, afinal, é possível demonstrar de tudo (de vez em quando, até a verdade).
 
Números concretos e verificáveis são o mínimo que se espera que qualquer candidato respeitável a qualquer cargo relevante apresente durante uma campanha séria. E quando o processo eleitoreiro é pautado por marqueteiros que julgam contraproducente apresentar programas de governo precisamente porque eles podem gerar cobranças desagradáveis aos candidatos, a necessidade de olhar para os números se torna ainda mais obrigatória.

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