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Uma receita de 2.500 anos para virar um jogo de 7×1 (5ª Parte)

Fábio Pozzebom/ABr

Bandeira do Brasil na Praça dos Três Poderes (Brasília)

E. Chitolina - publicado em 01/10/14

O enigma dos resultados positivos, segundo Felipão, Dilma, Aécio, Marina e companhia

Esta é a quinta e última parte da série “Uma receita de 2.500 anos para virar um jogo de 7×1”. Traçando um paralelo entre o nosso país e o fracasso da seleção brasileira na Copa de 2014, a série de artigos propõe 6 pontos a repensarmos como sociedade, em especial ao se aproximar a data em que convocaremos a seleção que nos representará durante os próximos quatro anos em Brasília e nas capitais estaduais.

6. MENSURAÇÃO DE RESULTADOS

Na semifinal da Copa do Mundo deste ano, a seleção brasileira manteve 53% de posse de bola. Isso poderia ter sido uma vantagem, caso o grupo tivesse sabido o que fazer com essa vantagem. Mas o Brasil deu 18 chutes a gol e marcou 1, enquanto a Alemanha deu 13 e converteu 7, sendo 4 deles em 6 minutos. O então técnico do time brasileiro deu uma entrevista “póstuma” e declarou que os resultados da seleção na Copa, no geral e apesar do último placar, tinham sido “positivos”.

Coube então perguntar: o que é que podemos entender, na prática, por “resultados positivos” no caso de um fracasso tão gritantemente injustificável?

A mesma pergunta continua cabendo hoje para a nossa “seleção” de candidatos a presidente, governadores, senadores e deputados, já que os marqueteiros que os treinam nas firulas e jogadas eleitoreiras insistem em destacar seus “resultados positivos” do passado, do presente e principalmente do mais cor-de-rosa dos futuros. Afinal, se Felipão teve o direito de achar positivo o mesmo resultado que o jornal espanhol Marca resumiu em letras garrafais como “eterna desonra”, também os candidatos ao executivo e ao legislativo têm o direito de achar positivo o que bem entenderem.

É a nós, eleitores, que, independentemente das maravilhas que os candidatos propagandeiam, cabe a responsabilidade de avaliar esses resultados, alardeados de um passado de glória desvairada ou prometidos para um futuro de abstrata opulência, perguntando-nos exatamente quais são os números concretos que nos permitem mensurá-los e comprová-los. É assim que podemos concluir de maneira racional e razoável se esses resultados são mesmo “positivos” ou se, a exemplo do vexaminoso 7×1 em plena semifinal de Copa do Mundo em casa, estão mais para “eterna desonra”.

Talvez nem todo tipo de progresso possa ser quantificado, mas não podemos deixar de olhar para os números mais elementares que indicam o avanço, a estagnação ou o retrocesso da nossa qualidade de vida no dia-a-dia: o que é que se entende por “resultado positivo” no tocante à inflação, por exemplo, se ela é de 6,5%, acima de uma meta já questionavelmente alta de 4,5%? Ou quando a promessa de campanha era de um crescimento nacional anual médio de 5,9% e o resultado real deverá ficar em 1,6%? Ou quando a coleta de lixo nas cidades precisava crescer 11 pontos percentuais para se tornar universal, mas cresceu menos de 1 ponto percentual no acumulado dos últimos quatro anos? Ou quando a cobertura da rede de esgoto era de 52,6% em 2009 e só cresceu para 58,1% em 2013? Ou quando os governos garantem mundos e fundos para o transporte público, mas não informam quantos quilômetros exatamente serão construídos de corredores de ônibus, ciclovias e metrô nos próximos 6, 12 e 18 meses, nesta rua deste bairro desta cidade?

E a oposição, propõe que números? Ataca que números? Baseando-se em quê? Tirando-os de onde? Sim, porque nem os números se bastam sozinhos: eles precisam ser postos à prova, fundamentados, revisados e auditados. Com números, afinal, é possível demonstrar de tudo (de vez em quando, até a verdade).

Números concretos e verificáveis são o mínimo que se espera que qualquer candidato respeitável a qualquer cargo relevante apresente durante uma campanha séria. E quando o processo eleitoreiro é pautado por marqueteiros que julgam contraproducente apresentar programas de governo precisamente porque eles podem gerar cobranças desagradáveis aos candidatos, a necessidade de olhar para os números se torna ainda mais obrigatória. É inaceitável qualquer “justificativa” para não se falar de números concretos numa campanha eleitoral.

Consideremos novamente a Alemanha, aquela Alemanha cujos bons resultados mensuráveis vão além de um bom futebol. Com 40% da nossa população e 1/8 do nosso território, ela produz o dobro de riqueza que nós, gerando um PIB de 4 trilhões contra o nosso de 2 trilhões, e reparte essa riqueza com quatro vezes mais eficácia, garantindo aos seus cidadãos uma renda per capita de 30 mil dólares contra a nossa de 8 mil. “Ah, mas a situação da Alemanha é bem diferente da nossa”, poderiam retrucar. E é mesmo: a Alemanha foi devastada e derrotada numa Guerra Mundial há menos de 70 anos, numa época em que nós já éramos o mesmo País do Futuro que continuamos sendo até hoje, e superou o passado enquanto outros governos (e oposições) o usam como desculpa esfarrapada de prazo indeterminado para disfarçar a eterna desonra dos seus números medíocres.

Período de campanha eleitoral até permite que os candidatos falem do que já fizeram, e deve-se reconhecer que vários deles de fato já fizeram várias coisas positivas. Mas, em período de campanha eleitoral séria, o que de fato interessa ao país são os números concretos que os candidatos propõem para um país melhor daqui para frente: quais são as suas metas concretas para a inflação daqui a 6, 12 e 18 meses, por exemplo? Em quanto tempo será possível contar com a coleta de esgoto em 100% das residências do país? Quanto custa essa meta e de onde virá o dinheiro para realizá-la? Em quantos pontos percentuais serão reduzidos os índices de homicídio por 100.000 habitantes na região metropolitana de Maceió em abril de 2016? Qual será a exata extensão da rede ferroviária em Santa Catarina em agosto de 2017? Qual é o tempo máximo aceitável, em meses, para que uma família dependente de bolsa governamental conquiste a independência de quaisquer subsídios e quais serão os parâmetros verificáveis que garantirão que ela de fato ascendeu para a classe média?

É esse o tipo de resultados mensuráveis aos quais é preciso dar atenção.

Sem eles, os nossos “técnicos” voltarão aos microfones daqui a quatro anos para dizer que consideram os seus resultados “positivos”, muito embora esses mesmos resultados também possam ser interpretados, de novo, como “eterna desonra”.

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