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Compreendendo a visão apocalíptica do papa Francisco

AP Photo/Alessandra Tarantino
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Ele quer que entendamos que a Igreja está em conflito com o espírito deste mundo

Muitos católicos têm dificuldades para alocar o papa Francisco em seus padrões convencionais de pensamento. É que ele quebra os esquemas. Ele nos surpreende com novas perspectivas e novas combinações. Como papa que veio do mundo em desenvolvimento, ele tem um conjunto diferente de prioridades, percepções e princípios, e, para os católicos do mundo desenvolvido, caso realmente o estejam ouvindo, a maneira dele de ver o mundo e de se comportar como católico nos tempos atuais pode ser desconcertante e confusa.
 
Assim, por exemplo, os católicos mais progressistas têm se encantado com o foco do papa Francisco nos pobres e com as suas declarações sobre a justiça econômica. Eles também ficaram satisfeitos com o que parece ser uma atitude mais aberta em relação às pessoas que sentem atração pelo mesmo sexo. Eles elogiaram a sua compaixão pelos imigrantes, o seu endosso da reforma no Vaticano e a sua preocupação com o meio ambiente. Mas eis que, de repente, Francisco os surpreende falando mais que qualquer outro papa recente sobre a realidade do diabo e da batalha espiritual contra as forças sobrenaturais. Progressistas católicos ocidentais ficaram surpresos e decepcionados quando Francisco, na recente viagem às Filipinas, se manifestou firmemente contrário ao aborto, defendeu a proibição católica da contracepção artificial e criticou a injustiça e a perversão de se equiparar a união homossexual com o casamento natural. Eles ficaram desapontados quando o papa disse com toda a clareza que a porta para a ordenação de mulheres está definitivamente fechada. Como é que um papa que era tão progressista foi se tornar tão “repressivo”?
 
Quanto aos católicos conservadores, em particular no mundo desenvolvido, eles passam por um problema similar. Eles aplaudem quando o papa Francisco apoia a moralidade tradicional e defende a família. Eles ficam satisfeitos quando ele excomunga um padre que apoia a ordenação de mulheres. Eles acenam em concordância quando o papa fala da guerra espiritual, da necessidade de confissão frequente e do aumento do fervor na missa. Mas os católicos conservadores do Ocidente ficam espantados quando o papa telefona para uma mulher divorciada que voltou a se casar e, supostamente, lhe diz que ela deveria comungar. Eles ficam nervosos quando os favoritos do papa no sínodo sobre a família parecem assumir uma postura liberal. Eles não gostam quando o papa abraça os teólogos da libertação, faz amizade com ateus e fica íntimo dos protestantes e dos líderes de outras religiões mundiais. "Como é que o papa faz essas coisas?", perguntam-se eles. "O que é que está acontecendo?".
 
Eu acredito que a melhor maneira de superar os pontos cegos entre muitos católicos ocidentais e o papa é pensar fora da caixa, porque o papa Francisco não se encaixa em nenhuma embalagem. Estou convencido de que o caminho para entender este papa é prestar atenção a uma referência que ele já fez muitas vezes a um romance de um clérigo inglês convertido, chamado Robert Hugh Benson.
 
Benson publicou “Lord of the World” [“Senhor do Mundo”], em 1907, como resposta à visão utópica e ateísta do autor britânico H. G. Wells. Em “Senhor do Mundo”, uma sociedade socialista e humanista passou a dominar a humanidade. A religião foi suprimida. As pessoas não têm esperança, o que faz com que a eutanásia não só seja legal, como também incentivada. Um mundo único, secular, com um governo ateu e um líder mundial a quem cabe o epíteto de anticristo.
 
O papa Francisco já citou essa trama de Benson inúmeras vezes durante o seu papado, o que me faz acreditar que esta obra é uma chave para compreendermos

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