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Charles Townes, inventor do laser, ganhador do Prêmio Nobel e crente em Deus

Public Domain/Wikimedia Commons
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Uma vida dedicada a explorar o universo não apenas físico, mas também espiritual

O fisicalismo, na história da filosofia, é uma visão de mundo segundo a qual não existe nada no universo além das coisas que são físicas. Charles Hard Townes, ganhador do Prêmio Nobel de Física e grande conhecedor do mundo físico, não concorda com essa ideia.
 
Ele foi aclamado pelo seu brilhantismo nos domínios da física e é reconhecido pela contribuição que deu à criação do laser. Além disso, Charles Hard Townes manteve uma profunda e permanente fé em algo que não pode ser explicado pela ciência.
 
Religião e fé, disse ele em uma entrevista de 2005 ao jornal da Universidade da Califórnia em Berkeley, têm "um significado muito profundo para mim: eu sinto a presença de Deus. Eu sinto essa presença na minha própria vida como um espírito que, de alguma forma, está comigo o tempo todo".
 
O trabalho de Townes beneficiou de muitas formas a humanidade toda. O laser é onipresente na vida moderna, desde as muitas modalidades tecnológicas de comunicação até a maneira de ouvirmos música, sem esquecer as inovadoras possibilidades dos procedimentos cirúrgicos. Milhões de pessoas, na semana passada, leram a notícia do falecimento de Townes na internet, uma rede cuja alta velocidade de transmissão de dados depende dos cabos de fibra óptica, os quais, por sua vez, funcionam graças à invenção do laser.
 
Mas o cientista que morreu neste mês, aos 99 anos de idade, também passou um bom tempo pensando, escrevendo e falando sobre um tipo diferente de ciência: a teologia. Seus esforços lhe garantiram em 2005 o Prêmio Templeton pelo Progresso em Pesquisa e Descobertas sobre Realidades Espirituais. A Associated Press publicou a notícia lembrando que “Townes também era conhecido pela sua forte fé espiritual. Membro dedicado da Igreja Unida de Cristo, ele atraiu elogios e ceticismo ao longo da carreira com discursos e ensaios focados nas similaridades entre ciência e religião”.
 
"A ciência tenta entender como é e como funciona o nosso universo, incluindo os seres humanos", escreveu Townes em 2005, ao ser homenageado com o Prêmio Templeton pelas suas contribuições em "afirmar a dimensão espiritual da vida". E prosseguiu: "A minha opinião é que a ciência e a religião podem parecer diferentes, mas guardam muitas similaridades e deveriam interagir e iluminar-se reciprocamente".
 
Em 1966, ele tinha publicado o artigo "A Convergência de Ciência e Religião", na revista THINK, da IBM. A diferença entre ciência e religião "é em grande parte superficial", escrevera; "as duas se tornam quase indistinguíveis quando olhamos para a verdadeira natureza de cada uma".
 
Numa época em que muitos cientistas evitam com firmeza qualquer laço com a religião, as opiniões manifestadas no artigo foram vistas como “blasfêmia” por pessoas de ambas as comunidades. Ao longo dos anos, Townes escreveu e falou muitas vezes sobre o assunto.
 
"Muitas pessoas não percebem que a ciência, basicamente, envolve pressupostos e fé. Mas nada é absolutamente comprovado", declarou ele na época. "Coisas maravilhosas, tanto na ciência quanto na religião, brotam dos nossos esforços alicerçados em observações, hipóteses atentamente pensadas, fé e lógica".
 
"De alguma forma, nós, seres humanos, fomos criados à semelhança de Deus", disse ele ao jornal da Universidade da Califórnia em Berkeley. "Nós temos o livre arbítrio. Temos independência, podemos fazer e criar coisas e isso é maravilhoso. E, à medida que aprendemos mais e mais, vamos reforçando mais ainda esta nossa característica. Que tipo de vida nós vamos construir? É sobre esta questão que o universo é aberto. O propósito do universo, penso eu, é presenciar este desenvolvimento e permitir que os humanos exerçam a liberdade de fazer coisas que tragam bons resultados para eles e para o resto do mundo".

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