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A fome que a mídia tem ignorado

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Zoe Romanowsky - publicado em 29/01/16

Agências católicas se mobilizam para enfrentar a crise humanitária que ameaça a vida de milhões no leste da África

É uma crise que ainda não recebeu atenção da grande mídia, mas a pior seca enfrentada pela Etiópia nos últimos 50 anos ameaça a vida de milhões de pessoas, e parece se agravar a cada dia.

Segundo as Nações Unidas, 8,2 milhões de pessoas encontram-se em situação de emergência alimentar, das quais cerca de um milhão foram forçadas a abandonar suas casas em busca de água e alimento. A estimativas do governo etíope são ainda maiores, e Fr. Haile Gabriel Meleku, secretário-geral da Conferência Episcopal Etíope, teme que até mesmo os números do governo estejam subestimados – segundo o Scottish Catholic Observer, apenas nos últimos dois meses, o número de pessoas diretamente afetadas pela seca cresceu em dois milhões.

Fr. Meleku diz: “a catástrofe pode ser sentida em todo lugar,”, e o conflito pode se desencadear na medida em que as pessoas são forçadas a disputar recursos tão escassos. Fr. Meleku descreve a crescente movimentação de grandes massas de pessoas em busca de água e comida, escolas abandonadas e morte dos rebanhos.

A Al Jazeera America contatou uma enfermeira que atua num dos centros católicos mantidos pelas Filhas de Sant’Ana, no norte da Etiópia. Ela diz “ser pouco o que podem fazer” pelas mães que as procuram – subnutridas, não produzem leite suficiente para seus bebês.

Até então, o governo etíope tem atuado fortemente para mitigar os impactos das crises alimentares – como a ocorrida em 1984, que causou a morte de mais de um milhão de etíopes. Mas, mesmo empregando um sofisticado programa de segurança alimentar – que inclui estoques nacionais estratégicos de alimento e sistemas de alerta de catástrofes – o país ainda depende de auxílio internacional.

“A informação chega à mídia mundial tarde demais,” diz Sebhatu Seyoum, coordenador de desenvolvimento social do Secretariado Católico Diocesano de Adigrat.

Bispos da Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS – ACN) emitiram um comunicado, dias antes do Natal, no qual atribuem às “mudanças climáticas” e à “degradação ambiental” a crise atualmente enfrentada pela Etiópia.

No documento, os prelados citam a encíclica do Papa Francisco sobre o meio-ambiente, Laudato Si, que bem descreve a situação na Etiópia: “Muitos dos mais pobres vivem em áreas (…) afetadas pelo aquecimento (global), e seus meios de subsistência dependem das reservas naturais e de serviços ecossistêmicos como a agricultura (…) estes não tem outra atividade econômica nem recursos para se adaptarem às mudanças climáticas ou enfrentar desastres ambientais.”

A AIS acaba de enviar 500 mil dólares em ajuda humanitária emergencial, destinados principalmente às dioceses da região de Tigray – as mais afetadas pela fome.

“Somos uma agência pastoral, mas estamos prontos para responder à todas as necessidades da comunidade cristã e de todos os cidadãos em condição vulnerável – exatamente como temos feito na Síria e no Iraque, países castigados pela guerra,” diz o diretor executivo da AIS internacional Sarkis Boghjalian, acrescentando: “em especial neste Ano da Misericórdia, os fiéis do ocidente devem dar apoio aos necessitados de todo o mundo.”

Caso queira contribuir para com as agências que atuam no combate à fome na Etiópia, acesse os sites:

Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre – Brasil

Catholic Near East Welfare Association (CNEWA)

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