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Papa a padres: estar próximo do povo; não somos príncipes

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Pope Francis leads his weekly general audience in St. Peter's Square in Vatican City, October 26, 2016. © Antoine Mekary / ALETEIA

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"Nós não somos príncipes, filhos de príncipes, condes ou barões, somos pessoas simples, do povo"

O Papa Francisco recebeu em audiência, neste sábado (18/02), no Vaticano, cerca de 40 participantes do Capítulo Geral da Congregação dos Padres Marianos da Imaculada Conceição.

O Pontífice saudou toda a congregação, em particular o novo superior geral o Pe. Andrzej Pakula, da Província da Polônia, eleito no último dia 10.

Segundo o Papa, cada Instituto, hoje, deve olhar de forma renovada à Regra, “porque nela e nas Constituições se encontram o itinerário da sequela, qualificado por um carisma específico autenticado pela Igreja”. Francisco convidou os Padres Marianos da Imaculada Conceição a fazerem esta reflexão “com fidelidade ao carisma do fundador e ao patrimônio espiritual de sua congregação, com a mente e o coração abertos às necessidades novas das pessoas.”

Memória

“Devemos ir adiante com as necessidades novas, os novos desafios, mas lembrem-se: não se pode ir adiante sem memória. É uma tensão, continuamente. Se eu quero ir adiante sem a memória do passado, da história dos fundadores, dos grandes, até mesmo dos pecados da congregação, não poderei avançar. Esta é uma regra: a memória. Esta dimensão deuteronômica própria da vida deve ser usada sempre quando se deve atualizar uma congregação religiosa, as constituições”, disse o Pontífice.

O Santo Padre recordou o fundador da congregação, Santo Estanislau Papczynski, canonizado em junho do ano passado. “Ele entendeu plenamente o sentido do ser discípulo de Cristo. Que o seu exemplo seja luz e guia para o caminho do instituto. Com o seu estilo de vida, vocês são chamados a servir e testemunhar Cristo Ressuscitado em todos os lugares onde que a Igreja lhes enviar. O testemunho cristão requer também compromisso com e pelos pobres, um compromisso que caracteriza o seu instituto desde as origens”, sublinhou Francisco

Serviço

O Papa os encorajou a manter viva esta tradição de serviço às pessoas pobres e humildes, através do anúncio do Evangelho, com uma linguagem compreensível, com as obras de misericórdia e o sufrágio dos defuntos.

“Estar próximo às pessoas como a gente, simples”, disse o Papa, recordado uma passagem da II Carta de Paulo a Timóteo: ‘conserva a sua fé sincera, a mesma que havia antes na sua avó, depois em sua mãe’; a simplicidade da mãe, da avô. Este é o fundamento. Nós não somos príncipes, filhos de príncipes, condes ou barões, somos pessoas simples, do povo. Por isso, nos aproximamos com esta simplicidade aos simples e aos que sofrem: doentes, crianças, idosos abandonados, pobres, todos. Esta pobreza está no centro do Evangelho: é a pobreza de Jesus, não a pobreza sociológica, mas a de Jesus.”

Dedicação

Outra herança espiritual significativa dessa família religiosa foi a que deixou o Beato Giorgio Matulaitis: total dedicação à Igreja e ao homem para ir com coragem trabalhar e lutar pela Igreja, especialmente onde mais precisa. “Que vocês possam cultivar esse comportamento que nas últimas décadas inspirou suas iniciativas de difundir o carisma do Instituto nos países pobres, especialmente na África e Ásia.”

Segundo o Papa, o grande desafio da inculturação exige hoje que o anúncio da Boa Nova seja feito “com linguagens e maneiras compreensíveis aos homens de nosso tempo, envolvidos num processo de rápida transformação social e cultural”.

“Essa congregação tem uma longa história escrita por testemunhas corajosas de Jesus Cristo e do Evangelho. Nesse sentido, vocês são chamados hoje a caminhar com zelo renovado para impulsioná-los, com liberdade profética e discernimento sábio, nas estradas apostólicas e fronteiras missionárias, cultivando uma colaboração estreita com os bispos e outras componentes da comunidade eclesial.”

Desafios

“Os horizontes da evangelização e a necessidade urgente de testemunhar a mensagem do Evangelho a todos, sem distinção, formam o campo vasto de seu apostolado. Muitos esperam ainda para conhecer Jesus, único Redentor do homem, e muitas situações de injustiça e desafios morais e materiais interpelam os fiéis. Uma missão assim urgente requer conversão pessoal e comunitária. Somente os corações plenamente abertos à ação da graça são capazes de interpretar os sinais dos tempos e acolher os apelos da humanidade que tanto precisa de esperança e paz.”

“Seguindo o exemplo de seu fundador, sejam corajosos no serviço a Cristo e sua Igreja, respondendo aos novos desafios e missões, não obstante possam parecer humanamente perigosas”.

O Papa concluiu o seu discurso com as seguintes palavras: “No ‘código genético’ de sua comunidade se encontra o que Santo Estanislau afirmou a partir de sua experiência: “Não obstante as muitas dificuldades, a bondade e a sabedoria divina começam e cumprem o que desejam, mesmo quando os meios, de acordo com o julgamento humano, são inadequados. Para o Onipotente, nada é impossível. Isso foi mostrado de forma clara em mim”.

(Rádio Vaticano)

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