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Um cristão acredita em reencarnação?

Katrina-Jane
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Muitos espíritas utilizam passagens da Bíblia fora de contexto sobre a volta à vida de Elias e de João Batista, atribuindo-lhes a reencarnação

A reencarnação é um conceito procedente da espiritualidade oriental e afirma que o espírito deve se separar do corpo material em que reside.

Ainda que haja muitas variações sobre a crença na reencarnação, podemos defini-la como a “doutrina segundo a qual a alma do homem passa por diversos corpos até que se liberta de todo vínculo com a matéria”. A reencarnação é uma crença vinda do Oriente, difundida nos ambientes da Nova Era com alguns retoques de ocidentalização que a deixaram famosa, inclusive entre cristãos que se afastaram da própria fé. Esta concepção parte do pressuposto de que as almas, depois da morte, se reencarnam em outro corpo e voltam a esta vida para pagar por atos que fizeram no passado (hinduísmo) ou para aperfeiçoar-se vida após vida (espiritismo).

A versão que mais se difunde no Ocidente, graças à literatura espírita e gnóstica, é muito mais sedutora, porque deixa de lado os aspectos mais duros e negativos (castigos nas vidas posteriores) para se centrar em um âmbito egocêntrico de autorrealização, maturidade espiritual, evolução e acúmulo de experiências. E nas versões mais “psicologistas” (S. Grof, T. Dethlefsen, B. Weiss), todos os males da vida seriam explicados facilmente como consequências de problemas nas vidas passadas.

Não há dúvida de que as doutrinas reencarnacionistas pretendem dar uma resposta a problemas existenciais como a origem do mal, o porquê do sofrimento, a existência de desigualdades, o sentido da justiça muito além da morte etc., mas negam o amor de Deus, a salvação, o perdão divino, e não assumem o livre arbítrio, e sim um destino fatal movido por uma lei implacável, segundo a qual cada um só depende de si mesmo.

Atualmente, há muita confusão e desconhecimento devido à avalanche de livros de autoajuda, filmes, novelas e séries televisivas que difundem doutrinas desse tipo como se fossem evidências científicas. Alguns autores, promotores do espiritismo, da metafísica esotérica e da autoajuda divulgam falsas ideias sobre o tema.

É compreensível que, se a pessoa é budista ou adere às crenças do hinduísmo, por ser coerente com a própria doutrina, acredite na reencarnação – assim como deveria ser óbvio que um cristão acredite na ressurreição e não na reencarnação.

O problema é que muitos cristãos que desconhecem em profundidade sua própria fé assumiram uma série de doutrinas estranhas à sua fé como conciliáveis com ela. Foram influenciados culturalmente pelas crenças espíritas, teosóficas, antroposóficas, esotéricas e gnósticas, especialmente as promovidas pela literatura da Nova Era. A crença na reencarnação, em sua versão ocidental, também é assumida e difundida pelos movimentos contactistas, que pregam o contato extraterrestre.

Esta crença é contrária à doutrina e à tradição cristãs e totalmente incompatível com a fé na Ressurreição, testemunhada na Bíblia, e com a fé em Jesus Cristo como Salvador.

A fé judaico-cristã revela o ser humano como um ser único e exclusivo, testemunha a ressurreição e mostra que as pessoas, quando morrem, vão ao encontro do Senhor; ninguém se reencarna em outro corpo nem fica vagando como um espírito pelo mundo (ou em outros planetas), como acreditam os espíritas.

Para a fé cristã, o ser humano tem uma identidade única em corpo e alma, e não há carma, já que existe o perdão de um Deus que salva. O próprio Jesus diz ao ladrão na cruz: “Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso” (Lc 23, 29) – aqui encontramos um ladrão sem carmas e reencarnações que chega ao céu definitivo.

Acreditar no amor infinito de um Deus que salva e perdoa não admite a solidão de estar nas mãos de uma lei fria e universal de causa e efeito. Além disso, para uma antropologia cristã, a reencarnação banaliza a morte, o corpo e a própria identidade, tornando-as meras realidades acidentais.

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