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Imagem impactante agita redes sociais: “Espírito Santo” visto no céu?

pareidolia nuvem pomba Jerusalém
Reprodução Internet
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Nuvens formariam uma gigantesca "pomba da paz", alegadamente em Jerusalém: milhares de compartilhamentos na última semana

Foi postada no Facebook em 17 de janeiro de 2019, pela usuária Elisha Oluhambo, a imagem de um conjunto de nuvens que formariam no céu a imagem gigantesca de uma “pomba da paz” (ou de uma “águia”, a depender da interpretação de cada um). A legenda que acompanhou a postagem diz que a cena foi registrada em Jerusalém no dia 16 de janeiro deste ano. A postagem foi compartilhada mais de 175.000 vezes no espaço de 5 dias a partir da sua postagem inicial. Alguns internautas disseram identificar a imagem com uma suposta manifestação visível do Espírito Santo.

Reprodução Facebook

Imagem antiga

No entanto, trata-se de uma imagem que circula pela internet há vários anos e cuja autenticidade não foi comprovada.

O que se pode afirmar é que a suposta foto não foi tirada em Jerusalém. Em agosto de 2017, a mesma imagem foi compartilhada no Reddit como se mostrasse o céu de Zacatecas, no México – outra localização errônea. O edifício ao lado direito da imagem seria, na verdade, a Basílica de São Pedro, no Vaticano. Compare:

CC

Pareidolia

Caso se trate de uma imagem autêntica, ela pode ser descrita como um exemplo de pareidolia, termo científico para o fenômeno por meio do qual desenhos abstratos são interpretados pela mente humana como formas reais. A palavra vem do grego para-, semelhante a, e eidolon, imagem, figura.

Pode-se falar em “milagre”?

Não. Não se pode falar tecnicamente em milagre quando existem explicações científicas plausíveis para um acontecimento. É muito comum que elementos da natureza apresentem formas curiosas e inspiradoras, inclusive recordando pessoas. Pode acontecer não só com as nuvens, mas também com flores, com a disposição dos ramos de uma árvore, com os contornos de uma montanha, com as curvas de um rio fotografado do alto…

Meses atrás, imagens similares ganharam as redes: uma delas mostrava outras nuvens que evocavam a imagem de um bebê no ventre materno, enquanto outra apresentava uma flor cujas formas lembravam as de Nossa Senhora:

nuvem forma bebê
Laury Moussiere / Arquivo pessoal
flor Maria
Reprodução internet

Como se identifica um milagre propriamente dito?

O uso do termo “milagre” é bastante popular e comum diante de fenômenos que parecem sobrenaturais: na grande maioria dos casos, o uso dessa palavra é bem intencionado, mas precipitado e equivocado como termo técnico.

Milagres são fenômenos cientificamente inexplicáveis, que contradizem as regras da natureza conforme as conhecemos. O caso em questão, no entanto, é perfeitamente explicável pela ciência.

São necessários criteriosos e detalhados estudos científicos para que algum fenômeno possa ser oficialmente declarado como de caráter sobrenatural. A Igreja católica segue critérios científicos bastante rígidos para afirmar algum milagre. Os milagres de cura, por exemplo, chegam a demorar décadas até serem reconhecidos. Os fatos precisam ser cuidadosamente estudados por médicos, revisados por cientistas (na maioria dos casos, laicos e até mesmo ateus), expostos às críticas públicas e, só depois de feitos todos os estudos científicos, a própria Igreja faz a análise teológica mediante o trabalho das suas comissões de especialistas em teologia. Você pode conhecer um pouco mais sobre a delicada avaliação de supostos milagres por parte da Igreja clicando no seguinte artigo sobre os 7 critérios para se declararem milagrosas as curas que acontecem no santuário de Lourdes:

 

Mas um sinal não precisa ser “milagroso” para nos fazer pensar!

Não é apenas o sobrenatural que pode nos impactar: a própria natureza, incluindo a nossa capacidade natural de admirar o belo, também tem muito a nos “dizer”, dado que o fascínio da natureza, em si mesmo, já nos remete a uma das perguntas-chave da filosofia e da ciência: qual é a origem de tudo isso?

Mesmo um acontecimento tranquilamente explicável pela ordem natural das coisas pode servir como “gatilho” para reflexões importantes.

O cristão acredita que Deus nos fala através de sinais, sejam naturais, sejam sobrenaturais, e que Ele sempre deixa à liberdade de consciência de cada um a decisão final de como interpretá-los. Os próprios ateus, aliás, costumam enfatizar que as tragédias são uma “prova” de que Deus não existe, apelando para a sua “fé” na inexistência de Deus com base em sinais passíveis de interpretações pessoais (que, aliás, cientificamente falando, não são válidos como provas).

Para quem crê na inexistência de Deus, tudo é e será sempre mero acaso e falta de sentido. Para quem acredita em Deus e no sentido sobrenatural da existência, tudo é e será sempre um grande milagre, testemunhado por uma abundância de sinais repletos de sentido.

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