Receba o boletim diário da Aleteia gratuitamente no seu email.
Alimente o seu espírito. Receba grátis os artigos da Aleteia toda manhã.
Inscreva-se

Sem condições de apoiar?

Veja 5 formas de você ajudar a Aleteia

  1. Reze por nossa equipe e pelo êxito de nossa missão
  2. Fale sobre a Aleteia em sua paróquia
  3. Compartilhe os artigos da Aleteia com seus amigos e familiares
  4. Desative o bloqueio de publicidade quando nos visitar
  5. Inscreva-se para receber nosso boletim gratuito e leia-nos diariamente

Obrigado!
Redação da Aleteia

Enviar

Aleteia

Lama soterra casas, após rompimento da barragem em Brumadinho

Isac Nóbrega/PR
Rompimento da barragem Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho/MG.
Compartilhar

“Têm vários amigos que estavam no refeitório da Vale que desapareceram”

“Tem bairro com várias casas que foram soterradas. A casa da Adélia e a casa da Nilza, que vendia caldo de cana, estão destruídas”, conta Rosilene Aganetti, de 57 anos, apontando para a lama que cobre a estrada e tudo ao redor.

Depois do rompimento da barragem mineira de Brumadinho, o lugar ficou destruído.

“Tinha gente e casas aqui. Estou arrasada”, disse à AFP essa mulher que mora na localidade de Alberto Flores.

Uma enxurrada de lama negra de mais de 150 metros de extensão avança pela região. Os helicópteros dos bombeiros, que não pararam seu trabalho durante a noite, monitoram a terra escura e a abundante vegetação.

“Têm vários amigos que estavam no refeitório da Vale que desapareceram”, completou Rosilene, tentando conter as lágrimas.

Muitos funcionários estavam no local na hora do almoço, quando tudo foi varrido pela lama.

“Eu morava embaixo dessa barragem. Criei minhas filhas lá. Meu marido se aposentou pela Vale”, contou ela.

– “Ninguém disse nada” –

Suely de Oliveira Costa procura o marido.

“Estou desesperada”, desabafa, enquanto os seguranças da Vale impedem sua passagem.

“A gente é ser humano. O que tem lá são muitas vidas. O irmão da minha sogra. Como ‘calma’, se ele já está morto (o marido)?”, responde, quando um homem lhe pede que se “acalme”.

“A Vale acabou com Mariana, e agora acabou com Brumadinho, e ninguém faz nada. Qual será a próxima cidade?”, revolta-se Suely.

No final de 2015, a ruptura de uma barragem coadministrada pela Vale em Mariana matou 19 pessoas e causou o pior desastre ambiental no país.

Até o momento, as autoridades confirmaram 34 mortos e 296 desaparecidos na tragédia de Brumadinho. Esse número pode subir.

William Guilherme Silva, um ferroviário de 21 anos, não tem notícias desde sexta-feira de “seis, ou sete, conhecidos, incluindo algumas pessoas muito próximas”, que ele conhece “desde pequeno”.

Ele também culpa a Vale.

“A barragem estava desde 2015 parada, sem manutenção, sem nada”, acusou. “Não fizeram nada”, insistiu.

Em Alberto Flores, a força da corrente de escombros e lama soterrou um carro quase até a metade. Perto dali, cerca de 200 moradores observam a chegada do reboque e contemplam, em silêncio, o angustioso espetáculo dessa pequena cidade.

Hoje pela manhã, o presidente Jair Bolsonaro sobrevoou a região de helicóptero, mas não falou no local. Depois, no Twitter, disse que é “difícil ficar diante de todo esse cenário e não se emocionar”.

Ele prometeu fazer “o que estiver ao nosso alcance para atender as vítimas, minimizar danos, apurar os fatos, cobrar justiça e prevenir novas tragédias como a de Mariana e Brumadinho, para o bem dos brasileiros e do meio ambiente”.

O dia amanheceu com sol em Brumadinho, uma localidade de 39 mil habitantes, mas durante a tarde houve pancadas de chuva.

(AFP)

Boletim
Receba Aleteia todo dia
São leitores como você que contribuem para a missão da Aleteia

Desde o início de nossas atividades, em 2012, o número de leitores da Aleteia cresceu rapidamente em todo o mundo. Estamos comprometidos com a missão de fornecer artigos que enriquecem, informam e inspiram a vida católica. Por isso queremos que nossos artigos sejam acessados por todos. Mas, para isso, precisamos da sua ajuda. O jornalismo de qualidade tem um custo (maior do que o que a propaganda consegue cobrir). Leitores como você podem fazer uma grande diferença, doando apenas $ 3 por mês.