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Redação da Aleteia

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Quando a irritação pode ser sintoma de depressão

ANNOYED WOMAN
Shutterstock
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É de vital importância que tenhamos consciência das muitas maneiras pelas quais a depressão pode se mostrar

Depois que meu primeiro filho nasceu, fui atingida duramente pela depressão pós-parto. Eu chorei muito no começo, mas quando a tristeza se transformou em desespero, não parecia haver mais sentido em chorar. Então eu apenas sentei e olhei para o vazio – por horas. Eu olhava fixamente pela janela, levantando-me apenas para cuidar vagamente das necessidades básicas da minha filha recém-nascida.

Meu médico imediatamente me receitou antidepressivos, o que me ajudou a passar pelo pior da depressão. Mas foi só quando minha filha tinha quase dois anos que voltei a mim mesma o suficiente para perceber o quanto estava deprimida. Com cada bebê que veio depois, passei os primeiros meses após o parto esperando que essa desolação, mas rezando para que ela continuasse à distância.

A desolação não voltou como da primeira vez, graças a Deus. Mas depois que meu quarto bebê nasceu, houve algo diferente – comecei a ficar cada vez mais mal-humorada. Parecia piorar todos os dias, até que eu me vi acordando de manhã com raiva, gritando com a minha família constantemente, e desejando fervorosamente (na minha cabeça e em voz alta) que todos me deixassem em paz.

O que eu não sabia era que a depressão pode se manifestar de muitas maneiras diferentes. De acordo com NRP, a irritabilidade e a raiva são sintomas comuns mas amplamente desconhecidos da depressão.

Quando se formou, décadas atrás, afirma o Dr. Maurizio Fava, ele aprendeu que, na depressão, a raiva era projetada para dentro – que as pessoas deprimidas ficariam com raiva de si mesmas, mas não de outras. Mas isso não correspondia com o que ele estava vendo em muitos de seus pacientes com depressão.

“Eu diria que 1 em cada 3 pacientes relatavam para mim perda de paciência, irritabilidade, que jogariam coisas, gritariam ou bateriam a porta”, afirmou Dr. Maurizio. Depois, essas pessoas ficavam cheias de remorso. Ele acredita que tais “ataques de raiva” podem ser um fenômeno similar aos ataques de pânico. Sua pesquisa descobriu que esse tipo de irritabilidade diminuía na maioria dos pacientes tratados com antidepressivos.

Eu não posso te dizer quantas vezes durante aquele ano eu perdi a paciência e gritei, ou bati a porta e quis jogar algo na parede, e, depois, arrependida, ficava encontrando maneiras de pedir desculpas à minha família repetidamente, tentando compensar o que eu pensava ser uma terrível falta de virtude e autocontrole. Naquele ano, rezei diariamente por temperança e paciência.

Com o passar do ano, comecei a me odiar genuinamente por ser tão fraca de vontade. Depois que eu perdia a paciência e gritava, eu apenas me trancava no quarto chorava, odiando a terrível esposa e mãe que eu era.

Por fim, aquilo se tornou demais para todos nós, e eu fui ao psiquiatra. Ele diagnosticou depressão e ansiedade pós-parto, um ano depois de eu ter dado à luz. A medicação de baixa dosagem em que ele me colocou ajudou a aliviar a irritabilidade e o impulso à raiva, enquanto a terapia regular me ajudou a encontrar novas maneiras de lidar com minhas emoções e a começar a curar meu relacionamento comigo mesma. O exercício físico diário indicado por psiquiatra completou o tratamento que acabou me tirando daquela longa depressão.

Fico muito grata que meu psiquiatra tenha reconhecido imediatamente minha irritabilidade pelo que era, em vez de atribuí-la à falta de autocontrole ou virtude, como eu vinha fazendo. Eu nunca vou esquecê-lo dizendo para mim:

você não é uma péssima esposa e mãe. Você está sofrendo de depressão, e isso está prejudicando sua capacidade de amar a sua família da maneira que você claramente quer.

Eu não sei se teria encontrado um jeito de sair dessa depressão se o médico não tivesse me ajudado a parar de me punir e começado a me tratar.

É de vital importância que estejamos conscientes das muitas formas diferentes pelas quais a depressão pode se manifestar e que sejamos capazes de distinguir – e ajudar nossos entes queridos – entre a falta de virtude e a doença psíquica. Às vezes, elas podem parecer iguais, mas é contraproducente e absolutamente perigoso tratar doenças psíquicas como se fossem falta de virtude – em nós mesmos ou nos outros.