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Como lutar contra o complexo de culpa?

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Orfa Astorga - publicado em 12/03/19

As experiências da infância são decisivas na vida psicológica dos adultos, especialmente em relação aos sentimentos de culpa

No meu consultório, deparo com muitas formas de sentimentos de culpa, especialmente em pessoas que desenvolveram uma condição de vulnerabilidade em sua consciência. E isso as torna as mais duras juízas de si mesmas.

São pessoas que chegaram a desenvolver doenças psicossomáticas (sistema imunológico enfraquecido, problemas cardiovasculares, desconforto gastrointestinal, dor generalizada etc.) e mental (ódio de si, depressão, ansiedade), por não serem capazes de distinguir entre as ações pelas quais são verdadeiramente responsáveis e aquelas que correspondem ao seu distúrbio de personalidade.

São pessoas que podem acabar prejudicando seriamente seus relacionamentos familiares.

Esta é uma dessas histórias:

Basta começar o dia e começa na minha cabeça uma espiral de sentimentos e pensamentos com um tom de autocensura e culpa. Eu não sei o que é ser capaz de descansar de mim mesma.

Quem me contou isso foi uma jovem mulher com um bom casamento e dois filhos. Ela parecia ter tudo que pudesse desejar, mas não era bem assim.

Na terapia, vimos que ela teria de enfrentar e superar três feridas que inconscientemente permaneciam abertas.

A primeira: desde criança, ela tinha sido ensinada a se sentir culpada por atos insignificantes que naturalmente não deveriam tê-la perturbado, por serem circunstâncias normais de sua idade, ou por serem atos aos quais ela não poderia ter controle, porque não eram em absoluto responsabilidade dela.

Ele lembrou que, quando tentava seguir o que lhe era ordenado, às vezes esquecia ou fazia de forma errada, e por isso era tachada de desobediente, e recebia castigos severos, que faziam com ela se sentisse insegura com suas atitudes.

A segunda: quando ela era adolescente, seus pais se divorciaram, o que elevou ainda mais sua insegurança, dando-lhe a impressão de que eles nunca a haviam amado e de que definitivamente não se importavam com ela.

A terceira: seus irmãos, longe de resolverem positivamente suas vidas, haviam caído nas garras do vício, e ela se sentia impotente por não poder ajudá-los, sofrendo por isso.

Como os conteúdos apreendidos na etapa da infância são decisivos na vida psicológica de adultos, sobretudo em referência aos sentimentos de culpa, faz-se necessário formar e trabalhar a consciência moral, cuidando que ideias, pensamentos, pontos de vista sobre Deus, o bem e o mal sejam os corretos. Sobretudo o que é e o que não é de sua responsabilidade.

Por isso, a solução radical que se apresentou foi assentar as bases de uma personalidade equilibrada, adquirindo a capacidade de fazer juízos corretos. A proposta foi uma árdua, mas eficaz, tarefa de formação de sua consciência moral, que a ajudaria a sanar as três dimensões danificadas de sua personalidade.

Sobre a correção de sentimentos de culpa apreendidos desde a infância:

  • Tornar-se consciente de suas emoções, sendo capaz de se perguntar: O que eu sinto quando penso, ajo ou decido sobre tal coisa? Por que meus sentimentos negativos?
  • Ser capaz de analisar seus sentimentos: Por que sinto isso? O que sinto é razoável?
  • Conseguir identificar a sua vontade. Qual é a minha verdadeira intenção ao agir? Como minhas ações se relacionam com meus sentimentos?

A partir dessa nova perspectiva, buscamos assimilar o divórcio dos pais dela:

  • Tentando compreendê-los em suas limitações, para não seguir presa no círculo vicioso de ressentimento e autopiedade.
  • Continuar superando-se para agradecer-lhes pelo dom da vida, sem ser afetada pelo passado.
  • Construir a partir do amor da sua própria família uma auto-estima saudável.
  • Pedir a solução definitiva através de sua espiritualidade, para encontrar o significado mais profundo de sua existência.

Em relação à infelicidade dos irmãos:

  • A caridade não implica ser injusto consigo mesmo. A vida de seus irmãos é, em termos de liberdade pessoal, apenas responsabilidade deles.
  • Sentir-se culpada pela vida deles é assumir um peso que, em última análise, não lhe corresponde.
  • Diante de situações persistentemente dolorosas e injustas em que os irmãos levam suas vidas, é conveniente ajudá-los na medida do possível, mas a partir de uma distância segura que lhe permita viver sua própria, sem uma poluição emocional que a impeça de se entregar plenamente a seu marido e filhos.

Finalmente, e o mais importante: aprender a reconhecer os verdadeiros erros para se tornar responsável e amadurecer, porque há sentimentos que são úteis, já que através da desaprovação pessoal surgem fortes razões para uma conduta de maior superação, tomando a firme decisão de aderir ao que vale a pena.

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