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Arcebispo do Paquistão denuncia sequestros de adolescentes cristãs

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Há novas esperanças sob o novo governo do país, mas a perseguição aos cristãos ainda é um complexo desafio

Dom Sebastian Shaw, arcebispo de Lahore, no Paquistão, denunciou uma onda de sequestros de adolescentes cristãs e hindus no país. Trata-se de duas das principais minorias religiosas do Paquistão.

O arcebispo fez as suas declarações em entrevista à agência católica portuguesa ECCLESIA, durante passagem por Portugal.

Embora observe sinais positivos do novo governo em defesa das minorias religiosas, dom Sebastian enfatiza que menores de idade têm sido raptadas, violentadas e forçadas a se converter ao islã.

O caso de maior repercussão é o da jovem Huma Younus, convocada a prestar declarações no Supremo Tribunal paquistanês neste próximo 3 de fevereiro, gesto inédito no país. A fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN) tem se empenhado em amplificar a divulgação internacional do caso, exigindo resposta adequada das autoridades.

Dom Sebastian comenta:

“Há sinais de mudança, agora. O atual governo está trabalhando muito para que todas as pessoas tenham um sentimento de pertencimento e de unidade, de que todos somos paquistaneses. Os grupos terroristas estão mais controlados, agora. É um passo importante”.

O arcebispo considera que vem se construindo um diálogo com líderes islâmicos dispostos a promover uma sociedade mais pacífica, inspirados pelo documento sobre a “Fraternidade Humana” que foi assinado conjuntamente entre o Papa Francisco e o Grande Imã de Al-Azhar em fevereiro de 2019, em Abu Dhabi.

Dom Sebastian acrescenta, observando que os cristãos são apenas 1,2% da população paquistanesa:

“Nos últimos anos nós sofremos muito, muito. Mas estamos saindo desta situação. O nosso principal papel no Paquistão – e penso que em todos os lugares – é trabalhar mais na questão da tolerância. Costumo dizer ao nosso grupo de diálogo inter-religioso, imãs e acadêmicos: vamos subir de nível. Até hoje, era sempre a tolerância, mas penso que não é suficiente, temos que subir de nível para o da aceitação (…) Nas nossas escolas, mais de 90% dos estudantes são muçulmanos. Essa é também uma forma de promover o diálogo. Eles gostam de estudar nas nossas escolas, espaços mais abertos e baseados em valores, valores humanos”.

A Igreja Católica no Paquistão está muito envolvida também na área da saúde e do apoio social, através da Cáritas.

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Com informações de Ecclesia

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