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O coronavírus e a ilusão do isolamento

UCHODŹCY
AAREF WATAD/AFP/East News
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Recordemos a pandemia do coronavírus na particularidade de um evento pequeno: uma tosse. A tosse de alguém que estava sofrendo

A pandemia do coronavírus colocou o mundo em quarentena. As medidas de isolamento na China soaram para muitos como excesso de autoritarismo.

Mas, pouco a pouco, outros povos se viram obrigados a restringir a livre circulação de pessoas pelas ruas, cidades e fronteiras, tendo em vista a rápida propagação do novo vírus.

A quarentena obrigatória é a última de uma série de medidas de isolamento.

Primeiro, cancelam-se as grandes aglomerações de pessoas. Depois, suspendem-se as aulas em escolas e universidades.

Depois, fecham-se temporariamente fábricas e centros de serviço. Por fim, determina-se que as pessoas permaneçam em suas casas.

E assim se cria a ilusão de que o isolamento – ainda que necessário – é possível.

Mas não é.

No sentido correto do termo, isolar significa fechar todos os canais de contato de um sistema com o seu entorno. Um sistema isolado seria aquele que não troca matéria, energia e informação com o seu ambiente.

Mas tudo que existe troca matéria, energia ou informação com aquilo que o cerca. Uma árvore, por exemplo, mesmo que esteja morta, se decompõe, dando continuidade ao processo de relacionamento com o seu entorno.

Nada no universo está isolado.

Nenhuma pessoa pode se isolar completamente, mesmo que construa um bunker de sobrevivência (como algum milionário excêntrico poderia fazer), ou se mude para o alto de uma montanha numa região remota.

Em qualquer lugar que você esteja, você continua conectado ao seu entorno.

Com isso, não queremos dizer que as medidas restritivas e de quarentena são inúteis. Muito pelo contrário, elas são necessárias e eficazes no combate à pandemia do coronavírus.

Mas elas não são medidas de isolamento. São apenas medidas restritivas de circulação e distanciamento social.

O isolamento completo é uma mera ilusão.

Uma ilusão de que os problemas não chegarão até nós.

Uma ilusão de que aquela primeira tosse contaminada, da qual alguém padeceu há meses em Wuhan, nunca chegaria a nós.

Uma ilusão de que não somos determinados por aquilo que nos cerca.

Uma ilusão de que não temos nada a ver com os problemas ao nosso redor, estejam eles próximos ou distantes.

Quando a quarentena passar e o mundo voltar à normalidade, o que acontecerá em breve, se tivermos paciência e disciplina, façamos o exercício de recordar que o coronavírus não foi apenas uma pandemia.

Recordemos a pandemia do coronavírus na particularidade de um evento pequeno: uma tosse. A tosse de alguém que estava sofrendo.

E que esse pensamento nos ajude a cuidar de cada pequeno sofrimento, de cada pequena miséria, de cada pequena tosse.

E que seja assim por justiça e caridade. Mas, se assim não for, que seja pelo alerta.

O alerta de que, por mais recursos que possamos amealhar, nunca estaremos completamente isolados. Aquela pequena tosse chegará a nós.

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