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O desvio mais perigoso dos cristãos, segundo o Papa Francisco

POPE EASTER

ANDREAS SOLARO / POOL / AFP

Reportagem local - publicado em 07/05/20

Em homilia hoje, o Papa respondeu à pergunta: “a seu ver, qual é o desvio dos cristãos hoje e sempre?"

O Papa Francisco afirmou hoje que o desvio mais perigoso dos cristãos é a falta de memória de pertença a um povo.

O Papa considera que, quando falta essa memória de pertença a um povo, “vêm os dogmatismos, os moralismos, os ‘eticismos’, os movimentos elitistas”.

Em sua homilia na Missa na Casa Santa Marta, o Papa explicou essa ideia de forma mais aprofundada, ao comentar a passagem dos Atos dos Apóstolos (At 13,13-25) em que Paulo, tendo chegado a Antioquia da Pisídia, explica na sinagoga a história do povo de Israel, anunciando que Jesus é o Salvador esperado.

Disse o Papa:

O que há por trás de Jesus? Há uma história. Uma história de graça, uma história de eleição, uma história de promessa. O Senhor escolheu Abraão e caminhou com o seu povo. Há uma história de Deus com o seu povo. E por isso quando é pedido a Paulo que explique o porquê da fé em Jesus Cristo, não começa de Jesus Cristo: começa da história. O cristianismo é uma doutrina, sim, mas não só. Não só as coisas em que nós cremos: é uma história que traz esta doutrina que é a promessa de Deus, a aliança de Deus, ser eleitos por Deus. O cristianismo não é somente uma ética. Sim, realmente, tem princípios morais, mas não se é cristãos somente com uma visão ética. É mais que isso. O cristianismo não é uma “elite” de pessoas escolhidas para a verdade. Esse sentido elitista que depois prossegue na Igreja, não? Por exemplo, eu sou daquela instituição, eu pertenço a este movimento que é melhor do que o seu… Que isso, que aquilo… É um sentido elitista. Não, o cristianismo não é isso: o cristianismo é pertença a um povo, a um povo escolhido por Deus gratuitamente. Se não tivermos essa consciência de pertença a um povo seremos “cristãos ideológicos”, com uma doutrina pequenina de afirmações de verdades, com uma ética, com uma moral – está bem – ou com uma elite. Sentimo-nos parte de um grupo escolhido por Deus – os cristãos –, os outros irão para o inferno ou se se salvam é pela misericórdia de Deus, mas são os descartados… E assim sucessivamente. Se não temos uma consciência de pertença a um povo, não somos verdadeiros cristãos.

O Papa continuou sua explicação sobre o pertencimento a um povo:

Por isso Paulo explica Jesus do início, da pertença a um povo. E muitas vezes, muitas vezes, nós caímos nesta parcialidade, sejam dogmáticas, morais ou elitistas, não? E o sentido de elite é aquele (sentido) que nos faz muito mal e perdemos aquele sentido de pertença ao santo povo fiel de Deus, que Deus elegeu em Abraão” e prometeu a “grande promessa”, Jesus, e o fez caminhar com esperança e fez aliança com ele. Consciência de povo. Se alguém me perguntasse: “A seu ver, qual é o desvio dos cristãos hoje e sempre? Para o senhor, qual seria o desvio mais perigoso dos cristãos?”, eu diria, sem duvidar: a falta de memória de pertença a um povo. Quando falta isso, vêm os dogmatismos, os moralismos, os ‘eticismos’, os movimentos elitistas. Falta o povo. Um povo pecador, sempre, todos o somos, mas que em geral não erra, que tem o faro de ser povo eleito, que caminha tendo recebido uma promessa e que fez uma aliança que talvez não cumpre, mas sabe. Pedir ao Senhor esta consciência de povo, que Nossa Senhora cantou belamente em seu Magnificat (conf. Lc 1,46-56), que Zacarias cantou de modo tão belo em seu Benedictus (conf. vers. 67-79), cânticos que rezamos todos os dias, pela manhã e à noite. Consciência de povo: nós somos o santo povo fiel de Deus que, com diz o Concílio Vaticano I, e depois o II, na sua totalidade tem o faro da fé e é infalível neste modo de crer.

Depois, o Papa Francisco convidou a fazer a Comunhão espiritual com a seguinte oração:

Aos vossos pés, ó meu Jesus, me prostro e vos ofereço o arrependimento do meu coração contrito que mergulha no seu nada na Vossa santa presença. Eu vos adoro no Sacramento do vosso amor, a inefável Eucaristia. Desejo receber-vos na pobre morada que meu coração vos oferece; à espera da felicidade da comunhão sacramental, quero possuir-vos em Espírito. Vinde a mim, ó meu Jesus, que eu venha a vós. Que o vosso amor possa inflamar todo o meu ser, para a vida e para a morte. Creio em vós, espero em vós. Amo-vos. Assim seja.

O Santo Padre terminou a celebração com a adoração e a bênção eucarística. Antes de deixar a Capela dedicada ao Espírito Santo, foi entoada a antífona mariana “Regina caeli”, cantada no tempo pascal:

Rainha dos céus, alegrai-vos. Aleluia! Porque Aquele que merecestes trazer em vosso seio. Aleluia! Ressuscitou como disse. Aleluia! Rogai por nós a Deus. Aleluia! D./ Alegrai-vos e exultai, ó Virgem Maria. Aleluia! C./ Porque o Senhor ressuscitou, verdadeiramente. Aleluia!

(Com Vatican News)

Tags:
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