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É pecado votar em partidos comunistas?

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A Ética socialista é, muitas vezes, materialista e pragmática – o que obriga o fiel católico a estar alerta às propostas socialistas

A resposta verdadeira, nua e crua, é sim! Diante dessa afirmação importa conhecer brevemente a doutrina da Igreja a respeito do socialismo e do comunismo.

Escreve o Papa Leão XII: “É necessário… que trabalheis para que os filhos da Igreja Católica não ousem, seja debaixo de que pretexto for, filiar-se na seita abominável (do socialismo), nem favorecê-la” (Encíclica Quod Apostolici Muneris, de 28/12/1878).

Mais: “Era do Nosso dever advertir publicamente os católicos dos graves erros que se ocultam sob as teorias do socialismo, e do grande perigo que daí resulta, não somente para os bens exteriores da vida, mas também para a integridade dos costumes e para a Religião” (Encíclica Graves de Communi, de 18/01/1901). “Ainda que os socialistas, abusando do próprio Evangelho, a fim de enganarem mais facilmente os espíritos incautos, tenham adotado o costume de torcerem em proveito da sua opinião, entretanto a divergência entre as suas doutrinas depravadas e a puríssima doutrina de Cristo é tamanha, que maior não podia ser. Pois ‘que pode haver de comum entre a justiça e a iniquidade? Ou que união entre a luz e as trevas?’ (2Cor 6,14)” (Quod Apostolici Muneris).

Com o passar dos anos, o socialismo se ramificou e apareceu com nomes diferentes: socialismo moderado, socialismo cristão ou socialismo católico. Ora, o Papa Pio XI alertou, então, os católicos frente a essa “salada confusa” no conceito de socialismo demonstrando que nenhum deles se concilia com a Fé Católica. Todos trazem, em sua essência, que “o princípio fundamental do socialismo primitivo, é contrário à Fé cristã” (Encíclica Quadragesimo Anno, 15/05/1931). Ainda: “O socialismo, quer se considere como doutrina, quer como fato histórico, ou como ‘ação’, se é verdadeiro socialismo, mesmo depois de se aproximar da verdade e da justiça, não pode conciliar-se com a doutrina católica, pois concebe a sociedade de modo completamente avesso à verdade cristã” (idem). Deste modo: “Socialismo religioso, socialismo católico são termos contraditórios: ninguém pode ser ao mesmo tempo bom católico e verdadeiro socialista” (ibidem).

A esse pronunciamento do Papa, Dom Estevão Bettencourt, OSB, acrescenta: “Houve – e ainda há – católicos que pretendem conciliar entre si marxismo e Cristianismo. Na verdade, a conciliação é impossível, como tem proclamado a Igreja desde 1846” (Pergunte e Responderemos n. 555, setembro de 2008, p. 403). E mais: Dom Estevão escreve que “O Não dito por Pio XI, em 1931, é válido até hoje na medida em que o Socialismo conserva até nossos dias a identidade que ele tinha naquela época. Sabemos que nos tempos atuais o vocábulo ‘socialismo’ é polivalente e matizado [pode ter vários sentidos – nota nossa]. Não raro, debaixo de aparência mais moderada do que outrora, ainda esconde (e manifesta) teses e realizações incompatíveis com os princípios cristãos. A Ética socialista é, muitas vezes, materialista e pragmática – o que obriga o fiel católico a estar alerta às propostas socialistas, não se deixando facilmente iludir por discursos pacíficos e belas promessas” (Curso de Doutrina Social da Igreja. Rio de Janeiro: Mater Ecclesiae, 1992, p. 168). Em 2020, nada mudou, nem poderia mudar!

Por tudo isso, que foi brevemente exposto, o verdadeiro católico não pode apoiar, filiar-se ou votar em partidos políticos ligados ao comunismo ou ao socialismo sem se contradizer com sua fé e sua consciência moral. Se o faz, consciente de tudo quanto foi dito aqui, comete pecado grave, porque coopera conscientemente com um pecado grave. 

O Catecismo da Igreja Católica ensina sobre a cooperação com o pecado de outra pessoa: “O pecado é um ato pessoal. Além disso, temos responsabilidade nos pecados cometidos por outros, quando neles cooperamos: participando neles direta e voluntariamente; mandando, aconselhando, louvando ou aprovando esses pecados; não os revelando ou não os impedindo, quando a isso somos obrigados; protegendo os que fazem o mal” (n. 1868).

Peçamos que Deus nos livre de cometer pecados e/ou de cooperar com eles!

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