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Contrariar Evangelho por afeto familiar é forma de corrupção, adverte Papa

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“Vemos algumas corrupções nos governos. Elas ocorrem porque o amor pelo parentesco é maior que o amor pela pátria e eles colocam os parentes no comando”

O Papa Francisco advertiu nesse domingo sobre o tipo de corrupção em que os afetos familiares se misturam com escolhas opostas ao Evangelho.

Ao rezar o Angelus, o Papa recordou que, no Evangelho deste domingo, Jesus pede que seus discípulos “levem a sério as exigências do Evangelho, mesmo quando isto requer sacrifício e esforço”.

Segundo Francisco, o primeiro pedido exigente que Deus nos faz é colocar o amor a Ele até mesmo acima dos afetos familiares.

Jesus não pretende certamente subestimar o amor pelos pais e filhos, mas sabe que os laços de parentesco, se forem postos em primeiro lugar, podem desviar-se do verdadeiro bem.

O Papa advertiu até mesmo sobre casos de corrupção relacionados a esse tipo de atitude:

Vemos algumas corrupções nos governos. Elas ocorrem porque o amor pelo parentesco é maior que o amor pela pátria e eles colocam os parentes no comando. O mesmo com Jesus: quando o amor é maior que Ele, não é uma coisa boa. Todos nós poderíamos dar muitos exemplos a este respeito. Sem mencionar as situações em que os afetos familiares se misturam com escolhas opostas ao Evangelho. Quando, por outro lado, o amor pelos pais e filhos é animado e purificado pelo amor ao Senhor, então torna-se plenamente fecundo e produz frutos de bem na própria família e muito para além dela.

O Papa explicou que o verdadeiro amor a Jesus exige um amor verdadeiro pelos pais, pelos filhos, mas se primeiro buscamos o interesse familiar, isso sempre leva a um caminho errado.

Caminho de cruz

Francisco recordou a frase que Jesus diz aos discípulos: «Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim».

É uma questão de o seguir no caminho que Ele percorreu, sem procurar atalhos. Não há amor verdadeiro sem cruz, ou seja, sem um preço a pagar pessoalmente. E muitas mães dizem isso, muitos pais que se sacrificam muito pelo filho e carregam verdadeiros sacrifícios, cruzes, mas porque amam.

Segundo o Papa Francisco, carregada com Jesus, “a cruz não é assustadora, porque Ele está sempre ao nosso lado para nos apoiar na hora da provação mais dura, para nos dar força e coragem. Também não é necessário preocupar-se por preservar a própria vida, com uma atitude temerosa e egoísta”.

O Papa explicou em seguida que o paradoxo do Evangelho aparece nestas palavras de Jesus: «Quem procura conservar a própria vida, vai perdê-la. E quem perde a sua vida por causa de mim».

Quantas pessoas, quantas pessoas, estão carregando cruzes para ajudar os outros, se sacrificam para ajudar os que precisam nesta pandemia. Mas, sempre com Jesus, é possível fazer.

Para o Papa, “a plenitude da vida e da alegria é encontrada através da doação de si mesmo pelo Evangelho e pelos irmãos, com abertura, aceitação e benevolência. Ao fazê-lo, podemos experimentar a generosidade e gratidão de Deus”.

No Evangelho deste domingo – afirmou Francisco –, Jesus diz também assim: «Quem recebe a vocês, recebe a mim […]. Quem der ainda que seja apenas um copo de água fria a um desses pequeninos […] não perderá a sua recompensa.»

A gratidão generosa de Deus Pai leva em consideração até o mais pequeno gesto de amor e serviço prestado aos irmãos.

O Papa contou que nesses dias ouviu um sacerdote que ficou comovido porque uma criança se aproximou dele na paróquia e disse: “Padre, estas são as minhas economias; pouca coisa. É para os seus pobres, para aqueles que precisam hoje por causa da pandemia”.

Coisa pequena, mas uma coisa grande. É uma gratidão contagiosa, que ajuda cada um de nós a sentir gratidão por aqueles que se preocupam com as nossas necessidades. Quando alguém nos oferece um serviço, não devemos pensar que tudo nos é devido. Não. Muitos serviços são feitos gratuitamente. Pensem no voluntariado, que é uma das maiores coisas que a sociedade italiana tem. Os voluntários! Quantos deles perderam a vida nessa pandemia. Isso é feito por amor, simplesmente para o serviço. A gratidão, o reconhecimento, é antes de tudo um sinal de boa educação, mas é também um distintivo do cristão. É um sinal simples mas genuíno do reino de Deus, que é o reino do amor gratuito e reconhecido.

O Papa concluiu pedindo à Virgem Maria que nos ajude a colocar-nos sempre diante de Deus com um coração disponível, deixando que a sua Palavra julgue os nossos comportamentos e as nossas escolhas.

(Com Vatican News)

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