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Schoenstatt pede objetividade ante acusações de abusos contra seu fundador

Movimento de Schoenstatt
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Segundo denúncias divulgadas ontem, o pe. José Kentenich, falecido em 1968, teria cometido assédio sexual e abuso de poder

A doutora Alexandra von Teuffenbach, especialista em história da Igreja e ex-professora desta matéria e de teologia na Pontifícia Universidade Lateranense e no Ateneu Regina Apostolorum, ambos em Roma, divulgou ontem, 2 de julho, mediante artigos no blog Settimo Cielo, do vaticanista Sandro Magister, e no jornal alemão Die Tagespost, uma pesquisa que ela própria realizou nos arquivos do Vaticano a respeito de acusações contra o pe. José Kentenich, fundador do Movimento Apostólico Internacional de Schoenstatt. O sacerdote alemão, falecido em 1968 e hoje em processo de beatificação, foi acusado de abuso de poder e de pelo menos um episódio de assédio sexual contra religiosas do Instituto Secular das Irmãs de Maria de Schoenstatt, fundado por ele em 1926.

Alexandra Von Teuffenbach se baseou em documentos do pontificado de Pio XII preservados no Arquivo Apostólico Vaticano, bem como em relatórios do padre jesuíta Sebastian Tromp, encarregado pela Santa Sé de realizar uma visitação apostólica à Família de Schoenstatt na década de 1950 para investigar as acusações recebidas contra o fundador. Nesses relatórios, a pesquisadora identificou o registro de alegados diálogos de conteúdo sexual que teriam acontecido entre o sacerdote e religiosas do instituto, além de acusações de abuso de poder por parte do fundador em sua relação com as religiosas.

Em decorrência das investigações do visitador apostólico, o Vaticano determinou que o pe. Kentenich se separasse da obra que havia fundado. A biografia oficial do padre, disponível no site da sua causa de beatificação, descreve esse período como “o exílio” e informa que, de 1951 a 1965, o pe. Kentenich fez de Milwaukee, nos EUA, o seu lugar de residência fixa. O site acrescenta que “nos longos anos de ausência de Schoenstatt ficou comprovada a autenticidade do amor do pe. Kentenich pela Igreja e a fidelidade à sua Obra”.

A sanção imposta ao fundador foi retirada pelo Vaticano em outubro de 1965, o que permitiu que o pe. Kentenich voltasse à Alemanha. Ele faleceria três anos depois.

Pronunciamentos do Movimento de Schoenstatt

O pe. Juan Pablo Catoggio, da Presidência Geral do movimento, se pronunciou mediante nota divulgada neste mesmo 2 de julho. Ele observa que as denúncias não são novas:

“[A informação] foi incluída plenamente na documentação sobre o fundador de Schoenstatt em relação com a separação temporária de sua Obra (1951-1965) e está sendo estudada a fundo pelas autoridades eclesiásticas no contexto do processo de beatificação de Kentenich”.

O pe. Catoggio se referiu a esse período como uma ordem administrativa do Vaticano para seu ulterior exame, e não como uma medida punitiva:

“O pe. Kentenich respondeu detalhadamente ao visitador e aos seus superiores sobre a acusação de abuso de poder e expôs abertamente o seu pensamento, seus princípios e seu comportamento. Tanto assim que José Kentenich foi autorizado a retornar a Schoenstatt em 1965 e 1966, depois de um exílio de 14 anos. Os decretos que o separavam da sua fundação foram revogados e a causa do fundador foi devolvida à Congregação dos Religiosos da época. Ele pôde então reassumir a sua posição de fundador na Obra de Schoenstatt. De fato, isso invalidou também a acusação de abuso de poder”.

A respeito das acusações, o presidente do movimento de Schoenstatt observou que, assim como a postura do fundador, elas também precisam passar por uma justa e criteriosa avaliação:

“Todas as vozes críticas e as acusações também são objeto de um estudo minucioso e de uma séria consideração de todos os fatos num contexto histórico e espiritual apropriado. A sentença final neste procedimento cabe à Igreja”.

Sobre a veracidade do conteúdo das denúncias, o pe. Catoggio comenta:

“O comportamento [do pe. Kentenich] com outras pessoas, particularmente as mulheres, sempre foi marcado por uma pronunciada reverência e estima, assim como pelo princípio da intangibilidade corporal, que ele imprimiu às suas comunidades”.

A redação de Aleteia em espanhol consultou Eduardo Aguirre, postulador da causa de canonização do pe. Kentenich. Aguirre afirmou que o Movimento de Schoenstatt e a diocese alemã de Tréveris (Trier) já investigaram essas acusações há décadas, sem que nada de objetivo tenha sido comprovado.

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